Galaxy Note é o smartphone de proporções épicas

4G, configuração poderosa e tela de resolução inacreditável só começam a contar a história desse Samsung

• 15 de fevereiro de 2012
Foto: Rafael Evangelista
Avaliação
8.5 /10
1999.00 reais
Samsung Galaxy Note Samsung Galaxy Note Samsung Galaxy Note

nossa avaliação

prós Tela soberba de grandes dimensões; configuração forte; amplo suporte a formatos de vídeo e áudio; câmera de boa qualidade;
contras Tamanho exagerado para um smartphone;
conclusão O Galaxy Note é o melhor smartphone do mercado atual para consumo de conteúdo (vídeos, games, músicas, textos), mas seu tamanho exagerado limita sua utilidade como telefone;

ficha técnica

  • 4G
  • Android 2.3
  • Cortex A9 1,4 GHz dual core
  • 16 GB+ microSD
  • tela de 5,3”
  • Câmeras de 8 MP e 2 MP
  • 177g
  • 10h27min de bateria
Dono de uma configuração arrasadora, o Galaxy Note é um gadget que desperta no consumidor um sentimento bipolar. Trata-se de um híbrido de smartphone e tablet, com sistema Android 2.3, suporte a redes 4G no padrão HSPA+, processador de dois núcleos top de linha e uma maravilhosa tela de 5,3 polegadas. Navegar na web e jogar são ótimas experiências no Galaxy Note, muito melhores do que em smartphones comuns. Melhor ainda é assistir na telona a vídeos em 1080p nos formatos MPEG-4, DivX, XviD e MKV, rodando suavemente e com legendas. No teste do INFOlab, a bateria resistiu 10 horas e 27 minutos em modo de chamada, uma marca excepcional. Tocando vídeo em 720p, a autonomia foi de 7 horas e 32 minutos. O problema é que a excelência para atividades sofisticadas contrasta com o incômodo de usar o Galaxy Note como celular. Apesar do corpo fininho, não dá para sair com o aparelho no bolso da calça. Falar ao telefone com o grandalhão colado à orelha é uma cena no mínimo inusitada.

Duração da bateria durante chamada
Barras maiores indicam melhor desempenho

Samsung Galaxy Note
10h27min

Sony Xperia Arc S
9h53min

LG Optimus 3D
8h27min

Samsung Galaxy S II
7h58min



Antes de seguir em frente com a avaliação dos componentes internos desse gigante, precisamos tirar essa questão das dimensões do nosso caminho de uma vez por todas. O Galaxy Note é enorme. Usá-lo como telefone é uma experiência quase tão estranha quanto a que o primeiro N-Gage provocava, embora não seja estranha o suficiente para gerar um meme, como foi o caso do finado híbrido da Nokia.

Para além dessa impressão subjetiva, o tamanho provoca um problema prático: o polegar alcança menos da metade da área útil da tela, o que dificulta o uso do aparelho com uma única mão como qualquer celular convencional. Se a Samsung exportasse telefones para a Terra Média, ela poderia vender o Galaxy Note como um tablet no Shire ou como um smartphone em Fangorn. Mas esse produto, que é ostensivamente um smartphone, não se adapta muito bem às proporções humanas. Não falamos apenas das mãos: arrumar espaço para o Note no bolso de uma calça também é uma tarefa tão árdua que ele se torna mais um motivo para evitar o skinny jeans. O Galaxy Note é tipo de produto que tem que ser tocado antes de ser comprado, pois as fotos não dão uma dimensão real de quão grande ele é.

No entanto, as 5,3 polegadas têm suas vantagens. Tablets sempre foram excelentes reprodutores de imagem, mas nunca foram aparelhos convenientes para filmar e fotografar. Com suas dimensões menores e tela excepcional, o Galaxy Note é a um só tempo um tremendo media player e uma câmera prática.

Agora que aliviamos o peso sobre nossa consciência, podemos começar a desfilar elogios para o hardware do Galaxy Note. Se o Galaxy S II era extremamente poderoso, o Note está fora da curva. Ambos utilizam o system-on-a-chip Exynos 4210, mas os dois núcleos (Cortex A9) da CPU do Galaxy Note têm um clock superior: 1,4 GHz. Em algumas situações, o processamento gráfico desse smartphone (Mali-400 MP) pode ficar atrás do Tegra da Nvidia, mas isso não é um demérito já que ambos são muito rápidos. É mais fácil parar o Juggernaut da Marvel do que encontrar uma tarefa típica de smartphone que faça o Galaxy Note hesitar. Outra vantagem muito importante desse chip é o suporte à codificação e à decodificação de vídeos em 1080p. Ou seja, o aparelho tanto grava como reproduz filmes em Full HD. Memória também não falta: são 16 Gb de capacidade interna e 1 GB de RAM.

Quem quer que tenha lido o parágrafo acima não deve se surpreender com a pontuação absurda do Galaxy Note no benchmark de desempenho geral Quadrant. O aparelho marcou 3660 pontos, superando com larga vantagem o Galaxy S II (3148 pontos), antigo campeão dos smartphones testados pelo INFOlab. Resultados mirabolantes como esse impressionam mas também põem em questão a necessidade de um hardware tão agressivo. É verdade que a maioria dos sistemas Android estão longe de serem os mais eficientes do mercado, mas, atualmente, até mesmo um smartphone intermediário é capaz de executar a maioria das tarefas sem grandes percalços. No entanto, considerando a enorme resolução da tela do Galaxy Note, a escolha de circuitos tão agressivos é justificável.

Benchmark Quadrant (em pontos)
Barras maiores indicam melhor desempenho

Samsung Galaxy Note
3.660

Samsung Galaxy S II
3.148

LG Optimus 3D
2.650

Sony Xperia Arc S
1.645



Apesar de toda a força das entranhas desse celular, é preciso fazer algumas ressalvas quanto à conectividade. Sim, ele cobre todos os recursos essenciais de um smartphone avançado como Wi-Fi, bluetooth (3.0), slot de microSD e A-GPS. Entretanto, assim como o Galaxy S II, ele precisa de um adaptador vendido separadamente para exportar sinal de vídeo e de áudio via HDMI. É frustrante ter em mãos um reprodutor de mídia tão bom quanto esse e ser impedido de conectá-lo imediatamente a uma TV.

As redes GSM merecem uma menção à parte. Não cabe discutir neste espaço a polêmica em torno dos padrões que merecem ou não ser chamados de “4G”, especialmente porque a própria ITU (a agência da ONU que gerencia as redes mundiais de telecomunicação) aceita que as formas mais avançadas de 3G disponíveis no mercado recebam tal denominação. Para esta resenha, o fato importante é que o Galaxy Note vendido no Brasil tem suporte a HSPA+, embora o mesmo aparelho possua hardware de LTE em outros países.

Sem entrar em detalhes, podemos dizer que do ponto de vista tecnológico o LTE é uma conexão mais avançada e potencialmente mais rápida que o HSPA+, embora na prática ambas apresentem taxas de transferência similares atualmente. A questão é que o mesmo HSPA+ ainda é incipiente em solo brasileiro e, portanto, os aparelhos que prometem conexões 4G na verdade não estão muito distantes de qualquer outro celular com 3G no contexto atual. A tendência é que a HSPA+ se torne mais relevante com o passar do tempo, mas vai demorar para cobrirmos essa defasagem. Leitores que estiverem interessados em uma explicação mais detalhada das diferenças entre os padrões GSM podem começar com este artigo da 4G Americas que, apesar de desatualizado, ainda serve como uma introdução ao tema.

Mas voltemos ao smartphone! Todo computador tem uma existência dual: o hardware potencializa o software e vice-versa. No caso do Galaxy Note, a Samsung aproveitou os excelentes componentes internos para instalar uma bela customização de uma das versões mais atualizadas do Gingerbread (Android 2.3.5). Quem já brincou com um Galaxy S II vai se sentir em casa com a interface TouchWiz e todos os seus widgets característicos. Os gestos de comando do S II também estão presentes, incluindo aqueles que utilizam outros sensores, sem a interferência da tela com interface de toque (e. g. o zoom da câmera pode ser controlado pela inclinação do aparelho).



Dentre os aplicativos pré-instalados, dois são dignos de nota: o Polaris Office e o S-Memo. O primeiro é a versão completa do sempre útil editor de documentos da suíte Office. O segundo é interessante porque faz uso da uma caneta stylus que vem escondida no corpo do Galaxy Note. Trata-se, aliás, do único aplicativo que faz bom uso da tal caneta. As linhas que ele reproduz são, em geral, boas aproximações da escrita cursiva, mas é questionável se a superfície lisa da tela é uma boa plataforma para os rabiscos do dia a dia.



Todos os programas do Galaxy Note empalidecem diante dos impressionantes recursos multimídia que ele oferece. É difícil não ficar boquiaberto quando se assiste a um MKV em 1080p ou a um XviD com legendas devidamente acentuadas nesse aparelho. Suporte a formatos de vídeo e áudio é o que não falta. Inclusive, o áudio tem opção de ser equalizado como em um sistema 5.1.



Não por acaso, o Galaxy Note também excede todas as expectativas com sua filmagem em 1080p e suas fotos de 8 MP. O aplicativo da câmeras oferece uma miríade de ajustes incomuns em smartphones, como o controle do ISO (de 100 a 800) e os vários modos de cena. O resultado são fotos de qualidade geral muito boa, mas que estouram um pouco as cores em certas situações. Até a câmera frontal, que costuma ser completamente marginalizada, surpreendeu com uma resolução de 2 MP.

A seguir postamos uma foto tirada utilizando o filtro sépia e uma imagem em modo macro. A primeira é um corte em tamanho real, enquanto a segunda teve suas dimensões reduzidas.





Mas o grande clímax dessa jornada multimídia, o ponto que exalta todos os outros já mencionados é o display. Trata-se de uma tela com a resolução estarrecedora de 800 x 1280 pixels, algo que normalmente se encontraria em um notebook de alta qualidade. Como se isso não fosse suficiente, a iluminação do display é realizada por uma variante do AMOLED, que a Samsung chama de Super AMOLED. O efeito prático desses componentes é uma qualidade de imagem difícil de igualar: pródiga em detalhes, permeada por pretos profundos e cores intensas, brilhante o suficiente para se contrapor à luz do sol.

A Samsung realizou um feito impressionante ao compor esse aparelho. Com todo seu poder de processamento e suas legiões de pixels, ele ainda consegue alojar dentro de si uma bateria de longa duração. Mas o Galaxy Note é um telefone e um telefone com tela de 5,3 polegadas é um exagero até para o maior dos megalomaníacos. Apesar desse excesso da Samsung e do preço elevado, o Galaxy Note é a solução para quem não consegue se decidir entre a mobilidade dos smartphones e o potencial multimídia dos tablets.

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Comentários

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10 Impecável. O produto é perfeito. Não há nada a ser melhorado.
9,0 - 9,9 Ótimo. Qualidade excepcional. É difícil, mas não impossível, aperfeiçoar alguma coisa.
8,0 - 8,9 Muito bom. Satisfaz as necessidades do usuário e é bastante superior à média do mercado.
7,0 - 7,9 Bom. Atende bem às necessidades do usuário, embora tenha alguns pontos fracos.
6,0 - 6,9 Médio. Seus pontos fortes superam as falhas e ele atende à maioria das necessidades.
5,0 - 5,9 Regular. Pode ser uma solução satisfatória para alguns usuários.
4,0 - 4,9 Fraco. Embora possa ser útil em algumas situações, o produto tem problemas substantivos.
3,0 - 3,9 Muito Fraco, As falhas são graves, anulando os eventuais pontos fortes.
2,0 - 2,9 Ruim. Não há atrativos a destacar; só pontos fracos.
1,0 - 1,9 Bomba. O produto é tão ruim que é difícil achar utilidade para ele.
0 - 0,9 Lixo. Você não deve aceitar esse produto nem de graça.