TV na web dá samba

Max Alberto Gonzales, de INFO Online 20 de fevereiro de 2009
TV na web dá samba
O Liquid Platform, da brasileira Samba Tech, põe a TV para funcionar na nuvem

Leia também:
A cada três semanas, as 2 640 lojas da rede O Boticário mudam suas vitrines, assim como a campanha publicitária na TV e o site da empresa na web. No início de cada ciclo, como a empresa chama esse período, entra no ar um novo programa da TV Boticário. Nesses dias, os funcionários e franqueados da rede de perfumarias causam um pico de acessos na extranet da empresa – justamente para saber das novidades. De 2 mil, os acessos diários passam a 7 mil. Diante de um crescimento de demanda tão grande, não é fácil garantir que o vídeo continue fluindo sem engasgos. A tarefa fica a cargo do Liquid Platform, gerenciador de conteúdo especializado em vídeo da empresa mineira Samba Tech.

Antes de usar o Liquid Platform, a TV Boticário distribuía seus programas pelo serviço de transmissão via satélite da Embratel. Era preciso reunir grupos de pessoas em horários fixos para vê-los. “O usuário ficava restrito a determinados locais e horários. Agora democratizamos o acesso”, diz Renato Vertemati, 33 anos, coordenador de serviços de marketing das lojas O Boticário e responsável pela TV.

Os torcedores do Clube Atlético Mineiro também acompanham seu time pela internet graças à TV Galo. “Os vídeos estavam no YouTube, com poucos recursos e pouca flexibilidade, sem contar que não podíamos transmitir ao vivo”, diz Emmerson Maurilio, gerente de multimídia do clube e responsável pelo projeto da TV Galo que entrou no ar em março com vídeos em Flash. Hoje, a emissora online tem 21 mil acessos diários. “Temos três programas novos por dia e mostramos ao vivo os bastidores dos jogos do Galo, até a bola rolar”, diz Maurilio. Quando a partida começa, a transmissão acaba, pois os direitos de exibição ao vivo pertencem à TV Globo.
Comentários

Seja o primeiro a comentar esta notícia

Comente essa notícia

INFO Online - Copyright © 2012, Editora Abril S.A. - Todos os direitos reservados. All rights reserved.

TV na web dá samba

Max Alberto Gonzales, de INFO Online

20 de fevereiro de 2009


A cada três semanas, as 2 640 lojas da rede O Boticário mudam suas vitrines, assim como a campanha publicitária na TV e o site da empresa na web. No início de cada ciclo, como a empresa chama esse período, entra no ar um novo programa da TV Boticário. Nesses dias, os funcionários e franqueados da rede de perfumarias causam um pico de acessos na extranet da empresa – justamente para saber das novidades. De 2 mil, os acessos diários passam a 7 mil. Diante de um crescimento de demanda tão grande, não é fácil garantir que o vídeo continue fluindo sem engasgos. A tarefa fica a cargo do Liquid Platform, gerenciador de conteúdo especializado em vídeo da empresa mineira Samba Tech.

Antes de usar o Liquid Platform, a TV Boticário distribuía seus programas pelo serviço de transmissão via satélite da Embratel. Era preciso reunir grupos de pessoas em horários fixos para vê-los. “O usuário ficava restrito a determinados locais e horários. Agora democratizamos o acesso”, diz Renato Vertemati, 33 anos, coordenador de serviços de marketing das lojas O Boticário e responsável pela TV.

Os torcedores do Clube Atlético Mineiro também acompanham seu time pela internet graças à TV Galo. “Os vídeos estavam no YouTube, com poucos recursos e pouca flexibilidade, sem contar que não podíamos transmitir ao vivo”, diz Emmerson Maurilio, gerente de multimídia do clube e responsável pelo projeto da TV Galo que entrou no ar em março com vídeos em Flash. Hoje, a emissora online tem 21 mil acessos diários. “Temos três programas novos por dia e mostramos ao vivo os bastidores dos jogos do Galo, até a bola rolar”, diz Maurilio. Quando a partida começa, a transmissão acaba, pois os direitos de exibição ao vivo pertencem à TV Globo.
|quebra|
Dos jogos à TV
A Samba Tech começou representando jogos britânicos para celulares, mas percebeu que a consolidação das operadoras ia diminuir seu mercado. “Seríamos esmagados se ficássemos só nisso”, diz Gustavo da Cruz Caetano, 27 anos, sócio-fundador da empresa. Caetano e seus sócios resolveram desenvolver um sistema de gerenciamento de conteúdo para vídeo. O software converte os arquivos para o formato a ser usado na web e entrega os vídeos aos internautas diretamente de seus servidores. Tudo funciona na nuvem de servidores e data centers, no modelo de negócios SaaS (software como serviço).

Para o Boticário, o Atlético Mineiro, seu rival Cruzeiro e a rede de TV SBT, o sistema possibilitou a criação de emissoras online com programação própria. A contratação do serviço permitiu dispensar o investimento em infraestrutura – servidores de armazenamento, de codificação e de entrega, além dos encarregados de gerenciar os direitos autorais. “Sabíamos que uma solução própria ia ser inviável, começando em 500 mil reais”, diz Vertemati, da TV Boticário. O Liquid Platform cuida da publicação dos arquivos nos sites dos clientes, em redes sociais e no YouTube. A TV Galo, por exemplo, continua oferecendo sua programação também no site de compartilhamento de vídeo do Google.

Astúcia no servidor
Quando recebe um pedido de visualização de vídeo, o Liquid Platform localiza o arquivo, determina se é preciso pagar pelos direitos autorais e identifica o player do usuário. Além disso, cuida do armazenamento, o que é útil para administrar vídeos com audiência alta nos primeiros dias de publicação. Por exemplo, os gols da rodada do futebol têm pico de acesso no fim de semana. Depois a demanda despenca. Então, o sistema transfere o arquivo para um servidor de armazenamento menos poderoso, liberando espaço para outro mais recente. Consegue-se, assim, racionalizar o uso da infraestrutura. “O custo da entrega do conteúdo diminui”, diz Caetano.
|quebra|
Os clientes pagam uma assinatura fixa mensal e mais um valor proporcional ao número de gigabytes transmitidos. Os arquivos são hospedados em data centers nos Estados Unidos. Para aumentar o retorno financeiro, o Liquid Platform também insere publicidade antes, depois e até durante o vídeo. “Outra forma é o e-commerce digital, com entrega de vídeo após o pagamento”, diz Caetano. Entre os clientes adeptos dessa modalidade estão portais eróticos que vendem vídeos por download ou transmitem ao vivo em pay-per-view.

Também há emissoras de TV aberta que aderiram ao sistema da Samba Tech. No site da rede SBT, a Central de Mídia emprega o Liquid Platform para oferecer vídeos do Programa Silvio Santos, do humorístico A Praça É Nossa, da novela Revelação, dos telejornais da emissora e até de propagandas de filmes que fazem sucesso. Em dezembro, a chamada para o filme Harry Potter e O Cálice de Fogo era o segundo vídeo mais visto pelos internautas.