Gol de placa... memória e processador

Juliano Barreto, de INFO Online 22 de janeiro de 2009
Gol de placa... memória e processador
Conheça o hardware e o software que comandam o hipnótico show de tecnologia do Museu do Futebol

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Uma das raras críticas ao novíssimo Museu do Futebol, em São Paulo, é que, por não ter relíquias e abusar de recursos multimídia, a exposição caberia num DVD. Bem, se fosse possível criar uma mídia com o conteúdo que ocupa 6 900 metros quadrados sob as arquibancadas do estádio do Pacaembu, esse disco precisaria de muito fôlego para exibir fotos, vídeos e sons exatamente como no museu.

Os requisitos mínimos para rodar o tal DVD seriam: uma rede com dois servidores, 120 desktops, 10 quilômetros de cabos, telas holográficas de acrílico especial, projetores blindados, um sistema de som com 8 mil watts e um esquema de refrigeração de dar inveja a muito data center. É tanta tecnologia que a vitrine que mostra a camisa original usada pelo rei Pelé na final da Copa de 1970 — a única raridade exposta, de fato — figura como coadjuvante entre as atrações. Todo o museu consumiu um investimento de 32,5 milhões de dólares.

Da folha seca ao holograma

A Sala Anjos Barrocos é o maior cartão de visita do museu. É por lá que flutuam as imagens etéreas de craques como Didi “Folha Seca”, Falcão e Garrincha — que deixam o público impressionado e curioso na mesma proporção. A mágica dos boleiros exibidos em uma projeção que lembra um holograma é resultado de uma combinação de técnica e inovação. A imagem dos jogadores é projetada em uma placa fina e transparente, de 2 x 3 metros, feita de um acrílico especial, capaz de reter a luminosidade. Essa tecnologia foi apresentada recentemente na Espanha e seu uso no Museu do Futebol é pioneiro. “Antes do lançamento do material, seria inviável obter esse mesmo efeito. Telas semelhantes, mas muito menores, custariam cerca de 10 mil dólares para cada cem polegadas”, diz Peter Lindquist, sócio da KJPL ARbyte, empresa responsável pelo desenvolvimento e instalação da estrutura multimídia do Museu do Futebol.
Comentários
  • Achei que iamos ter detalhes dos servidores também, hardware e software, e também das conexões e tal!
    enviado por: Anderson Machado em 23/01/2009 - 15:39

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Gol de placa... memória e processador

Juliano Barreto, de INFO Online

22 de janeiro de 2009


Uma das raras críticas ao novíssimo Museu do Futebol, em São Paulo, é que, por não ter relíquias e abusar de recursos multimídia, a exposição caberia num DVD. Bem, se fosse possível criar uma mídia com o conteúdo que ocupa 6 900 metros quadrados sob as arquibancadas do estádio do Pacaembu, esse disco precisaria de muito fôlego para exibir fotos, vídeos e sons exatamente como no museu.

Os requisitos mínimos para rodar o tal DVD seriam: uma rede com dois servidores, 120 desktops, 10 quilômetros de cabos, telas holográficas de acrílico especial, projetores blindados, um sistema de som com 8 mil watts e um esquema de refrigeração de dar inveja a muito data center. É tanta tecnologia que a vitrine que mostra a camisa original usada pelo rei Pelé na final da Copa de 1970 — a única raridade exposta, de fato — figura como coadjuvante entre as atrações. Todo o museu consumiu um investimento de 32,5 milhões de dólares.

Da folha seca ao holograma

A Sala Anjos Barrocos é o maior cartão de visita do museu. É por lá que flutuam as imagens etéreas de craques como Didi “Folha Seca”, Falcão e Garrincha — que deixam o público impressionado e curioso na mesma proporção. A mágica dos boleiros exibidos em uma projeção que lembra um holograma é resultado de uma combinação de técnica e inovação. A imagem dos jogadores é projetada em uma placa fina e transparente, de 2 x 3 metros, feita de um acrílico especial, capaz de reter a luminosidade. Essa tecnologia foi apresentada recentemente na Espanha e seu uso no Museu do Futebol é pioneiro. “Antes do lançamento do material, seria inviável obter esse mesmo efeito. Telas semelhantes, mas muito menores, custariam cerca de 10 mil dólares para cada cem polegadas”, diz Peter Lindquist, sócio da KJPL ARbyte, empresa responsável pelo desenvolvimento e instalação da estrutura multimídia do Museu do Futebol.
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Outra sacada dos criadores do museu é um tuning nos projetores. Como as máquinas vão trabalhar por horas a fio, todo dia, vale tudo para diminuir o calor interno e aumentar a vida útil das lâmpadas. Para tanto, são usadas caixas de vidro blindadas, onde o ar só entra depois de passar por filtros eletrostáticos, que servem para proteger o bloco óptico da poeira. Na Sala Anjos Barrocos, projetores Epson EMP 280D operam em modo econômico para evitar o desgaste e o calor.

Voz do povo em RMS

Na Sala da Exaltação, os visitantes do Museu do Futebol também podem sentir a tecnologia na pele, ou melhor, nos tímpanos. O espaço mescla imagens e gritos de diversas torcidas brasileiras com o som de um sistema com 8 mil watts RMS de potência. “Também usamos dois subwoofers para dar a sensação de que o estádio está tremendo”, diz Nicola Bernardo, também sócio da KJPL. A sala foi criada em um vão embaixo das arquibancadas amarelas do Pacaembu. Vale lembrar que o estádio, inaugurado em 1940, é patrimônio tombado e não pode sofrer alterações drásticas. O jeito foi usar muita criatividade para resolver as questões de acústica e isolamento e lidar com a umidade do local sem prejudicar o lar da Gaviões da Fiel. Para isolar a sonzeira das torcidas das outras salas do museu foi preciso revestir as paredes com lã de pedra e placas de fibra de rocha, dois materiais que absorvem barulho.

Já a técnica para defender os projetores da umidade do local é de surpreender qualquer fã de casemods. Os aparelhos são guardados em caixas metálicas com dutos que retiram o ar gelado de outras salas e levam até a úmida Sala da Exaltação. Todo o processo é acompanhado por sensores ligados ao sistema de monitoramento do museu. Caso a temperatura de um projetor saia do padrão, ele é desligado via software.
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Outra tecnologia notável usada para controlar o som do museu são os alto-falantes multidirecionais da fabricante americana SoundTube, capazes de restringir ou espalhar áudio com total precisão. Em estandes individuais, que mostram depoimentos de jogadores e jornalistas de todas as épocas, é usada uma estrutura que lembra um lustre pendurado no teto, que faz com que a voz dos entrevistados e o som das narrações fiquem restritos ao local onde o visitante está parado. Um passo para o lado, e o som desaparece.

Baggio eletrônico Ao fim da exposição, além de ver embaixadinhas do Ronaldinho Gaúcho em 3D e jogar futebol de botão virtual usando sua sombra, dá para bater um pênalti contra um goleiro eletrônico. No simulador, o visitante chuta uma bola real e o arqueiro eletrônico pula, se estica todo e tenta defender a cobrança. Para fazer isso, 36 sensores de movimento calculam a posição da pelota no começo e no fim do chute. A animação do goleiro é exibida em 30 quadros por segundo, e ele, se estiver na mesma direção da bola, pode praticar ou não a defesa. O mais curioso é que o Taffarel eletrônico sai para a bola escolhendo o canto aleatoriamente, como um goleiro de verdade.
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Software é o camisa 10

As imagens holográficas dos craques, o canto das torcidas e as mais de seis horas de vídeo das diversas salas do Museu do Futebol dependem muito de uma acanhada salinha escondida nos corredores do Pacaembu. É lá que os técnicos operam os dois programas que coordenam e monitoram a execução de todo o conteúdo multimídia do museu, além da iluminação e da temperatura de cada cantinho da exibição. Esse grande gerente tem o nome de Watchout e é produzido pela softhouse sueca Dataton. Ele é o responsável por tarefas que vão da sincronização dos vídeos até a intensidade e a posição das luzes.

Para adequar o Watchout às particularidades do Museu do Futebol, a KJPL precisou programar o aplicativo linha por linha. Usando uma linguagem própria, a plataforma mescla características semelhantes ao C, mas também tem um ambiente visual, para definição de detalhes de uma linha do tempo com o loop de exibição do conteúdo e o posicionamento das projeções. Embora seja muito complexo e competente, o Watchout é chefiado por outro software, o Manager, da francesa Medialon. Esse manda-chuva virtual controla os gastos de energia e a rotina para “ligar e desligar” o Museu. Ele é capaz até de descobrir as causas de possíveis problemas, como a falta de energia, usando um log com todas as informações centralizadas.

Para conferir ao vivo Local: Estádio do Pacaembu (portão principal)

Horários: de terça a domingo, das 10h às 18h (não abre em dias de jogos no Pacaembu).

Ingressos: R$ 6,00 (às quintas a entrada é franca)