Tão simples quanto o Google

Kátia Arima, da INFO 6 de novembro de 2008
Tão simples quanto o Google
É preciso eliminar os excessos para criar um serviço fácil de usar, diz Alexander Limi, especialista em interface do Google

Leia também:
Sites programados em Ajax e com animações em Flash podem parecer mais sofi sticados, mas nem sempre agradam a quem realmente interessa: o internauta. Essa é a opinião do norueguês Alexander Limi, 33 anos, especialista em interface do Google. Durante a entrevista a INFO, a palavra mais usada por ele foi justamente simplicidade. Formado em psicologia e ciência da computação, Limi é um dos criadores do sistema de gerenciamento de conteúdo de código aberto Plone e foi responsável por grande parte do código CSS, usado na construção da Wikipedia.
Veja, a seguir, o que Limi falou a INFO:

INFO
Dá para dizer que hoje em dia os sites são fáceis de navegar?
LIMI

De forma geral, os sites estão melhorando nos últimos anos já que as empresas começaram a focar em usabilidade. Elas perceberam que isso afeta diretamente o lucro e passaram a levar a questão a sério. Só que algumas vezes usa-se tecnologia demais, o que quebra a expectativa do usuário. Flash e Ajax são usados muitas vezes sem necessidade. O problema é que não há foco no usuário, no que ele quer fazer no site. E também não se testa o site suficientemente antes de levá-lo ao ar. A chave é manter as coisas simples.

As empresas têm medo da simplicidade?
Acho que sim, algumas vezes. Mas acho que o Google mudou essa percepção de simplicidade, pois ganhou dinheiro fazendo coisas simples. Mas ainda há muitos que exageram ao colocar muito conteúdo online. Simplicidade é uma palavra mágica, que significa tirar coisas mesmo que não tenha nada para tirar. Um exemplo de simplicidade é o browser Chrome. O Google removeu todas as funcionalidades que a maioria dos usuários não utiliza e focou em levar o usuário para onde ele quer ir na internet. Assim como o Google, a Apple segue o princípio da simplicidade, além de criar produtos atraentes.

Seu trabalho foi muito utilizado na construção da Wikipedia. O que faz o site ser fácil de usar?
A Wikipedia tem uma clara separação entre conteúdo e navegação e investiu muito em detalhes, como notas de pé de página. Mas não fui eu quem construiu a interface do usuário da Wikipedia, eles apenas adotaram meu trabalho como base e construíram coisas a partir dele.

Você acha que ainda é válido o conceito de bom senso para conseguir um bom design, defendido pelo especialista Steve Krug?
Sim, eu acho. Você obtém esse bom senso com experiência e fazendo muitos testes.

Com a banda larga, a tendência é de publicar menus em Flash. É possível criar uma página com esses recursos com boa usabilidade?
Quantas pessoas você conhece que realmente desejam ver um menu em Flash? Ninguém quer, então por que se insiste nisso? Porque não há foco no usuário. Beleza não tem nada a ver com Flash — na verdade, Flash é o oposto da beleza, quebra muitas interações e conceitos que as pessoas conhecem. Você joga fora mais de 20 anos de estudo sobre a interface do usuário quando constrói um menu ou barra de rolagem em Flash.

Que sites você citaria como bons exemplos de usabilidade?
O Digg.com é fácil para votar, comentar, encontrar as coisas. E o site do The New York Times (www.nyt.com) é um grande exemplo, ao oferecer densidade de informação sem parecer amontoado. Eles organizam gráficos sobre assuntos específicos, fáceis de visualizar.

O uso de dispositivos móveis para navegar na internet está crescendo. É necessário adaptar o site?
Não há como fugir disso, visto que o tamanho da página é completamente diferente. O Digg.com fez uma versão customizada do site para o iPhone (http://m.digg.com), que melhora a experiência em telas pequenas. É uma tendência.
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Tão simples quanto o Google

Kátia Arima, da INFO

6 de novembro de 2008


Sites programados em Ajax e com animações em Flash podem parecer mais sofi sticados, mas nem sempre agradam a quem realmente interessa: o internauta. Essa é a opinião do norueguês Alexander Limi, 33 anos, especialista em interface do Google. Durante a entrevista a INFO, a palavra mais usada por ele foi justamente simplicidade. Formado em psicologia e ciência da computação, Limi é um dos criadores do sistema de gerenciamento de conteúdo de código aberto Plone e foi responsável por grande parte do código CSS, usado na construção da Wikipedia.
Veja, a seguir, o que Limi falou a INFO:

INFO
Dá para dizer que hoje em dia os sites são fáceis de navegar?
LIMI

De forma geral, os sites estão melhorando nos últimos anos já que as empresas começaram a focar em usabilidade. Elas perceberam que isso afeta diretamente o lucro e passaram a levar a questão a sério. Só que algumas vezes usa-se tecnologia demais, o que quebra a expectativa do usuário. Flash e Ajax são usados muitas vezes sem necessidade. O problema é que não há foco no usuário, no que ele quer fazer no site. E também não se testa o site suficientemente antes de levá-lo ao ar. A chave é manter as coisas simples.

As empresas têm medo da simplicidade?
Acho que sim, algumas vezes. Mas acho que o Google mudou essa percepção de simplicidade, pois ganhou dinheiro fazendo coisas simples. Mas ainda há muitos que exageram ao colocar muito conteúdo online. Simplicidade é uma palavra mágica, que significa tirar coisas mesmo que não tenha nada para tirar. Um exemplo de simplicidade é o browser Chrome. O Google removeu todas as funcionalidades que a maioria dos usuários não utiliza e focou em levar o usuário para onde ele quer ir na internet. Assim como o Google, a Apple segue o princípio da simplicidade, além de criar produtos atraentes.

Seu trabalho foi muito utilizado na construção da Wikipedia. O que faz o site ser fácil de usar?
A Wikipedia tem uma clara separação entre conteúdo e navegação e investiu muito em detalhes, como notas de pé de página. Mas não fui eu quem construiu a interface do usuário da Wikipedia, eles apenas adotaram meu trabalho como base e construíram coisas a partir dele.

Você acha que ainda é válido o conceito de bom senso para conseguir um bom design, defendido pelo especialista Steve Krug?
Sim, eu acho. Você obtém esse bom senso com experiência e fazendo muitos testes.

Com a banda larga, a tendência é de publicar menus em Flash. É possível criar uma página com esses recursos com boa usabilidade?
Quantas pessoas você conhece que realmente desejam ver um menu em Flash? Ninguém quer, então por que se insiste nisso? Porque não há foco no usuário. Beleza não tem nada a ver com Flash — na verdade, Flash é o oposto da beleza, quebra muitas interações e conceitos que as pessoas conhecem. Você joga fora mais de 20 anos de estudo sobre a interface do usuário quando constrói um menu ou barra de rolagem em Flash.

Que sites você citaria como bons exemplos de usabilidade?
O Digg.com é fácil para votar, comentar, encontrar as coisas. E o site do The New York Times (www.nyt.com) é um grande exemplo, ao oferecer densidade de informação sem parecer amontoado. Eles organizam gráficos sobre assuntos específicos, fáceis de visualizar.

O uso de dispositivos móveis para navegar na internet está crescendo. É necessário adaptar o site?
Não há como fugir disso, visto que o tamanho da página é completamente diferente. O Digg.com fez uma versão customizada do site para o iPhone (http://m.digg.com), que melhora a experiência em telas pequenas. É uma tendência.