O Banrisul trai o pinguim

Françoise Terzian - da INFO 25 de setembro de 2008
O Banrisul trai o pinguim
Linux ou Windows? O CIO Ney Michelucci Rodrigues, do Banrisul, fica com os dois

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Windows nas estações de trabalho, Linux na maioria dos servidores. Durante a atualização do parque de máquinas do Banrisul, o Banco do Estado do Rio Grande do Sul, o lugar de cada sistema operacional foi delimitado sem radicalismos, sob o comando do gaúcho Ney Michelucci Rodrigues, de 52 anos, diretor de TI do banco estatal. Com uma equipe de 600 profissionais na área de tecnologia, Rodrigues administra um orçamento de 125 milhões de reais por ano e mantém no ar uma rede de 401 agências e 290 postos de atendimento, além das contas de 2,89 milhões de clientes. Para muita gente, ver o Windows ganhando espaço no Banrisul pode soar estranho — o banco ficou conhecido como um fervoroso evangelista de Linux. A decisão causou polêmica na ala mais radical dos adeptos do software livre. Na entrevista a seguir, Rodrigues explica os motivos da opção pelo Windows XP nos 10 mil desktops da instituição.

INFO - Por que o Banrisul, que sempre levantou a bandeira do Linux, resolveu voltar para o Windows?

Rodrigues - A decisão de uso do Windows envolve apenas as estações de trabalho. Isso aconteceu por conta da atualização do nosso parque de máquinas, em agosto do ano passado. Tínhamos um ambiente complexo, que incluía mais de cinco fabricantes de equipamentos e três plataformas operacionais: Windows 95, Windows 98 e Conectiva. Das 7300 máquinas de 401 agências e 290 postos de atendimento, cerca de 35% usavam Linux. É difícil manter e atualizar um ambiente tão diversificado como esse. Agora, os 10 mil desktops do Banrisul estão em processo final de adoção do Windows XP. Até o momento, 95% já migraram para o XP.
Comentários
  • Revoltante... dizer que é caro manter estações Linux? é absurdo. O custo para manter uma estação e atualiza-la é 0, pois por linha de comando se atualiza um sistema sem ao menos levantar da cadeira, sem contar que não se tem custos com formatação, perde de dados por vírus e segurança que impossibilitará o usuário de instalar softwares proprietários pois para isso tem que ter a senha root. Fala a verdade Rodrigues, quantos R$ tirasse nessa troca? governo brasileiro nunca muda e sempre com desculpas que não fazem sentido...
    enviado por: Glauco Perucchi em 19/11/2009 - 14:19
  • Tenho 35 anos na aréa de TI e experiência suficiente para deduzir que nesse governo tudo cheira a arranjos e destribuição de benefícios, senão, porque mudar o que esta funcionando e evolui no ritmo da tecnologia mudial, para um software que anualmente muda de versão e seu direito de uso é absurdo. ha! não esqueçam que o windows XP esta obsoleto.
    enviado por: Rene Luiz Hirschmann em 07/11/2008 - 00:00
  • É engraçado como o pessoal do Linux se acha. Querem ganhar no grito. Está mais que provado, a maioria massacrante dos usuários que recebem computadores com Linux, arranja logo um jeito de tirar o sistema e colocar outro que tenha tudo que precisam. Antes não tinham apoio dos fabricantes, agora que têm, não têm ferramentas no nível que as empresas e pessoas esperam. Não sou puxa-saco da Micro$oft, mas não dá pra comparar a excelente experiência que os usuários têm no Windows, por mais que trave ou no MacOS, por mais que seja caro, com a que eles têm no Linux, por mais que seja estável e gratuito. A minha última esperança para Linux é o Ubuntu, mas tem muito linuxista que ao invés de apoiar a única iniciativa séria em experiência para o usuário, prefere torcer o nariz e criticar por ser fácil demais. Quer dificuldade? Então, chupa parafuso até virar prego. Cada dia que passa vejo o Linux com mais descrença. Linux, quem recebe, desistala.
    enviado por: Rodrigo Melo em 06/11/2008 - 00:00
  • Por isso essa revista se tornou descartável para mim... Ela é uma revista que se vende e é vendida... E pior que isso, não tem mais nem fonte atual sobre alguma case contra Software Livre... O mundo SL esta revoltado e garanto que mais ainda, e logo vou ter o prazer de ler em outra revista ou editora a queda dessa revista e editora que se vende. "Publicado originalmente na revista INFO de julho de 2006"
    enviado por: Valessio S Brito em 21/10/2008 - 00:00
  • Esse é mais um dos casos estranhos que Licença de sistema de alto custo e fechado + Suporte é mais barato do que Sistema de baixíssimo custo e aberto + Suporte. A lógica diz q 2 é maior do que 1, mas sei lá, cada caso é um caso. Espero realmente que o Banrisul não faça parte da gigante lista de planejamento a longo prazo mal feito.
    enviado por: Guilherme Macedo em 17/10/2008 - 00:00
  • Mentiras, mentiras, mentiras,... É tanta mentira que torna-se impossível comentar. Estavam fazendo estudo de TCO cinco anos antes ? Como ? Se nem estavam no Governo. Cinco anos de estudo ? Por favor, fizeram uma compra de máquinas Dell com Windows na época, processo que demorou vinte dias. A AMD na época entrou com processo porque foi alijada da disputa, visto que só faltou escrever o nome do sistema, integrador (DELL) CPU (intel), etc, no edital. No final do mesmo ano os funcionários de TI do Banrisul ganharam gratificação. Não acredite em NADA desta reportagem. E não acredite no que eu escrevo também. Faça uma pesquisa rápida na internet e a história aparecerá como foi: Microsoft molhando a mão de políticos corruptos para tirar o maior case mundial do software livre. Não se preocupem: o PMDB já tirou o Linux dos telecentros e escolas municipais de Porto Alegre. Jornalistas da INFO: antes de publicar, vocês verificaram as informações ? Pra terminar, o argumento do TCO é ridículo: Já pagávamos para a Microsoft de qq modo, então compramos mais para continuar pagando o mesmo. Por favor, que lógica pífia: retira-se todo o Microsoft que é só uma casca pra rodar os software bancários que rodavam em Linux na época e pronto. E sem suporte: afinal de contas, o suporte de TI do banco deveria ser capaz de manter Desktops funcionando, ou não ?
    enviado por: Henrique Marks em 17/10/2008 - 00:00

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O Banrisul trai o pinguim

Françoise Terzian - da INFO

25 de setembro de 2008


Windows nas estações de trabalho, Linux na maioria dos servidores. Durante a atualização do parque de máquinas do Banrisul, o Banco do Estado do Rio Grande do Sul, o lugar de cada sistema operacional foi delimitado sem radicalismos, sob o comando do gaúcho Ney Michelucci Rodrigues, de 52 anos, diretor de TI do banco estatal. Com uma equipe de 600 profissionais na área de tecnologia, Rodrigues administra um orçamento de 125 milhões de reais por ano e mantém no ar uma rede de 401 agências e 290 postos de atendimento, além das contas de 2,89 milhões de clientes. Para muita gente, ver o Windows ganhando espaço no Banrisul pode soar estranho — o banco ficou conhecido como um fervoroso evangelista de Linux. A decisão causou polêmica na ala mais radical dos adeptos do software livre. Na entrevista a seguir, Rodrigues explica os motivos da opção pelo Windows XP nos 10 mil desktops da instituição.

INFO - Por que o Banrisul, que sempre levantou a bandeira do Linux, resolveu voltar para o Windows?

Rodrigues - A decisão de uso do Windows envolve apenas as estações de trabalho. Isso aconteceu por conta da atualização do nosso parque de máquinas, em agosto do ano passado. Tínhamos um ambiente complexo, que incluía mais de cinco fabricantes de equipamentos e três plataformas operacionais: Windows 95, Windows 98 e Conectiva. Das 7300 máquinas de 401 agências e 290 postos de atendimento, cerca de 35% usavam Linux. É difícil manter e atualizar um ambiente tão diversificado como esse. Agora, os 10 mil desktops do Banrisul estão em processo final de adoção do Windows XP. Até o momento, 95% já migraram para o XP.
|quebra|
O que levou o banco a se decidir pelo Windows em vez do pingüim nos desktops?

Manter a plataforma Linux nos desktops nos daria um custo adicional. Tiramos o Linux das estações de trabalho, mas o Banrisul continua trabalhando com esse sistema nos servidores de negócios no prédio central, nos servidores das agências e nos 2300 ATMs.

Em que, exatamente, o uso do Linux sairia mais caro?

O banco precisa estar sempre atualizado nas versões que rodam nas máquinas, e o que tínhamos aqui era um Conectiva desatualizado. Sairia mais caro porque eu já tenho uma série de situações com contratos da Microsoft, como suporte de alto nível. Agregar mais 7 mil posições não altera em nada esses contratos, enquanto nos manter em Linux me obrigaria a contratar um integrador. Com o Linux, o custo sairia entre 10% e 15% mais alto.

O banco continuará usando Linux?

Não estamos nos afastando do Linux. A preferência parte do momento e de uma análise exclusivamente financeira, econômica e comercial. Não olho em função do passado, mas sim do futuro. Um exemplo de continuidade de adoção do software livre é o mainframe, que ganhará uma partição em Linux.

Todos os servidores do banco rodam o pingüim?

Nem todos. Há também os que rodam Windows. Tudo depende da aplicação. Nas agências, quase 100% dos mais de 400 servidores são Linux. Já na administração central, 50% dos 250 servidores usam Linux. Estamos fazendo um estudo de atualizações. Devemos trocar a distribuição Conectiva pela Red Hat.
|quebra|
Por que vocês decidiram mudar para o Red Hat em vez de continuar na linha Mandriva Conectiva?

Primeiro, porque o Red Hat já está consolidado. Das quase 300 distribuições Linux existentes, a Red Hat é uma das primeiras para os quais os grandes fabricantes de hardware e software disponibilizam seus drivers e certificam seu software. A Red Hat é uma das poucas distribuições homologadas para Oracle, um banco de dados largamente utilizado no banco. Além disso, existe similaridade com o Conectiva Linux usado atualmente, o que permite a manutenção da equipe técnica sem muitos treinamentos adicionais. Finalmente, a facilidade para encontrar suporte técnico e treinamento qualificado para Red Hat também é um fator que foi considerado.

Que outros tipos de software livre o Banrisul usa?

Nas estações de trabalho de agências, usamos o pacote OpenOffice. Nos sistemas operacionais também temos o FreeBSD e o Suse, no mainframe. Usamos vários outros tipo de software livre, sem custos de licença. Eles entram em 1750 ATMs, 150 dispensadoras de cheques, 650 terminais de extratos e pagamentos de contas, 450 servidores de agências e 70 servidores de firewall, proxy, autenticação e em diversas outras aplicações.

Qual foi a repercussão com a comunidade linuxista nessa decisão de adotar Windows nos desktops?

Foi negativa. Infelizmente, algumas correntes pró-software livre divulgaram de forma equivocada ou até intencional que o banco estaria abandonando o software livre. Ocorre que a padronização do sistema operacional aconteceu em estações de trabalho apenas. Foi uma decisão respaldada por um estudo técnico, um ROI de cinco anos. A avaliação do Custo Total de Propriedade apontou o Windows XP como a solução mais adequada. As decisões no Banrisul sempre serão norteadas por meio de estudos técnicos respeitando o trinômio simplificação, continuidade e gerenciamento. Enfim, uma relação ótima entre custo/benefício. Nesse caso, não havia dúvidas. A prova é que o mercado tem relutado em adotar o Linux nos desktops.
|quebra|
Que tipos de desenvolvimento de software o banco faz em casa, com as equipes internas?

Por característica própria, o banco desenvolve internamente todos os seus sistemas aplicativos. Nos últimos anos, estamos buscando soluções de mercado para produtos administrativos e gerencial.

Na equipe de profissionais de TI, ter experiência em software livre é condição indispensável?

Não, mas é recomendável. O Banrisul investe em treinamento sempre que necessário.

Como o banco está usando os smart cards?

Temos aplicações como smart cards com multiprocessamento, que vão carregar toda a parte do internet banking, proteção de segurança e certificação digital. Desde o ano passado, operamos um cartão inteligente com sistema operacional Multos, que proporciona multifunções para transações de acesso altamente seguro ao internet banking. É o smart card que processa a criptografia e a remete para o computador central. Atualmente são 35 mil cartões com smart card em operação e em torno de 250 mil clientes que interagem diariamente com o banco pela internet.

O smart card só tem vez no internet banking?

Não, o Banrisul também já trabalha com smart card no Banco Sim, que é destinado a atender a população desbancarizada. Hoje, temos 3 mil correntistas de uma agência do município de Pelotas, no Rio Grande do Sul, que passam por um piloto de smart cards. Ao todo, o Banco Sim tem 2,8 milhões de correntistas.
|quebra|
Ser um banco de linha mais popular como o Sim implica ter tecnologias menos sofisticadas?

Entendo que não, pelo contrário. A tecnologia, mesmo que sofisticada, tende a diminuir o custo. Aliás, foi exatamente no Banco Sim que introduzimos o primeiro modelo de transação EMV full grade, mecanismo de autenticação dinâmica de dados, em smart card.

O uso mais intensivo de tecnologia se reflete no aumento do número de transações dos clientes?

Sim, a diversidade e segmentação dos canais de atendimento, fortemente alicerçados em tecnologia, são amplamente demonstradas pelo crescente número das transações bancárias realizadas atualmente, se comparadas com o que se fazia há 10 anos.

Qual a explicação para ampliar a quantidade de agências justamente em um momento em que o total de usuários de internet banking aumenta?

A demanda por transações e atendimento em agências ainda perdura. A questão da migração para outros canais, por exemplo, o internet banking, é um movimento crescente, diretamente relacionado com a questão cultural e o nível econômico da população.

Publicado originalmente na revista INFO de julho de 2006