O mapa do dinheiro
Maurício Grego, da INFO
7 de outubro de 2008
Quando criaram o site de relacionamento profissional Via6, em 2004, os amigos de infância Diego Monteiro, hoje com 24 anos, e Renato Shirakashi, 23, possuíam boas idéias na cabeça e quase nenhum dinheiro no bolso. Com recursos próprios, chegaram a reunir 2 mil usuários na web. Mas isso era pouco para viabilizar o negócio. “Não tínhamos capital para investir em programadores e na área comercial”, diz Monteiro, que é analista de sistemas. A solução foi procurar um sócio capitalista, a Confrapar, que em fevereiro deste ano fez um investimento para expandir a empresa. Seis meses depois, a Via6 conta com 120 mil usuários. “A Confrapar, que é sócia minoritária, trouxe gestão profissional e maturidade para o negócio”, afirma Monteiro. A história da Via6 é parecida com a de outros empreendimentos bem-sucedidos de tecnologia. Inovação, em grande parte dos casos, é a base do negócio e exige investimentos em hardware, software, pessoal especializado e gestão. Basicamente, existem duas opções de financiamento para um empreendimento em tecnologia ou internet: os fundos de capital de risco — o venture capital — e o tradicional empréstimo em banco. Veja, a seguir, o que levar em conta antes de se decidir por uma delas.
Poder de sócio
Segundo dados da Associação Brasileira de Private Equity e Venture Capital (Abvcap), os fundos de capital de risco investiram em empresas do país cerca de 550 milhões de reais nos últimos cinco anos. O investidor de capital de risco compra participações na expectativa de reaver o dinheiro com ganhos significativos alguns anos depois. “Analisamos o plano de negócios para saber se é vantajoso, inovador e quais concorrentes a empresa terá no mercado”, diz Carlos Eduardo Guillaume, diretor da empresa de venture capital Confrapar. Quem for se candidatar deve ir preparado para uma seleção rigorosa. O número de projetos escolhidos é pequeno em comparação à oferta de candidatos.
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Como nada é de graça, o empreendedor precisa estar ciente de que a empresa de capital de risco terá poderes de sócia no negócio, com representantes e conselheiros, a fim de barrar investimentos inoportunos ou orientar decisões importantes. E esse nem sempre é um processo tranqüilo. “Acompanhamos o fluxo de caixa, as projeções de metas e as planilhas de tudo o que é feito. Afinal, o dinheiro é nosso”, afirma Guillaume. O dono da empresa precisa aceitar as regras de governança impostas pelo sócio capitalista. Por outro lado, junto com o dinheiro, podem se abrir novas portas. “Além de participar nas decisões, também possibilitamos a integração do fundador ou sócio ao mercado. Para isso, organizamos reuniões com outros empresários do setor, realizamos eventos e expomos a empresa no cenário internacional”, diz Fábio Iunis de Paula, diretor de investimentos da Intel Capital, braço da Intel que investe em empresas de tecnologia.
Dicas para angariar fundos
1. Prepare um bom plano de negócios
2. Procure investidores compatíveis com os recursos desejados
3. Coloque-se no lugar do investidor e critique sua proposta. Só a apresente se for mesmo promissora
4. Prepare-se para passar por um exame minucioso de sua empresa
5. Fique pronto para as mudanças na direção, que virão com a entrada do sócio capitalista
Hora da venda
Todo investidor de capital de risco tem uma meta de saída do negócio. “A empresa capitalista só lucra quando vende o negócio”, diz Guillaume, da Confrapar. Assim, o candidato a receber investimentos deve procurar mostrar que haverá retorno no prazo esperado e boas condições para que o sócio capitalista venda a parte dele. Quanto tempo dura essa relação? Não existe data programada. “Entramos, investimos dinheiro e quando a empresa decola, vendemos nossa parte para angariar fundos para outros projetos. Esse prazo varia de três a cinco anos, mas não há uma regra”, afirma Marcelo Almeida, diretor de desenvolvimento de negócios da Ideiasnet.
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Capital de giro
Para quem não aceita dividir as decisões com um sócio capitalista, uma alternativa são os bancos, que oferecem empréstimo de capital de giro para pequenas empresas. É preciso cuidado, já que os juros ainda são altos, mesmo tendo diminuído nos últimos meses. A média é 59% ao ano, segundo a Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac). “Antes de fechar o negócio, é fundamental pesquisar as melhores taxas”, afirma Miguel José de Oliveira, vice-presidente da Anefac. Em geral, as melhores opções estão em bancos públicos. O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES — www.bndes.gov.br) oferece o Cartão BNDES (para empréstimos até 250 mil reais) e o BNDES Automático (até 10 milhões de reais). Para a aquisição de equipamentos, a Finame, do próprio BNDES, empresta até 10 milhões de reais. Caixa Econômica Federal e Banco do Brasil também possuem linhas desse tipo. Instituições privadas como Itaú, Santander Banespa, Unibanco e HSBC oferecem financiamento, mas geralmente com taxas de juros mais altas.
Música na rede
Criada em 2000, a iMusica hoje é uma veterana na distribuição de mídia digital e na venda de download legalizado de conteúdo audiovisual pela internet e pelo celular. Para tirar a empresa do chão, Fellipe Llerena e seus sócios procuraram a Ideiasnet, já que assinar contratos com grandes gravadoras só seria possível se o negócio crescesse. “Foi na época em que surgiu o iTunes nos Estados Unidos e isso era uma novidade no Brasil, o que nos permitiu ter maior injeção de investimentos”, diz o diretor da iMusica, Paulo Lima. Inicialmente, a Ideiasnet detinha 74% do iMusica. Hoje, esse percentual pulou para 93%. “É impossível sustentar-se sozinho por muito tempo. Para nós, procurar capital de risco foi a única alternativa. Deve ser uma boa saída para muita gente”, afirma Lima.
Quem investe em projetos de TI
Ideiasnet
www.ideiasnet.com.br
Holding com ações na Bovespa, participa de empresas como Officer, Softcorp e iMusica
Confrapar
www.confrapar.com.br
Com foco em TI, é forte em capital para novos projetos
FIR Capital
www.fircapital.com.br
Opera com organizações de várias áreas, incluindo TI
Intel Capital
www.intel.com/capital
Trabalha com empresas já estabelecidas, em processo de expansão
VNN
www.vnnegocios.com.br
Do grupo Votorantim, conta com 300 milhões de reais para investimentos
DGF
www.dgf.com.br
O investimento para TI vai de 5 a 20 milhões de reais
Publicado originalmente na revista INFO de setembro de 2007