Apesar da telona, o Skate V960 não é um smartphone de topo de linha. Ele não tem processador de dois núcleos e o seu display perde para aparelhos como o Galaxy SII em brilho, contraste e intensidade de cores. Mas isso não é demérito para um modelo com a proposta de concorrer com os Androids intermediários. Nessa categoria, o seu LCD de 4,3 polegadas e o desempenho nas tarefas mais comuns estão acima da média. No INFOlab, telefonamos, enviamos mensagens, navegamos na internet, ouvimos música e jogamos tranquilamente, sem enfrentar atraso nas respostas aos comandos. O que deixa a desejar é o pouco espaço na memória interna (512 MB) e no cartão (2 GB) que acompanha o modelo, sem falar na filmagem com resolução máxima de 640 x 480 pixels (15 quadros por segundo). A duração da bateria também poderia ser melhor. O aplicativo Documents To Go que vem instalado no Skate V960 abre, mas não edita arquivos do Office.

O Skate V960 é um gigante entre os pequenos. Ele utiliza um dos circuitos integrados mais econômicos da Qualcomm, o MSM7227. Nele, o processador ARM11 (um núcleo a 800 MHz) trabalha em concerto com a unidade de processamento gráfico Adreno 200, ambos já bastante ultrapassados em relação aos melhores chips disponíveis no mercado. De fato, não é preciso muito para inferir que esse smartphone não foi projetado para sobreviver ao campo de batalha dos aparelhos mais potentes. Ainda assim, trata-se de uma bela configuração para a categoria.
Com efeito, comparando os resultados do Skate no benchmark Quadrant com os de outros aparelhos na mesma faixa de preço, o brutamontes da ZTE levou os louros da vitória. Além disso, como já dissemos, os circuitos desse smartphone são perfeitamente capazes de proporcionar uma experiência de uso agradável. Se é possível acessar a internet, ver vídeos e até jogar sem pausas irritantes, que espaço sobra para reclamações? A fabricante chinesa realmente encontrou um equilíbrio eficiente entre hardware e preço com o Skate.
Benchmark Quadrant (em pontos)Barras maiores indicam melhor desempenho
ZTE Skate 942
Motorola Spice Key
854
Samsung Galaxy Ace
577
LG Optimus Me
524
Mas um smartphone não se resume a poder de processamento e o Skate apresenta alguns deslizes em outras áreas que precisam ser comentados. Entre eles está a limitação do Wi-Fi aos padrões 802.11b e 802.11g. Além de proporcionar conexões sem fio mais rápidas e seguras, o padrão 802.11n já está presente na esmagadora maioria dos computadores móveis lançados atualmente, o que coloca o Skate em desvantagem nas comparações com outros aparelhos. Pelo menos esse vacilo não se estendeu ao resto das conexões. O Skate tem 3G, A-GPS e bluetooth 2.1. Os conectores físicos são uma P2 para fones e uma microUSB, o suficiente para um smartphone desse porte.
Pairando sobre o hardware do Skate, encontramos um Gingerbread (Android 2.3.4) sem frescuras. Mais que isso: o sistema quase não foi alterado. A decisão de não customizar o Android é uma faca de dois gumes. Por um lado, isso significa que o usuário faz do sistema o que quiser, sem ter que lidar com aplicativos e widgets pré-instalados. Por outro, o Android básico é bem... básico. Fabricantes como Sony, LG e Samsung produzem versões customizadas que trazem adições reais para a funcionalidade do sistema, adições que você não encontra no Skate. Além disso, quem está simplesmente procurando pelo Android imaculado encontra uma opção melhor no Galaxy Nexus.

Não obstante, há algumas mudanças no sistema. O aplicativo da câmera, por exemplo, exibe uma barra que controla o brilho da tela para que o usuário possa se adaptar às condições de luz ambiente. O teclado, por sua vez, apresenta algumas opções atípicas. A sugestão de palavras é ativada por um botão em formato de lápis. Ao apertarmos uma seta que normalmente circula entre as sugestões, o teclado todo muda e as teclas são substituídas por uma lista mais ampla de sugestões. Outra opção transforma o teclado em um direcional para navegação na página, ao lado do qual ficam teclas que servem para copiar e colar textos, tudo em um arranjo bem prático.

O media player do Skate é, como você deve estar imaginando a esse ponto, o media player padrão do Android. A lista de codecs suportados não é longa, mas cobre as codificações mais usadas. Conseguimos executar vídeos em MP4, H.264 e H.263. Também ouvimos música em MP3, WAV, Ogg Vorbis, MIDI e eAAC+. Filmes ficam bem no Skate, desde que o sol não se sobreponha ao brilho modesto da tela.
Se a reprodução de mídia é até razoável, a produção perde muitos pontos por conta do já mencionado recurso de filmagem. Por outro lado, a câmera de 5 MP não se sai muito mal na fotografia, mas também está longe de produzir resultados que compensem os problemas da gravação de vídeo. Contudo, essas faltas são compreensíveis. É impossível fazer milagres com um orçamento tão reduzido quanto o que deve ter limitado os engenheiros da ZTE: algum aspecto do telefone teria que passar por um corte de custos.
Outra faceta do Skate que parece ter sofrido com a escassez de recursos é a construção mecânica. O design curvado do aparelho é até bem legal, mas o material usado não inspira muita confiança. Smartphones são, via de regra, eletrônicos frágeis e o Skate não é uma das exceções. Seu porte grandalhão (12,6 x 6,7 × 1,1 cm) também pode incomodar por algum tempo, mas ele não é pesado (140 g). Já no campo da bateria, esse smartphone não impressiona: ele conseguiu segurar uma chamada telefônica por 6 horas e 29 minutos.
Duração da bateria durante chamadaBarras maiores indicam melhor desempenho
LG Optimus Me
8h19min
Motorola Spice Key
7h01min
ZTE Skate 6h29min
Samsung Galaxy Ace
6h18min
1
zte-skate-v960