O WiMAX não está sozinho

Kátia Arima, da INFO 21 de maio de 2009
Maurício Medeiros
O WiMAX não está sozinho
As operadoras de celular começam a investir na tecnologia LTE. Qual será o padrão do 4G?

Leia também:
Algumas tecnologias levam muitos anos para pegar — o caso clássico do Bluetooth. O WiMAX enfrenta um dilema parecido na banda larga móvel, mas hoje já não se tem mais tanta certeza de que ele vai de fato deslanchar. A tecnologia ainda não mostrou a que veio na prática e não virou padrão em notebooks e smartphones. A Nokia, por exemplo, parou de fabricar em janeiro aparelhos com WiMAX e anunciou que vai investir justamente no seu rival: o LTE (Long Term Evolution).

WiMAX e LTE disputam o título de sucessor do 3G que usamos hoje. Eles prometem velocidades dignas de banda larga fixa, para dar conta de vídeos, TV de alta definição e games multiplayer sem atrasos. A nova versão do WiMAX móvel (release 1.5) pode chegar a 144 Mbps nominais no download e 69 Mbps no upload, enquanto o LTE tem a velocidade nominal de 173 Mbps no download e 58 Mbps no upload. Tanto o LTE como o WiMAX foram projetados para o tráfego de dados, pelo protocolo IP, e são baseados no OFDM (Orthogonal Frequency-Division Multiplexing), com transmissão pelo ar. Enquanto o WiMAX já tem redes comerciais em funcionamento, o LTE terminou a fase de especificações apenas em dezembro. Vem sendo testado em países como Japão, Estados Unidos e Inglaterra.
Comentários
  • Caro Marcos: Antes de "soltar os cachorros" deverias te informar melhor. Em Foz não é WiMAX. WiMAX somente existe em 2.5 e 3.5GHz. Lá colocaram uma solução proprietária e foi mal dimensionado o projeto. Quanto ao Garth Freeman, é outro caso de projeto vendido errado: o cara tava querendo usar AirSpan com CPE´s indoor e ter um alcance de quilômetros. Não se pode condenar uma tecnologia por culpa de alguns aventureiros que não sabem implementar uma rede de forma decente. Se o WiMAX fosse tão ruim assim não haveria diversos casos de sucesso na AL e no mês passado a Alvarion fechou um projeto com o Governo Norte Americano, na centena de milhões de dólares para fornecer banda larga nas áreas rurais dos Estados Unidos. No Chile, Argentina, Peru, México e outros países da América Latina a TELMEX (dona da Embratel) usa WiMAX em 3.5 para prover acesso banda larga nas cidades - só no Brasil montaram uma rede mal dimensionada e a coisa não andou como queriam. Se realmente o WiMAX fosse um desastre, as operadoras não estariam brigando na justiça para poder comprar as frequências de 3.5 e principalmente 2.5, onde temos o 802.16e (WiMAX móvel). Aproveitando o comentário do meu xará acima " o 3G no Brasil está uma vergonha " , podes ver que não é só o WiMAX que sofre problemas. Eu montei uma rede no Brasil em 23 cidades usando tecnologia pré-WiMAX onde existem mais de 1000 clientes corporativos, passando voz e dados, tudo com QoS e segurança. Esse projeto iniciou em 2006 e é estável. Não se pode culpar a ferramenta se não se sabe aproveitá-la Abraços Bernardo
    enviado por: Bernardo Charnis em 24/08/2009 - 22:19
  • WiMAX é uma vergonha! trabalhei em um projeto na prefeitura de Foz do Iguaçu, sistema porco, qualquer 802.11 faria igual ou melhor, dizer que precisa de uma banda de 50Mbps para trafegar voz e dados, em um sistema que se um pássaro atravessar o sinal cai, gitter aumenta e fica um lixo. Abaixo a Wimax, tanto queo CEO da primeira empresa que implantou WiMax na Austrália, Garth Freeman, presidente da Hervey Bay’s Buzz Broadband abandonou e publicou um comentário dizendo: "o WiMAX é um desastre". fonte.: http://info.abril.com.br/aberto/infonews/032008/24032008-16.shl
    enviado por: Marcos Vidal em 22/05/2009 - 09:34
  • pra mim tanto lte qto wimax tem espaço horas.... e aliás, 3G é coisa pra inglês ver, pq no Brasil o 3G está uma vergonha...
    enviado por: Bernardo Muller em 21/05/2009 - 14:52

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O WiMAX não está sozinho

Kátia Arima, da INFO

21 de maio de 2009


Algumas tecnologias levam muitos anos para pegar — o caso clássico do Bluetooth. O WiMAX enfrenta um dilema parecido na banda larga móvel, mas hoje já não se tem mais tanta certeza de que ele vai de fato deslanchar. A tecnologia ainda não mostrou a que veio na prática e não virou padrão em notebooks e smartphones. A Nokia, por exemplo, parou de fabricar em janeiro aparelhos com WiMAX e anunciou que vai investir justamente no seu rival: o LTE (Long Term Evolution).

WiMAX e LTE disputam o título de sucessor do 3G que usamos hoje. Eles prometem velocidades dignas de banda larga fixa, para dar conta de vídeos, TV de alta definição e games multiplayer sem atrasos. A nova versão do WiMAX móvel (release 1.5) pode chegar a 144 Mbps nominais no download e 69 Mbps no upload, enquanto o LTE tem a velocidade nominal de 173 Mbps no download e 58 Mbps no upload. Tanto o LTE como o WiMAX foram projetados para o tráfego de dados, pelo protocolo IP, e são baseados no OFDM (Orthogonal Frequency-Division Multiplexing), com transmissão pelo ar. Enquanto o WiMAX já tem redes comerciais em funcionamento, o LTE terminou a fase de especificações apenas em dezembro. Vem sendo testado em países como Japão, Estados Unidos e Inglaterra.
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Os projetos de WiMAX que estão nas ruas, no entanto, não desfrutam de toda a velocidade prometida na teoria. A operadora americana Clearwire investiu em uma rede WiMAX móvel, em operação comercial desde janeiro nas cidades de Baltimore e Portland, oferecendo banda larga fixa a 6 Mbps e móvel a 4 Mbps. Em São Petersburgo, na Rússia, a operadora Yota também estreou sua rede WiMAX móvel — foi a primeira a apresentar em seu portfólio o smartphone T8290, da HTC, que vem com a tecnologia embutida.

De acordo com estudo da consultoria In-Stat, a grande vantagem do WiMAX sobre o LTE é o fato de ter chegado primeiro. “O WiMAX tem um ecossistema pronto, inclusive 26 notebooks compatíveis com a tecnologia”, afirma Casio Tietê, diretor de expansão de negócios da Intel, empresa que virou evangelizadora do WiMAX. No Brasil, há diversas redes de WiMAX em teste, mas a Anatel está atrasada com os leilões da faixa de 3,5 GHz, destinada ao uso da tecnologia, e ainda avalia as mudanças regulatórias para a introdução da versão móvel.
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Evolução do GSM
O LTE tem a seu favor um apoio maciço das operadoras de telefonia móvel. As 750 integrantes da GSM Association (GSMA) já confirmaram a intenção de trabalhar com o LTE, segundo Ricardo Tavares, vice-presidente de políticas públicas da GSMA. “O LTE é a evolução natural do 3G. Conversa perfeitamente com o WCDMA, o que vai permitir que um usuário saia de uma rede 4G e caia automaticamente na 3G”, diz Vinícius Caetano, analista de telecom do IDC. Ele afirma que o WiMAX está sem fôlego. “O LTE terá vantagem de ser uma tecnologia mais barata, por causa da alta escala de produção dos aparelhos”, diz.

A Alcatel-Lucent será uma das fornecedoras da operadora americana Verizon, que pretende ser a primeira a inaugurar uma rede LTE comercial, até o fim do ano. “O 3G está com os dias contados. As operadoras sabem que em 2011 precisarão de tecnologias mais eficientes. Com a explosão dos notebooks, há uma demanda reprimida de banda larga no Brasil”, diz Roberto Falsarella, gerente de redes wireless da Alcatel-Lucent. Porém, ele observa que o LTE ainda precisa da adesão dos fabricantes de terminais compatíveis. Por enquanto, apenas a Nokia manifestou apoio a essa tecnologia.
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Na visão da consultoria In-Stat, há espaço para as duas tecnologias conviverem. As operadoras que trabalham com redes terrestres irão preferir o WiMAX, enquanto as móveis ficarão com o LTE. José Geraldo de Almeida, gerente de novos negócios da área de home & networks da Motorola, tem a mesma visão. “É como na banda larga fixa, em que o cabo não mata o ADSL, e vice-versa”, diz.

A Huawei também trabalha simultaneamente com as duas tecnologias. Na opinião de Marcelo Motta, diretor de tecnologia e produtos da Huawei, não importa qual delas será preponderante na 4G, pois haverá uma ambiente de sinergia. “Com a convergência de redes, o usuário poderá sair de uma rede LTE e entrar automaticamente em uma WiMAX, sem perceber”, diz.

Frequência indefinida
No Brasil, ainda há um grande obstáculo para a introdução do LTE: não existe frequência definida para usar a tecnologia. As bandas usadas pelo LTE, de 700 MHz e 2,5 GHz, estão ocupadas e cabe à Anatel reorganizar as faixas para acomodar novos serviços e realizar os leilões das frequências disponíveis. A faixa de 700 MHz é usada no país pela TV analógica, que só deve ser desativada em 2017, e a frequência de 2,5 GHz é ocupada pelas operadoras de MMDS, para serviços de TV por assinatura sem fio.
As operadoras terão de ampliar suas redes terrestres para dar conta do LTE. “É uma realidade diferente da Verizon. As operadoras brasileiras não têm tanta fibra óptica”, diz Eduardo Tude, presidente da consultoria Teleco. Ele acredita que vai demorar para o LTE funcionar no Brasil. “Aqui, o LTE deve chegar com dois anos de atraso. As operadoras ainda estão investindo dinheiro no 3G e vão esperar o barateamento da nova tecnologia.”
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Segundo a Ericsson e a Huawei, que fornecem infraestrutura de rede às operadoras, já existem equipamentos que facilitam o upgrade da 3G para a 4G. “Algumas operadoras já estão construindo as redes 3G com equipamentos pré-LTE”, diz Luciana Pailo, vice-presidente de redes da Ericsson.

A TIM é uma das operadoras que estão de olho no LTE. “Acreditamos que a tecnologia 3G vai atender a demanda até 2011. Depois, precisaremos de uma rede com mais capacidade para dados”, diz Maurício Cascão, gerente de inovação tecnológica da TIM.
A Vivo ainda não definiu o padrão tecnológico que irá adotar no 4G. “De fato, o movimento parece estar para o lado do LTE”, diz Javier Garcia, vice-presidente de tecnologia e redes da Vivo. Ele estima para 2011 um upgrade da rede. “Cada vez mais pessoas vão querer usar o celular para mandar fotografias e vídeos e usar outros serviços avançados. Será preciso ter uma rede mais eficaz.” Se será por WiMAX ou LTE ainda é cedo para saber.