Apesar de compacta, a DSC-WX7 é cheia de superlativos. Resolução para fotos, zoom óptico, quantidade de recursos e preço destacam essa câmera de outras compactas testadas no INFOlab. Ela é a única capaz de capturar imagens estáticas em 3D. Para conferir o resultado é preciso plugar a câmera em uma TV compatível usando a saída miniHDMI. É interessante, mas não espetacular. Legal mesmo é a facilidade para produzir fotos panorâmicas, inclusive em 3D. A qualidade geral das imagens é boa, mas a redução de ruídos é agressiva. Isso fica perceptível quando a foto é impressa em grandes formatos ou na visualização em tamanho real na tela do computador.
Dezesseis milhões e duzentos mil pixels. Essa multidão se amontoa em um quadrilátero minúsculo de 6,16 x 4,62 mm. Não estamos falando de uma cidade e sim de um sensor, mas a densidade populacional também causa problemas no mundo da fotografia digital. Assim como simplesmente dividir a Quinta Avenida em duas ruas distintas não ajudaria o trânsito de Nova Iorque, aumentar a densidade de pixels não melhora a qualidade das fotos. Na verdade, a diminuição do tamanho de cada pixel acaba prejudicando a clareza do sinal que se transformará em imagem, o que explica o uso intenso de redução de ruído pela Cyber-Shot.
Contudo ainda é cedo para bater o martelo. A Sony tem pelo menos uma artimanha útil para lidar com o problema da luz: o CMOS com arquitetura Exmor R, que, essencialmente, desobstrui o caminho da luz para a superfície fotossensível do sensor. Em outras palavras, se a Cyber-Shot fosse um olho, sua córnea ficaria atrás da retina. O efeito prático desse arranjo é a possibilidade de tirar fotos de qualidade aceitável em ambientes pouco iluminados sem ter que recorrer a um ISO mais alto.
Desse modo, a Cyber-Shot não vai te deixar na mão na hora de eternizar um belo crepúsculo, mas as imagens pioram conforme a noite avança. Mais especificamente, a granulação das imagens começa a aparecer já no ISO 200 e o nível de detalhe cai muito do ISO 400 ao ISO 3200.
O bom sensor da Cyber-Shot faz dupla com uma ótima lente da Carl Zeiss. Aliás, essa objetiva serve de reforço contra os problemas de captação de luz por conta da abertura máxima de f 2,6 (a mínima é de f 6,3). Tudo bem, ela não é uma das lentes mais claras do mundo, mas qualquer nesga de luz natural extra que penetrar na câmera é muito bem vinda.
A Cyber-Shot enxerga muito com sua objetiva de distância focal que varia entre 25 e 125 mm. Além de se traduzir em um zoom óptico de 5x, esse número garante um campo de visão relativamente amplo na faixa da grande angular. Todas esses especificações não valeriam nada se no final as fotos apresentassem imperfeições, o que felizmente não é o caso. Procurando bem, é possível discernir um pouco de distorção geométrica nas distâncias focais mais curtas e aberração cromática nas zonas de maior contraste das imagens. Mas, procurando bem, todo mundo tem pereba, como diz uma canção de Chico Buarque.
Observar as fotos da Cyber-Shot é um pouco decepcionante porque o hardware dessa câmera cria grandes expectativas. Em condições ideais, quando o Sol resolve cooperar, as imagens são muito boas. Mas basta precisar aumentar a sensibilidade do sensor e tudo desanda. Afinal, ser capaz de tirar boas fotos quando todas as circunstâncias conspiram a seu favor não é um feito impressionante. É uma pena: essa câmera poderia ter sido ainda melhor não fosse pela importância comercial do número que vêm à esquerda do “MP”.
Isso pode soar estranho em uma resenha de uma máquina compacta, mas o recurso de filmagem é um dos pontos altos da Cyber-Shot. A câmera filma em uma resolução de até 1080i, o que, por si só, já é um grande diferencial. Claro, ela sofre com os mesmos problemas de definição das fotos e a interpolação às vezes provoca distorções nas cenas mais movimentadas, mas nada disso a impede de estar entre as melhores compactas no quesito filmagem.
Fotos e vídeos podem ser salvos nos 19 MB de memória interna, mas o principal meio de armazenamento se dá através de um slot para cartão bem cosmopolita. Ele é compatível com SD, SDHC, SDXC e Memory Stick (nas versões Duo, PRO Duo, PRO Duo HS e PRO-HG Duo).
Sim, essa máquina é capaz de tirar fotos e até de fazer panorâmicas em 3D. O resultado não é tão bom quanto o de uma câmera estereoscópica, mas quebra o galho para os donos de TVs 3D que sofrem de inanição por falta de conteúdo.
O modo 3D é sem dúvida o mais excepcional dos recursos extras da Cyber-Shot, mas está longe de ser o único. Há, por exemplo, uma opção que tira duas fotos, uma focada e outra desfocada, combinando-as em seguida para criar um efeito de profundidade de campo sem exigir que o fotógrafo mude a abertura. O detector de faces também destoa do usual por deixar o próprio fotógrafo selecionar que rosto deve ser acompanhado. Todos esses modos de foto são facilmente acessados por uma interface extremamente simples, talvez até simples demais. Como a maioria das câmeras dessa categoria, a Cyber-Shot não foi projetada para quem gosta de ajustes finos.
460 KPixels dão vida às fotos, vídeos e menus no display de 2,8 polegadas da Cyber-Shot. De fato, essa telinha tem uma qualidade bem acima da média das compactas. Tão acima, na verdade, que transferir suas fotos para outras telas pode ser frustrante para um ego inflado de fotógrafo amador.
Mesmo para os padrões de uma compacta, a Cyber-Shot é pequena (9 x 5,4 x 1,8 cm) e leve (120 g). A empunhadura é razoável, apesar das dimensões. O estabilizador óptico também cumpre bem sua função e compensa a leveza da câmera.
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