O Kindle será o seu último livro?Testamos a versão brasileira do leitor da Amazon, que baixa conteúdo por 3G
Marco Aurélio Zanni e Maurício Moraes, da INFO 13 de novembro de 2009
Marcelo Kura
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Kindle International
Esse negócio de 3G grátis funciona assim: está liberada a navegação pela Wikipedia americana e pela loja online da Amazon. Você paga apenas os livros e periódicos que quiser baixar, por meio de créditos comprados na livraria com seu cartão. A conexão é feita por qualquer frequência de rede celular no Brasil com o mesmo padrão da operadora AT&T, dos Estados Unidos. Não é preciso configurar nada para isso. Em nossos testes, tudo funcionou muito bem, mas o ideal seria que o produto tivesse também Wi-Fi e um browser, liberando o acesso a outros sites, sem prejuízo à fabricante. Só de mexer poucos minutos com o Kindle, você já percebe que ele não é um fenômeno pelas qualidades de seu hardware. Além dos problemas já mencionados, o aparelho também não tem a velocidade ideal para manipular os 1.500 livros que cabem em seus 2 GB de memória. Mas nossa maior reclamação vai mesmo para o desinteresse da fabricante em relação ao conteúdo em português. Existem apenas 17 livros e mais o jornal O Globo disponíveis para download em nosso idioma. Atualmente, a prioridade da Amazon é aumentar o acervo de 350 mil obras em inglês.
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Ele chegou com pinta de que vai esvaziar a sua estante. Mas o Kindle International, disponível para brasileiros comprarem desde o mês passado, está maduro o suficiente para aposentar seus livros? Testamos o aparelho com tela de 6 polegadas e adoramos a ideia de baixar conteúdo por uma conexão 3G paga pela Amazon. A experiência de leitura também é fantástica, pois a tela parece mesmo com papel. Mas o aparelho tem sérias limitações: faltam cores, touchscreen e conteúdo em português, por exemplo. Ah, e o preço é uma pequena fortuna: 958 reais.
Esse negócio de 3G grátis funciona assim: está liberada a navegação pela Wikipedia americana e pela loja online da Amazon. Você paga apenas os livros e periódicos que quiser baixar, por meio de créditos comprados na livraria com seu cartão. A conexão é feita por qualquer frequência de rede celular no Brasil com o mesmo padrão da operadora AT&T, dos Estados Unidos. Não é preciso configurar nada para isso. Em nossos testes, tudo funcionou muito bem, mas o ideal seria que o produto tivesse também Wi-Fi e um browser, liberando o acesso a outros sites, sem prejuízo à fabricante.
Só de mexer poucos minutos com o Kindle, você já percebe que ele não é um fenômeno pelas qualidades de seu hardware. Além dos problemas já mencionados, o aparelho também não tem a velocidade ideal para manipular os 1.500 livros que cabem em seus 2 GB de memória. Mas nossa maior reclamação vai mesmo para o desinteresse da fabricante em relação ao conteúdo em português. Existem apenas 17 livros e mais o jornal O Globo disponíveis para download em nosso idioma. Atualmente, a prioridade da Amazon é aumentar o acervo de 350 mil obras em inglês.
| Parece com papel mesmo |
| Não pode emprestar livro |
| Bonitinho, mas lento |
|quebra|
A tela do Kindle não é como aquelas usadas em notebooks e smartphones. Com resolução de 600 por 800 pixels, ela é feita de um material que chamamos de papel eletrônico – ele é fosco, tem bom nível de contraste e não cansa os olhos. O display não possui uma fonte de iluminação. Ou seja, você precisa acender a luz do quarto para ler à noite, como faria com um livro comum. A escala de cinza, com 16 níveis para exibir as imagens, é bastante agradável.
A página inicial mostra todo o conteúdo gravado no leitor. Botões nas duas laterais permitem avançar e retroceder páginas. A transição entre uma e outra dura um segundo, tempo que sobe para três segundos se houver imagem. Na parte inferior da tela, uma barra mostra o percentual lido. Curiosidade: como a tela é pequena, um livro comum acaba ficando com 2 ou 3 mil páginas digitais. Ou seja, você passa dez páginas e parece que a leitura não está rendendo, pois demora a mudar a porcentagem.
O botão Home te leva à página de entrada do Kindle. A tela mostra todo o conteúdo gravado no dispositivo. Itens mais novos ou abertos recentemente ficam sempre no topo. O botão Menu leva à loja da Amazon e a menus de contexto, que mudam se você estiver fazendo compras, lendo ou navegando na página inicial. Os controles direcionais permitem mover o cursor, fazer seleções e clicar na opção desejada.
O teclado QWERTY completo serve para incluir anotações no texto ou fazer pesquisas no conteúdo do Kindle, na Amazon e na Wikipedia. Só que não é muito confortável para digitar e está no padrão americano, sem acentos ou cedilha. Apertando o botão Aa, localizado ao lado da barra de espaço, é possível formatar o texto. Há seis tamanhos de letras possíveis, e também dá para escolher quantas palavras ficarão em cada linha.
| Parece com papel mesmo |
| Não pode emprestar livro |
| Bonitinho, mas lento |
|quebra|
Outra limitação do Kindle é a incompatibilidade com arquivos em PDF. Ele abre somente os formatos AZW, TXT e MOBI transferidos diretamente pelo PC. Dos arquivos de música, ele toca MP3 e Audible (muitos livros em áudio vêm comprimidos assim). É possível compartilhar os arquivos entre dois leitores, por meio do aplicativo Whispersync, mas eles precisam estar registrados no mesmo nome – ou seja, isso é útil somente no caso de uma família possuir dois ou mais exemplares do leitor.
Existem versões do Whispersync para iPhone e computadores com Windows, mas há dois detalhes: ambos só funcionam para contas cadastradas com endereço nos Estados Unidos e não dá para acessar o mesmo livro em dois aparelhos, simultaneamente. Outra função presente no aparelho é a text-to-speech. Ativando o recurso, um locutor com voz masculina ou feminina lê o texto para você, mas somente em inglês.
Se você fizer questão de abrir outros formatos no Kindle, existe um jeito de converter arquivos PDF, HTML, DOC, JPEG, PNG e BMP para o formato da Amazon, mas o processo é tortuoso. É necessário entrar num gerenciador disponível no site da empresa, cadastrar seu e-mail e, pelo endereço informado, enviar os arquivos a serem convertidos para um e-mail fornecido pela Amazon. O serviço custa 10 centavos de dólar por documento. Porém, em nossos testes, o procedimento não funcionou nem com reza brava.
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| Bonitinho, mas lento |
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É difícil ver o Kindle e não se lembrar dos primórdios do iPod. Ele é pequeno, leve e tem design moderno. Mesmo com apenas 0,9 centímetro de espessura (a mesma de uma caneta), sua construção é resistente, com ótimo acabamento de plástico na frente e traseira que lembra aço escovado. Os botões também não passam a impressão de fragilidade e são bem posicionados, sempre ao alcance das mãos.
Quando você desliza um botão na área superior esquerda para deixar o Kindle em modo de espera, aparecem imagens de descanso, como fotos de escritores famosos. Pode ser uma boa para andar pelos corredores da faculdade com Virginia Woolf ou Oscar Wylde embaixo do braço, dando uma pinta de intelectual. O leitor demora um pouco para sair dessa tela, da mesma forma que é lento na resposta aos demais comandos.
Existem outras duas limitações importantes de hardware. Caso você seja um leitor realmente voraz, não dá para expandir os 2 GB de memória interna. Isso é um grande problema para quem carrega muitos livros em áudio. Também não dá para trocar a bateria com suas próprias mãos, a exemplo do que acontece em vários produtos da Apple. Em nossos testes, durou dois dias em funcionamento ininterrupto. Ela é recarregável pela porta microUSB, mas uma hora estraga. E, quando for necessário trocá-la, resta ao usuário mandar o produto para a Amazon e pagar 60 dólares para colocar uma nova.
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