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O Kindle será o seu último livro?

Testamos a versão brasileira do leitor da Amazon, que baixa conteúdo por 3G


Marco Aurélio Zanni e Maurício Moraes, da INFO 13 de novembro de 2009
Marcelo Kura

Kindle International
  • Amazon
  • Prós: Tem conexão 3G para baixar livros paga pela Amazon e a tela parece papel de verdade
  • Contras: Existe pouco conteúdo em português, não dá para expandir a memória e a tela não é colorida, nem touchscreen
  • Conclusão: É um leitor de e-books fácil de usar, com amplo acervo em inglês disponível na Amazon, mas ainda tem muitas limitações de hardware
  • Avaliação técnica: 7,5
  • Preço: 958 reais
Ficha técnica
  • Tela E Ink de 6" > 2 GB > 3G (chip incluso) > Dois alto-falantes traseiros > Entradas P2 e microUSB > Cabo USB e fonte > 293 g
Ele chegou com pinta de que vai esvaziar a sua estante. Mas o Kindle International, disponível para brasileiros comprarem desde o mês passado, está maduro o suficiente para aposentar seus livros? Testamos o aparelho com tela de 6 polegadas e adoramos a ideia de baixar conteúdo por uma conexão 3G paga pela Amazon. A experiência de leitura também é fantástica, pois a tela parece mesmo com papel. Mas o aparelho tem sérias limitações: faltam cores, touchscreen e conteúdo em português, por exemplo. Ah, e o preço é uma pequena fortuna: 958 reais.

Esse negócio de 3G grátis funciona assim: está liberada a navegação pela Wikipedia americana e pela loja online da Amazon. Você paga apenas os livros e periódicos que quiser baixar, por meio de créditos comprados na livraria com seu cartão. A conexão é feita por qualquer frequência de rede celular no Brasil com o mesmo padrão da operadora AT&T, dos Estados Unidos. Não é preciso configurar nada para isso. Em nossos testes, tudo funcionou muito bem, mas o ideal seria que o produto tivesse também Wi-Fi e um browser, liberando o acesso a outros sites, sem prejuízo à fabricante.

Só de mexer poucos minutos com o Kindle, você já percebe que ele não é um fenômeno pelas qualidades de seu hardware. Além dos problemas já mencionados, o aparelho também não tem a velocidade ideal para manipular os 1.500 livros que cabem em seus 2 GB de memória. Mas nossa maior reclamação vai mesmo para o desinteresse da fabricante em relação ao conteúdo em português. Existem apenas 17 livros e mais o jornal O Globo disponíveis para download em nosso idioma. Atualmente, a prioridade da Amazon é aumentar o acervo de 350 mil obras em inglês.


Parece com papel mesmo
Não pode emprestar livro
Bonitinho, mas lento


Comentários
  • Olá? Aguém já ouvi falar de uma limitação de conteúdo no kindle? E isso acontece ainda com o kindle internacional? Obrigado!
    enviado por: Jeferson Fonseca De Mello Junior em 06/01/2010 - 13:02
  • para quem estava procurando, já está disponível a KINDLE STORE brasileira com livros em português www.kindlestore.com.br
    enviado por: EVANDRO PEREIRA em 29/12/2009 - 12:12
  • Tenho o Kindle 2 e não posso me queixar da qualidade para o fim que se presta. Quem compra um ebook reader não deve esperar um netbook (também disponível pelo mesmo preço). A idéia do Kindle é facilitar o acesso ao material de leitura, principalmente para quem precisa carregar muitos textos para pesquisa, estudo e comparação. Não acho realmente prático para ler jornais e periódicos por causa do tamanho da tela. Com a atualização da firmware 2.3, esse papo de só ler livros da amazon é coisa do passado e da versão anterior do gadget. Eu coleto o material que pretendo portar para leitura, jogo no Word (formatado para página tamanho A5, borda estreita e fonte Arial 12), salvo em PDF e pronto. O livro está em um formato confortável para leitura extensa, inclusive com imagens. O e-ink é realmente fantástico para leitura, e a ausência de retro-iluminação eu entendo como uma vantagem para esse dispositivo, pois proporciona conforto na hora da leitura e, se a função esperada é substituir o livro, ainda não conheci nenhum livro tradicional com luz própria. A função de text-to-speak é carregada de sotaque americano, inviabilizando o recurso para textos em português. O player embutido tem funções básicas de avanço e recuo de faixas, mas o speaker tem qualidade e é muito bom para audiolivros. Enfim, o Kindle é um gadget longe de ser popular no momento, mas terá sua evolução natural e sua popularização com o tempo. Vale comprar!
    enviado por: Cesar Scavone em 29/11/2009 - 16:10
  • Se ele tivesse um editor de textos seria um gadget incrível!
    enviado por: Victor Vidyadhara Teles Rodrigues em 18/11/2009 - 10:11
  • Esse Kindle é o começo de uma looooonga história. Ainda vai rolar muita cabeçada até que se chegue a um aparelho próximo do satisfatório. É caro, cheio de limitações e possui uma tecnologia já defasada em comparação com o que temos hoje disponível. Daqui uns dois anos talvez eu penso em adquirir algo tipo o Kindle, pois aí sim a concorrência terá surtido efeito e a demanda por qualidade, praticidade e convergência terá feito o preço baixar. Por enquanto, um gadget muito do feio e bem pouco prático...
    enviado por: fabio martins coelho em 17/11/2009 - 16:27
  • é assim tudo no começo, dentro de um ou dois anos esse Kindle será sensível ao toque, exibirá 260.000 cores e terá velocidade instantânea, é a Seleção Natural do mercado agindo...
    enviado por: Gustavo Silva em 14/11/2009 - 20:48
  • Pelo o que lí esse aparelho tem mais coisas negativas do que positivas. Um dia eu quis comprar um, mas hoje após ler essa matéria acredito que ele tem tantas limitações tando de uso como de hardware que não compensaria comprar um produto inflexivel. Irei aguardar por um produto que aceite cartões de memória, com tela colorida, com velocidade pelo menos 10 vezes mais rápida, compativel com doc,pdf, txt, jpg, bmp, etc, que seja livre para troca de arquivos com qualquer outro usuário e que aceite wifi, entre outras coisas.
    enviado por: linconl shinoske em 14/11/2009 - 18:29
  • O principal motivo da lentidao e' o tempo de resposta da tela e-ink, mas o que na pratica nao atrapalha em nada pra finalidade que ele e' feito: ler livros e nao ser um tablet-PC, por exemplo. Agora o fato de ser fechado no formato da Amazon e' o maior problema do Kindle. Apesar da Amazon na pratica ter os precos mais baixos, isso acaba limitando as opcoes do usuario. Eu possuou um Sony Reader que nao tem 3G e aceita ePub, mas existem atualmente dezenas de outros E-book Readers com bons precos e funcionalidade semelhante. Com relacao aos PDFs, nenhum consegue fazer uma conversao descente se o documento tiver muita formatacao, como uma pagina impressa da Info, por exemplo. Neste caso, os readers com tela de 10 polegadas se dao melhor.
    enviado por: Paulo Garcia em 13/11/2009 - 19:48
  • O problema desse Kindle é tão óbvio, mas tão óbvio que, de tão óbvio ninguêm fala mais... Ele só lê livros da Amazon. Isso é inadimissível!, um livro digital só pode fazer sucesso se voce puder comprar conteudo pra ele em reais e em qualquer livraria, e isso com direito a concorrência de preços. O próprio Kindle (aparelho, não software) também deveria ter um concorrente.
    enviado por: Paulo Munir em 13/11/2009 - 18:52
  • Andre, como diz o texto, a bateria durou dois dias em funcionamento ininterrupto, ou seja, sem que eu desligasse o aparelho. Consideramos uma boa autonomia. Como você lê somente à noite, obviamente ela dura mais. Quanto ao fato de a tela não ter iluminação, você está correto e foi o que eu quis dizer. De qualquer forma, fiz uma alteração para tornar o texto mais claro. Um abraço.
    enviado por: Marco Aurélio Zanni em 13/11/2009 - 15:51
  • parece interessante, mas nessas condições de preço não é muito atraente...
    enviado por: Charles J Ferrari em 13/11/2009 - 15:42
  • O artigo está bem falho. A tela do Kindle não possui iluminação alguma, pois não é LCD. Além disso, a conversão de PDFs é rápida e fácil. Quanto à velocidade, de fato ele é lento, mas isso não se aplica à função que ele se destina, que é baixar os livros, ler e marcar as páginas, e acessar o dicionário. Seria interessante se ele fosse um navegador, mas como e-Book ele é a melhor oferta do mercado, e realmente substitui o papel com vantagem. Sobre autonomia: eu carrego o meu a cada 5 ou 7 dias, e isso que leio todas as noites, e mantenho a função wireless ligada. Se eu a desligasse, duraria mais. Acho que algo está errado na unidade testada.
    enviado por: Andre Joao Rypl em 13/11/2009 - 15:40

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O Kindle será o seu último livro?

Marco Aurélio Zanni e Maurício Moraes, da INFO

13 de novembro de 2009


Ele chegou com pinta de que vai esvaziar a sua estante. Mas o Kindle International, disponível para brasileiros comprarem desde o mês passado, está maduro o suficiente para aposentar seus livros? Testamos o aparelho com tela de 6 polegadas e adoramos a ideia de baixar conteúdo por uma conexão 3G paga pela Amazon. A experiência de leitura também é fantástica, pois a tela parece mesmo com papel. Mas o aparelho tem sérias limitações: faltam cores, touchscreen e conteúdo em português, por exemplo. Ah, e o preço é uma pequena fortuna: 958 reais.

Esse negócio de 3G grátis funciona assim: está liberada a navegação pela Wikipedia americana e pela loja online da Amazon. Você paga apenas os livros e periódicos que quiser baixar, por meio de créditos comprados na livraria com seu cartão. A conexão é feita por qualquer frequência de rede celular no Brasil com o mesmo padrão da operadora AT&T, dos Estados Unidos. Não é preciso configurar nada para isso. Em nossos testes, tudo funcionou muito bem, mas o ideal seria que o produto tivesse também Wi-Fi e um browser, liberando o acesso a outros sites, sem prejuízo à fabricante.

Só de mexer poucos minutos com o Kindle, você já percebe que ele não é um fenômeno pelas qualidades de seu hardware. Além dos problemas já mencionados, o aparelho também não tem a velocidade ideal para manipular os 1.500 livros que cabem em seus 2 GB de memória. Mas nossa maior reclamação vai mesmo para o desinteresse da fabricante em relação ao conteúdo em português. Existem apenas 17 livros e mais o jornal O Globo disponíveis para download em nosso idioma. Atualmente, a prioridade da Amazon é aumentar o acervo de 350 mil obras em inglês.

Parece com papel mesmo
Não pode emprestar livro
Bonitinho, mas lento

|quebra|

Parece com papel mesmo

A tela do Kindle não é como aquelas usadas em notebooks e smartphones. Com resolução de 600 por 800 pixels, ela é feita de um material que chamamos de papel eletrônico – ele é fosco, tem bom nível de contraste e não cansa os olhos. O display não possui uma fonte de iluminação. Ou seja, você precisa acender a luz do quarto para ler à noite, como faria com um livro comum. A escala de cinza, com 16 níveis para exibir as imagens, é bastante agradável.

A página inicial mostra todo o conteúdo gravado no leitor. Botões nas duas laterais permitem avançar e retroceder páginas. A transição entre uma e outra dura um segundo, tempo que sobe para três segundos se houver imagem. Na parte inferior da tela, uma barra mostra o percentual lido. Curiosidade: como a tela é pequena, um livro comum acaba ficando com 2 ou 3 mil páginas digitais. Ou seja, você passa dez páginas e parece que a leitura não está rendendo, pois demora a mudar a porcentagem.

O botão Home te leva à página de entrada do Kindle. A tela mostra todo o conteúdo gravado no dispositivo. Itens mais novos ou abertos recentemente ficam sempre no topo. O botão Menu leva à loja da Amazon e a menus de contexto, que mudam se você estiver fazendo compras, lendo ou navegando na página inicial. Os controles direcionais permitem mover o cursor, fazer seleções e clicar na opção desejada.

O teclado QWERTY completo serve para incluir anotações no texto ou fazer pesquisas no conteúdo do Kindle, na Amazon e na Wikipedia. Só que não é muito confortável para digitar e está no padrão americano, sem acentos ou cedilha. Apertando o botão Aa, localizado ao lado da barra de espaço, é possível formatar o texto. Há seis tamanhos de letras possíveis, e também dá para escolher quantas palavras ficarão em cada linha.

Parece com papel mesmo
Não pode emprestar livro
Bonitinho, mas lento

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Não pode emprestar livro

Outra limitação do Kindle é a incompatibilidade com arquivos em PDF. Ele abre somente os formatos AZW, TXT e MOBI transferidos diretamente pelo PC. Dos arquivos de música, ele toca MP3 e Audible (muitos livros em áudio vêm comprimidos assim). É possível compartilhar os arquivos entre dois leitores, por meio do aplicativo Whispersync, mas eles precisam estar registrados no mesmo nome – ou seja, isso é útil somente no caso de uma família possuir dois ou mais exemplares do leitor.

Existem versões do Whispersync para iPhone e computadores com Windows, mas há dois detalhes: ambos só funcionam para contas cadastradas com endereço nos Estados Unidos e não dá para acessar o mesmo livro em dois aparelhos, simultaneamente. Outra função presente no aparelho é a text-to-speech. Ativando o recurso, um locutor com voz masculina ou feminina lê o texto para você, mas somente em inglês.

Se você fizer questão de abrir outros formatos no Kindle, existe um jeito de converter arquivos PDF, HTML, DOC, JPEG, PNG e BMP para o formato da Amazon, mas o processo é tortuoso. É necessário entrar num gerenciador disponível no site da empresa, cadastrar seu e-mail e, pelo endereço informado, enviar os arquivos a serem convertidos para um e-mail fornecido pela Amazon. O serviço custa 10 centavos de dólar por documento. Porém, em nossos testes, o procedimento não funcionou nem com reza brava.

Parece com papel mesmo
Não pode emprestar livro
Bonitinho, mas lento

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Bonitinho, mas lento

É difícil ver o Kindle e não se lembrar dos primórdios do iPod. Ele é pequeno, leve e tem design moderno. Mesmo com apenas 0,9 centímetro de espessura (a mesma de uma caneta), sua construção é resistente, com ótimo acabamento de plástico na frente e traseira que lembra aço escovado. Os botões também não passam a impressão de fragilidade e são bem posicionados, sempre ao alcance das mãos.

Quando você desliza um botão na área superior esquerda para deixar o Kindle em modo de espera, aparecem imagens de descanso, como fotos de escritores famosos. Pode ser uma boa para andar pelos corredores da faculdade com Virginia Woolf ou Oscar Wylde embaixo do braço, dando uma pinta de intelectual. O leitor demora um pouco para sair dessa tela, da mesma forma que é lento na resposta aos demais comandos.

Existem outras duas limitações importantes de hardware. Caso você seja um leitor realmente voraz, não dá para expandir os 2 GB de memória interna. Isso é um grande problema para quem carrega muitos livros em áudio. Também não dá para trocar a bateria com suas próprias mãos, a exemplo do que acontece em vários produtos da Apple. Em nossos testes, durou dois dias em funcionamento ininterrupto. Ela é recarregável pela porta microUSB, mas uma hora estraga. E, quando for necessário trocá-la, resta ao usuário mandar o produto para a Amazon e pagar 60 dólares para colocar uma nova.

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