Netbooks, o retorno

John C. Dvorak 31 de março de 2009
Netbooks, o retorno
Os minilaptops já fracassaram no passado. O que mudou?

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Talvez o assunto mais quente hoje em tecnologia sejam os netbooks. Os laptops pequenos e baratos só puderam existir graças às telas LCD que permitem enxergar letras bem pequenas. Há outros atributos que tornam os minilaptops interessantes. É o caso das baterias com sete horas de duração.

Durante anos, ponderei sobre esse tipo de equipamento. O primeiro deles surgiu em 1993: o Gateway Handbook, uma máquina de 24,6 por 14,9 centímetros, com DOS e tela monocromática. Não deu em nada. Aí, em 1996, foi a vez do Toshiba Libretto, menor e com ainda menos sucesso. Agora, de repente os netbooks reapareceram e viraram mania. O que mudou?

Os netbooks de hoje parecem ter o tamanho certo. Isso não significa que as outras tentativas de produzir máquinas pequenas não estavam na direção correta. Faltava algo. O Gateway Handbook chegou perto, mas talvez tenha perdido o bonde por causa do obsoleto display CGA. Quando lembro do Libretto, penso em algo inútil. Então, quando o primeiro Eee PC da Asus apareceu, achei que ele estaria condenado ao mesmo destino.
Comentários
  • O estalo foi o preço, o peso, as telas de 8, 9, 10, somados à internet móvel 3G.
    enviado por: Washington Jonas em 23/04/2009 - 16:41
  • Dvorak falou, falou, mas não disse finalmente o que fez a diferença para o sucesso dos netbooks. Ora, pelo menos no Brasil, o que fez toda a diferença foi, sem dúvida, a popularização da internet sem fio e da internet móvel, sem as quais não faria sentido ter um netbook. Aliás, grande parte do crescimento das vendas dos notebooks em geral deve-se à facilidade de acesso à internet "em qualquer lugar". Eu mesmo só tenho notebook porque quero acessar a internet quando eu viajo. Se eu estiver equivocado, por favor, me digam. Não me deixem na ignorância. Valeu!
    enviado por: Antonio Pinho em 07/04/2009 - 08:41
  • O que diabos Dvorak tem contra a PLC?
    enviado por: Ugo Portela Pereira em 01/04/2009 - 21:59

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Netbooks, o retorno

John C. Dvorak

31 de março de 2009


Talvez o assunto mais quente hoje em tecnologia sejam os netbooks. Os laptops pequenos e baratos só puderam existir graças às telas LCD que permitem enxergar letras bem pequenas. Há outros atributos que tornam os minilaptops interessantes. É o caso das baterias com sete horas de duração.

Durante anos, ponderei sobre esse tipo de equipamento. O primeiro deles surgiu em 1993: o Gateway Handbook, uma máquina de 24,6 por 14,9 centímetros, com DOS e tela monocromática. Não deu em nada. Aí, em 1996, foi a vez do Toshiba Libretto, menor e com ainda menos sucesso. Agora, de repente os netbooks reapareceram e viraram mania. O que mudou?

Os netbooks de hoje parecem ter o tamanho certo. Isso não significa que as outras tentativas de produzir máquinas pequenas não estavam na direção correta. Faltava algo. O Gateway Handbook chegou perto, mas talvez tenha perdido o bonde por causa do obsoleto display CGA. Quando lembro do Libretto, penso em algo inútil. Então, quando o primeiro Eee PC da Asus apareceu, achei que ele estaria condenado ao mesmo destino.
|quebra|
Ninguém percebeu naquele tempo, inclusive eu, que sempre havia algo importante em um computador ultrapequeno, um detalhe que deixava o produto no limite entre o sucesso e o fracasso. Esse é um dos aspectos mais importantes e ignorados no mundo high tech: o estalo que faz toda a diferença.

Faço uma associação disso com a beleza. Todo mundo conhece alguma família que tem uma filha absurdamente linda. São duas ou três irmãs e todas elas têm uma certa semelhança. Você olha para todas e vê que um estalo diferencia a mais bonita. Talvez seus olhos tenham um espaçamento diferente. Ou o queixo parece melhor. É difícil descobrir a diferença. É o estalo.

O iPhone, da Apple, é outro exemplo. No início, os smartphones tinham algo de estranho. Bastaram alguns estalos da Apple para virar algo que todas as pessoas querem — e as empresas querem fabricar. Tenho uma lista enorme de produtos que não gosto e critico. Ela inclui a computação em nuvem, a internet pela rede elétrica, o Windows Mobile e uma dúzia de outras coisas. Os smartphones já estiveram nessa lista.
|quebra|
É preciso assumir que todas as ideias que parecem boas no papel e falham no mercado têm potencial de se tornarem viáveis com o tal estalo. O que mais se
escuta nas críticas é “nós tentamos anteriormente, mas não funcionou”. Pouquíssimas ideias têm uma segunda chance. As boas ideias descartadas que nunca foram
apropriadamente executadas são uma mina de ouro para quem está disposto a fazer escavações e buscar os estalos. Assim, o netbook aparece do nada. E o iPhone muda a atitude das pessoas em relação ao smartphone. Um desses dias o tablet, por exemplo, passará por um redescobrimento similar.

Como estamos no meio de um colapso econômico, seria uma boa revisitar as velhas ideias fracassadas e ver o que foi ignorado. É uma versão barata de pesquisa e desenvolvimento. Qualquer um pode fazer isso. Você deveria tentar.