Mais Glossyware
Sandra Carvalho, do Grupo INFO
12 de maio de 2009
É quase impossível resistir. Não seria espetacular se o Windows, o sistema operacional mais usado no mundo, fosse leve e nada intrusivo, rodando em qualquer hardware espartano? E que tal um iPhone que copiasse e colasse, rodasse games de respeito, tivesse fones de ouvido estéreo com Bluetooth? Mais: e um smartphone com tela de 3,5 polegadas e câmera de 12 megapixels, marca Sony Ericsson e Symbian livre? Resista se for capaz: um celular touch screen da série N, da Nokia, com teclado slide, GPS e memória interna de 32 GB? Não parece perfeito? Pois é assim que os produtos são em sua fase de desenvolvimento, no mundo do glossyware: perfeitos.
Enquanto os projetos são projetos, eles capturam nossa imaginação, desvalorizam a parafernália hightech que temos a nossa volta no mundo real e paralisam nossas decisões de compra. À espera de quê? De produtos que podem se mostrar muito bons, mas nunca serão tão perfeitos quanto pareceram em sua fase de glossyware.
|quebra|
Tomara que o Windows 7, o iPhone 3.0, o Sony Ericsson Idou e o N97, hoje nesse Nirvana, me desmintam, e endossem todos os meses que passaremos ansiando por eles, lendo sobre eles, discutindo suas vantagens insuperáveis. O termo glossyware nasceu de uma gozação com o papel brilhante supostamente usado pela turma de marketing para descrever produtos em desenvolvimento. Mas sejamos justos: hoje em dia, com algumas exceções, não são os marqueteiros os motores do glossyware. Eles podem dar o pontapé inicial, mas muitas vezes nem isso.
Os fanboys tomaram seu lugar, graças à internet e seu poder de propagação viral. Somos todos nós, os fãs dessa ou daquela tecnologia, marca ou produto, que estamos por aí injetando gás em mais glossyware, espontaneamente. Não estou falando de campanhas pagas de manipulação de opinião pública, mas desse poder de convencimento que as multidões exercem na internet baseadas em suas onvicções genuínas.
|quebra|
É claro que o glossyware está sempre a um passo do vaporware — que acontece quando os produtos planejados não viram realidade ou aparecem mutilados, muito mais tarde, sem recursos importantes prometidos. Aí é o momento da decepção, da maré contrária, da sensação de perda de tempo e dinheiro. O preço acaba sendo alto para quem vendeu e para quem comprou. Mas me ajudem aqui com algo urgente: supondo que o Idou e o N97 sejam tudo o que parecem, de qual smartphone devo me livrar quando eles chegarem às lojas: do iPhone ou do G1?
Oh my God! Ia me esquecendo justamente do Palm Pre, que quase ninguém viu mas anda sendo pintado como o mais perigoso desafiante do iPhone. Agora complicou!