10 Bits certeiros para 2009

Ana Lúcia Moura Fé, da INFO 15 de janeiro de 2009
10 Bits certeiros para 2009
Dez tecnologias que podem ajudar pequenas e médias empresas a crescer no próximo ano

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As pequenas e médias empresas brasileiras, cerca de 150 mil segundo o IBGE, geram o maior número de empregos do país. Se, no conjunto, as estatísticas são superlativas, individualmente cada negócio lida com fragilidades, acentuadas em cenários de concorrência acirrada ou em grandes turbulências.

Nesses maremotos, ter a tecnologia certa faz a diferença entre estar estagnado ou transformar ameaças em boas oportunidades de negócios. Como anda o clima para investir em TI? Para os especialistas ouvidos pela INFO, o otimismo predomina. Para eles, o momento é favorável para a modernização tecnológica do negócio.

“Ninguém tem bola de cristal. Mas prevalece uma sensação de crença no futuro por parte dos pequenos negócios, que continuam buscando crédito”, diz Sérgio Rau, gerente executivo de micro e pequenas empresas do Banco do Brasil. Independentemente do cenário, a atualização tecnológica é crucial para o crescimento das pequenas e médias empresas, as chamadas PMEs. Porém, muitas ainda se queixam da escassez de políticas de fomento e de apoio ineficaz.
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10 Bits certeiros para 2009

Ana Lúcia Moura Fé, da INFO

15 de janeiro de 2009


As pequenas e médias empresas brasileiras, cerca de 150 mil segundo o IBGE, geram o maior número de empregos do país. Se, no conjunto, as estatísticas são superlativas, individualmente cada negócio lida com fragilidades, acentuadas em cenários de concorrência acirrada ou em grandes turbulências.

Nesses maremotos, ter a tecnologia certa faz a diferença entre estar estagnado ou transformar ameaças em boas oportunidades de negócios. Como anda o clima para investir em TI? Para os especialistas ouvidos pela INFO, o otimismo predomina. Para eles, o momento é favorável para a modernização tecnológica do negócio.

“Ninguém tem bola de cristal. Mas prevalece uma sensação de crença no futuro por parte dos pequenos negócios, que continuam buscando crédito”, diz Sérgio Rau, gerente executivo de micro e pequenas empresas do Banco do Brasil. Independentemente do cenário, a atualização tecnológica é crucial para o crescimento das pequenas e médias empresas, as chamadas PMEs. Porém, muitas ainda se queixam da escassez de políticas de fomento e de apoio ineficaz.
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BNDES, BB e FINEP afirmam que os recursos estão disponíveis, e mais desburocratizados. De 2004 a 2007, o desembolso anual do BNDES para as micro e pequenas empresas pulou de 3 bilhões para 6 bilhões de reais. A seguir, INFO apresenta um panorama de tecnologias e oportunidades que podem dar um gás no crescimento dos negócios das PMEs.

1. Computação em nuvem

A computação em nuvem consegue driblar os problemas de escassez de capital. Nesse modelo, processamento e espaço em disco são oferecidos como serviços ininterruptos, como a energia elétrica ou a água. Os dados são armazenados em vários data centers, e não importa a localização geográfica deles, pois tudo funciona via internet. Ou alguém aí já se preocupou em saber onde os servidores do Hotmail ou do Google Docs estão hospedados?

Em geral, são serviços com pagamento mensal de acordo com o número de usuários. As PMEs podem reduzir despesas com licenças de software e computadores. “A empresa compra o serviço. Paga pelo que usa e usa apenas o que necessita”, diz Ricardo Chisman, sócio da consultoria Accenture no Brasil.
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Além disso, o cliente garante a atualização tecnológica permanente das aplicações e a segurança das informações. “Na computação em nuvem, a infra-estrutura nunca é dedicada a um só cliente. É compartilhada, barateando os serviços”, diz Sanjay Agarwall, diretor da Valuenet/Salesforce, que oferece aplicativos de CRM em nuvem.

É um modelo diferente da hospedagem ou do outsourcing. “Uma pequena empresa pode colocar na nuvem os servidores que estão dentro de uma salinha”, afirma Gilberto Mautner, presidente da Locaweb. A empresa oferece um pacote básico com servidor, link, energia, armazenamento e até sistema operacional por 149 reais mensais.

2. VoIP

A telefonia pela internet evoluiu muito nos últimos anos, mas o pequeno e médio empresário deve se preparar. Entrar na era da VoIP é bem mais complexo que espetar um telefone fixo na tomada. Mais do que usar telefones específicos ou softphones, como o Skype, é preciso investir antes na infra-estrutura de TI: na rede local, na conexão banda larga e em pessoal técnico especializado. Afinal, a empresa não pode parar por falta de comunicação. A primeira medida é conhecer a demanda atual e os custos com telecomunicação, projetar esses números com o plano de crescimento da empresa, e então comparar com o custo da nova tecnologia.
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Dependendo do especialista consultado, a economia na conta telefônica com a adoção da VoIP varia de 40% a 85%. “Se a conta das chamadas de longa distância pesa, a empresa deve considerar a contratação de uma operadora VoIP”, diz Eduardo Tude, presidente da Teleco.

Hoje há operadoras VoIP, como a Tell Free, que vêem seu mercado crescer entre 8% e 10% ao mês. Segundo Daniel Duarte Filho, presidente da Tell Free, as PMEs ainda titubeiam ao investir em banda larga, gateways e outros recursos. “Mas aquelas que vencem essa barreira reduzem de 40% a 50% a conta telefônica.”

3. Mobilidade total

Hoje, a mobilidade não é uma questão de escolha para qualquer empresa — e sim de sobrevivência. A agilidade de respostas exigida pelo mercado pede o uso de notebooks e smartphones no dia-a-dia, conectados por tecnologias como o 3G, o Wi-Fi e, mais futuramente, pelo WiMAX.
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Para Roberto Ugolini Neto, presidente da Vex, investir em mobilidade é ainda mais crítico para as PMEs. “São empresas que precisam ter velocidade e qualidade de atendimento. É isso que as diferencia da concorrência, e talvez por isso são as que mais se adaptam a tecnologias como Wi-Fi.”

Os benefícios também aumentam a produtividade das equipes — muitas vezes enxutas. Segundo um estudo da Cisco, empregados que usam aparelhos móveis com banda larga ganham 40 minutos de produtividade por dia. “A mobilidade acelera a rotina e traz muitos benefícios”, diz José Geraldo de Almeida, diretor de network mobility da Motorola.

4. Mapas na rede

As diversas opções de mapas online oferecidas por gigantes como Google e Microsoft trazem várias possibilidades para as empresas. E boa parte delas pode ser implementada sem custos. Basta copiar algumas linhas de código e colar no HTML da página da empresa. Além de ferramentas gratuitas, a empresa oferece serviços sofisticados, como o Google Maps API Premier, que custa 16 mil dólares anuais e pode ser usado com aplicações corporativas como o CRM e o sistema de supply chain.
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Rafael Siqueira, CTO do Apontador/MapLink, diz que as PMEs que investem em mapas online têm retorno rápido. “Há uma redução imediata de custos em equipe comercial, estudos estratégicos e segurança.” É possível calcular tempo de trajeto e reembolso de funcionários que usam os próprios veículos.

Na cooperativa paulista Use Táxi, as chamadas diárias de clientes saltaram de 1 700 para 2 500 com o software Autocab. Quando o cliente faz a chamada, o carro mais próximo é localizado por GPS. “Mais de 90% não têm nenhuma intenção de voltar para o velho esquema de rádio”, diz Eder Wilson, presidente da Use Táxi.

5. Logística online

Em tempos de alta competitividade, a logística tem na tecnologia uma aliada para garantir que vendas e estoques sigam o mesmo diapasão. Afinal, não adianta investir rios de dinheiro em diversificação de itens e marketing se a encomenda do cliente não chega no prazo combinado. É aí que entram as soluções de controle de estoque em tempo real, uma atividade de precisão que requer planejamento e tecnologia especializada, incluindo coletores de dados e RFID.
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A FNAC, por exemplo, optou pelo sistema de gestão de estoques e remessas WMS (Warehousing Management System). “Esse sistema monitora em tempo real as vendas de todas as nossas lojas, localizando a posição exata de cada produto na prateleira e disparando automaticamente a ordem de separação e transporte”, diz Jerome Pays, diretor da FNAC. Embora a rede mantenha um depósito próprio para a loja virtual, o sistema está programado para buscar itens também nos estoques das três lojas físicas de São Paulo.

6. Pagamentos high-tech

Os meios de pagamentos acompanham o crescimento acelerado do comércio eletrônico. Um destaque nessa área é o Paypal, que desembarcou no Brasil há dois anos e é usado por sites como eBay e MercadoLivre. “O PayPal não exige da loja nenhum convênio com bandeiras ou bancos”, diz Ricardo Dortas, diretor de projetos especiais do UOL.

O UOL lançou em 2007 o próprio sistema de pagamentos online, o PagSeguro, que concentra mais de uma dezena de meios de pagamento em um único contrato com a loja virtual. O serviço permite ao consumidor reaver o dinheiro, caso não receba o produto que comprou.

O diretor de comércio e indústria da Unisys, Maurício Monteleone, destaca a importância da nota fiscal eletrônica para as PMEs. “Ela aumenta o nível de exposição das empresas, modernizando a gestão dos negócios.” Além disso, há os benefícios como redução de custos com impressão e a simplificação dos processos.
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7. Marketing de busca

Fácil, democrático e disponível para qualquer pessoa, o marketing de busca é um forte aliado para expandir negócios. A empresa pode comprar palavras-chave para aparecer nos links patrocinados ou trabalhar o site e melhorar sua posição na busca orgânica, a página de resultados.

As palavras-chave custam de poucos centavos a alguns reais por clique, dependendo da disputa no leilão por elas. Mas nem sempre quem paga mais aparece no topo. “O sistema considera quem tem mais relevância para a busca. Se um site tem pouco tráfego, ele perde posições”, diz Adriana Noreña, diretora de pequenas e médias empresas do Google na América Latina.

Anthony Martins, diretor do Grupo TV1, diz que embora a publicidade do Google seja fácil e barata, ainda não há uma adoção expressiva pelas PMEs. “Há uma falsa percepção de que é difícil fazer.” Para Martha Gabriel, diretora da New Media Developers, o marketing de busca só tende a crescer. “Os gastos com publicidade online chegarão a 42 bilhões de dólares até 2011, 40% para marketing em sites de busca”, diz ela.
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8. Redes sociais

Tudo começou com um professor que queria divulgar seu trabalho na internet. A diretoria da rede de academias Companhia Athletica encampou a idéia e, no final de 2007, lançou em seu site a rede social GenteCia. “Eles podem comprar e vender produtos e serviços com a confiança de que todos se conhecem”, diz Marcos Nisti, diretor de marketing da academia. As empresas criam redes sociais específicas com base no fenômeno representado por orkut, MySpace e Facebox. No Brasil, o orkut é um dos sites campeões de audiência nas residências, segundo o Ibope//NetRatings. “A empresa encontra seu cliente no orkut e tem excelentes oportunidades de integração, comunicação e marketing”, diz Marco Bebiano, diretor de relacionamento com agências do Google Brasil.

9. Financiamento

Em tempos de escassez de crédito, as pequenas e médias empresas ainda podem contar com uma mãozinha do governo. O Banco do Brasil prevê aumentar em 35% a carteira para as PMEs em 2009. “Não vai faltar recurso”, diz Sérgio Rau, gerente executivo de micro e pequenas empresas do BB, que tem como carro-chefe para as pequenas o Proger Urbano Empresarial, que financia até 400 mil reais em 72 meses para companhias com faturamento bruto anual de até 5 milhões de reais.
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O Cartão BNDES financia diretamente com os fornecedores nacionais as compras de equipamentos, veículos e outros bens, de até 250 mil reais, com prazo de até 36 meses e taxa de juros pré-fixada no portal. “É um excelente instrumento para o SMB financiar sua TI”, afirma Maurício Neves, chefe do departamento da indústria eletrônica do BNDES.

10. Software livre

As PMEs, e seus limitados orçamentos de TI, podem ser grandes beneficiárias do software livre. Então, por que não há uma adoção intensiva? Para Rodolfo Gobbi, diretor-geral da 4Linux, “O Windows está instalado na cabeça das pessoas, não no PC”.

A adoção do software livre aumenta com a maior oferta de software como serviço (SaaS) e de computação em nuvem. A recomendação para as PMEs é começar com pequenas implementações. Além de aplicações web, servidor de e-mail e proxy, há alternativas ao Microsoft Office, como os pacotes gratuitos OpenOffice.org e Google Docs.
A Microsoft também anda de olho nesse promissor mercado. “As PMEs não estão preocupadas com o sistema operacional, e sim focadas no negócio. Vamos atendê-las com alternativas como SaaS”, diz Roberto Prado, gerente de estratégia da Microsoft.