O braço direito (digital) de Barack Obama
Bruno Ferrari, de INFO Online
19 de maio de 2009
Se o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, fosse uma empresa de software, o carro-chefe da companhia seria o Obama Election Web Tools. Uma suíte de ferramentas capaz de garantir uma bela quantidade de votos a qualquer candidato a um cargo no poder executivo. O pacote incluiria ferramentas para construção de um e-mail marketing eficiente, templates para criação de uma rede social para o candidato, dicas para produzir e divulgar vídeos no YouTube, um tutorial para criar um perfil eficiente no Twitter, entre outras features da política 2.0. Sem contar, é claro, com o que mais interessa para qualquer candidato: o aplicativo “Use a web para financiar a sua campanha: pergunte-me como”.
Esta semana o Brasil recebeu um dos maiores responsáveis pelo sucesso de Obama nas eleições americanas: Ben Self, ex-diretor de tecnologia do Partido Democrata dos Estados Unidos. O executivo da Blue State Digital defende a tese de que a estratégia online utilizada na campanha presidencial pode ser replicada na maneira como as empresas conversam com seu público. “Não importa se você é um político, uma empresa, uma ONG ou um show da Brodway. É preciso se aproximar do seu alvo, ser autêntico, priorizando a formação de comunidades de usuários”, diz Self.
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Mas a campanha que tornou Obama o primeiro presidente negro dos Estados Unidos não se baseou inteiramente online. Pode-se dizer que a internet foi um pontapé para outras ações offline. Como já se sabe, Obama optou por um financiamento estritamente privado, abrindo mão de qualquer doação pública - direito garantido dos políticos americanos. E foi a web que trouxe o dinheiro necessário para a divulgação em diferentes meios: 70% de toda arrecadação, mais precisamente, 500 milhões de dólares, vieram de contribuições enviadas pela internet. “Houve pessoas que contribuíram com apenas 5 dólares, mas já não se sentiam apenas eleitores, e sim investidores de um projeto para o seu país”, afirma Self.
O primeiro passo da estratégia foi construir uma base de e-mails que unisse quantidade com qualidade. Foram reunidos os endereços de 30 milhões de americanos propícios a iniciar um levante para colocar o até então simpático senador de Ilinois na grande final. De acordo com Self, eram sete pré-candidatos, incluindo Hilary Clinton, e Obama não aparecia nem entre os mais populares. Criou-se um site com uma interface bastante convidativa, que oferecia diferentes opções para candidatos a voluntariado: do envio de e-mails para rede de amigos, doações em dinheiro, passando por telefones e até a prática de tocar a campainha do vizinho e perguntar: “Olá, amigo. Que tal eleger Barack Obama?”. Só mais um número para quem duvida da eficiência dos arcaicos dois últimos exemplos: telefonemas e batidas de porta somaram 6,2 milhões de ações.
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Barack “cool” Obama
A realidade é que virou cool torcer por Obama. O site tinha uma rede social, que mostrava o seu nível de comprometimento (entre 0 e 10) com o candidato. Assim, como no Facebook, lá havia uma foto do eleitor junto às ações que ele já tinha realizado. Eleitores podiam trocar mensagens uns com os outros. Os vídeos no YouTube eram criativos e não deixavam nada a desejar em relação a virais mais conhecidos. “Foram 18 mil vídeos produzidos, que foram assistidos mais de 50 milhões de vezes. Só o discurso de posse teve 7,5 milhões de visitas”, diz o ex-CIO do Partido Democrata.
Havia um espaço antiboatos, em que os próprios eleitores esclareciam eventuais notícias falsas que poderiam prejudicar o candidato, numa espécie de Wikipedia para gestão de imagem. Anúncios online foram comprados para que os americanos que recebiam e-mails com pedidos de votos pudessem clicar em links do seu próprio webmail e fazer a doação. Empresas faziam campanhas do tipo “a cada dólar que você doar, nós colocamos outros três”. Um mashup com um serviços online de mapas mostrava as casas em volta de sua residência que já tinham declarado apoio a Obama, as que estavam indecisas e as que votariam no candidato do Partido Republicano, John McCain. No total, foram formadas mais de 30 mil comunidades oficiais pró-Obama nas eleições.
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Obama colhe os frutos hoje em números: seu Twitter está quase no patamar de 1,2 milhão de seguidores, seu Facebook reúne 6,2 milhões de usuários, são milhões e milhões de vídeos assistidos no YouTube e o título de um dos presidentes mais populares que os Estados Unidos já tiveram. “Precisamos admitir que um candidato legal como o Obama ajuda em muito a campanha. Mas foram os eleitores os maiores responsáveis pela sua eleição”, conclui Self.