Olha a Beija-Flor aí geeente!
Rosa Sposito, da INFO
13 de março de 2009
Neste Carnaval, a Beija-Flor de Nilópolis — campeã do Grupo Especial nos dois últimos anos no Rio de Janeiro — vai contar a história do banho. Para isso, está levando para o sambódromo mais de 4 mil componentes e oito carros alegóricos equipados com bombas d’água, refletores de luz inteligentes, luzes estroboscópicas e outros recursos para a produção de efeitos de luz, cor, movimento e até a projeção de imagens. Todos esses equipamentos são controlados por mesas computadorizadas, colocadas dentro do próprio carro alegórico. Mas não é só no desfile que a escola de samba recorre à tecnologia. Seu uso começa bem antes, no processo de criação das fantasias e alegorias. É o que conta o carnavalesco Ubiratan Silva, o Bira, 32 anos, que está na Beija-Flor desde 1993 e é uma espécie de CIO para a escola. Além da formação em teatro e dança, ele tem em seu currículo cursos de processamento de dados e de computação gráfica.
INFO - Que tecnologias vocês levam para o sambódromo?
SILVA - Cada carro alegórico tem vários equipamentos de iluminação, de som e de produção de efeitos — como luzes estroboscópicas, refletores de luz inteligentes, máquinas de fumaça e bombas d’água. Tudo isso é controlado por mesas computadorizadas, que geralmente vão dentro dos carros, em lugar protegido da chuva, da poeira e de trepidações, para evitar falhas na hora do desfile. No Carnaval de 2009, a Beija-Flor vai contar a história do banho e, para isso, os carros terão chafarizes e até efeitos de água dançante.
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Quantas fantasias e alegorias a Beija-Flor terá no desfile deste ano?
Criamos 56 fantasias diferentes e oito carros alegóricos para o Carnaval de 2009. Existem muitos detalhes que podem ser cruciais para o desempenho — e o julgamento — do desfile da escola. Um erro de cor, ou de forma, pode não ter uma boa interpretação por parte dos jurados, o que faz a escola perder pontos preciosos.
A área de criação costuma usar a internet para fazer pesquisas para o enredo?
Sim, bastante. No início do processo de criação do Carnaval da escola, buscamos na internet informações e imagens que podem ser usadas nas fantasias ou alegorias. Também fazemos viagens de pesquisa, nas quais produzimos fotos digitais. Esse material é reunido no computador, para ser avaliado pela comissão de carnavalescos que decide como será o desfile.
Os desenhos digitalizados das fantasias ficam disponíveis na internet?
Não, eles são entregues em CD junto com o protótipo da própria fantasia aos presidentes das alas, que são responsáveis por sua reprodução e comercialização. A Beija-Flor tem 4 053 componentes que desfilam no chão. Desses, 1 250 compram as fantasias. No caso dos destaques, enviamos o desenho por e-mail para eles mesmos confeccionarem as fantasias, já que muitos moram em outras cidades.
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Dá para comprar fantasias pela web?
Nosso site (www.beija-flor.com.br), que acaba de ser reformulado, permite não só comprar a fantasia como também camisetas, CDs e outros produtos. Também dá para ouvir o samba-enredo e ver a transmissão dos ensaios ao vivo. Mesmo os brasileiros que moram no exterior conseguem acompanhar o que está acontecendo na escola pela internet. Antes, para comprar a fantasia, era preciso vir até a escola. Agora, dá para ver e comprar pela web.
Qual foi a primeira tecnologia que a Beija-Flor adotou em seus desfiles?
Em 1997, introduzimos o uso do Photoshop no processo de criação dos figurinos para o Carnaval do ano seguinte. Hoje a tecnologia é muito usada tanto na criação como durante o próprio desfile.
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O que vocês fazem exatamente no Photoshop?
Fazemos tudo o que envolve edição de imagens. Depois que a comissão de carnavalescos define quais serão as fantasias e as alegorias do desfile da escola, começa a fase de criação. O desenho original ainda é feito em papel e pintado manualmente. Em seguida, a imagem é digitalizada e fica arquivada no computador para posterior divulgação e manipulação, por exemplo, em estudos de formas e de cores.
Para que servem esses estudos?
O estudo de cor é necessário para avaliar se as cores de um figurino estão em harmonia com as outras utilizadas naquele setor. Com o computador, dá para visualizar todos os figurinos juntos, fazer simulações e, se for preciso, mudar uma cor. No caso das alegorias, fazemos estudos de formas para avaliação estética e, também, para apresentar a possíveis patrocinadores — que às vezes solicitam algumas modificações. No computador, tanto as simulações como as alterações são muito rápidas. A gente ganha tempo.
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No comando das luzes
Existem vários tipos de mesas computadorizadas. Algumas têm hardware específico para determinada função; outras são baseadas em PCs comuns equipados com programas específicos. Nesse caso, é preciso plugar no PC (na saída serial ou USB) interfaces que convertem as informações para o protocolo DMX-512, adotado como padrão mundial para o controle de equipamentos de iluminação. Por meio desse protocolo de comunicação, a mesa — ou o computador — consegue comandar projetores, moving-lights (ou refletores inteligentes), luz estroboscópica, máquinas de fumaça e projetores de LEDs RGB que oferecem uma infinidade de cores diferentes.