Tas explica polêmica de campanha no Twitter
Talita Abrantes, da INFO 30 de março de 2009 |
SÃO PAULO – O bafafá em torno da campanha para a Telefônica realizada no Twitter do jornalista e apresentador Marcelo Tas foi um dos destaques do painel Experiências Brasileiras com o Twitter.
Antes de contar detalhes sobre a campanha que virou até manchete do The Wall Street Journal, Tas ressaltou que tamanha repercussão indica pelo menos duas coisas: o poder da mídia convencional e também as características das novas ferramentas de mídias sociais.
Pelo acordo entre Tas e a Telefônica, o jornalista dará dicas patrocinadas, como a indicação de conteúdo em streaming, dentro de sua conta no Twitter, que também terá um banner da empresa no perfil.
A proposta é fomentar o uso de serviços que consumam mais banda para promover a internet por fibra ótica da Telefônica, chamada Xtreme (mais detalhes em Twitter pago de Marcelo Tas gera polêmica, no Plantão INFO).
Desde o início das negociações, Tas revela que sabia que a ferramenta exigiria transparência, visto que “o Twitter daria o mais alto nível de telhado de vidro para a Telefônica”. Assim, mesmo antes de o projeto estar no ar, o jornal americano já discutia o assunto.
“A empresa lançou a campanha primeiro em um evento com os blogueiros mais importantes do país, mas as críticas só vieram depois da matéria publicada pelo The Wall Street Journal . Isso mostra a força das mídias tradicionais”, afirma.
Nos dias seguintes, segundo o apresentador, começou uma campanha de “unfollow Marcelo Tas”. Como resposta, ele postou: “não me sigam, porque não sou novela”. O resultado foi que no dia do início do acordo com a Telefônica Tas ganhou mais mil seguidores em seu perfil no Twitter.
Marcelo Tripoli, CEO da agência que coordenou a campanha publicitária da Telefônica, a iThink, conta que a proposta era “não forçar a mão” com o Twitter. Assim, Tas iria apenas postar dicas de links de vídeos em alta definição. Mas admite que a empresa tinha consciência que não daria para controlar o Twitter.
Neste contexto, Tas conta que em toda a sua carreira nunca tinha protagonizado polêmica semelhante. “Este diferencial pode significar alguma coisa”, observa.
“Vi televisão pela primeira vez quando o homem pisou na Lua, também pela primeira vez, em 1969. A partir daí nós passamos a olhar para uma mesma tela que nos mandava tudo que precisávamos saber. Hoje, ao contrário, nós vamos até as coisas que queremos ver. O Twitter soube fazer essa ponte entre espectador e público. Mas não temos controle.”

