O mundo se rende à brasileira Lua

Bruno Ferrari, de INFO Online 11 de maio de 2009
O mundo se rende à brasileira Lua
Apesar de não ser tão famosa como seus “concorrentes” Ruby, PHP e Java, a criação brasileira possui uma reputação muito boa entre desenvolvedores de todo o mundo

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O que há em comum entre jogos dos mais avançados da atualidade, os set-up boxes de TV digital, o Adobe Photoshop Lightroom e a Wireshark, ferramenta de análise de rede muito usada em data centers? A resposta é um belo tempero brasileiro: a linguagem Lua, desenvolvida por três professores da PUC-RJ há 16 anos. Apesar de não ser tão famosa como seus “concorrentes” Ruby, PHP e Java, a criação brasileira possui uma reputação muito boa entre desenvolvedores de todo o mundo e tem como principais destaques o código extremamente simples e a sua portabilidade.

De acordo com Roberto Ierusalimschy, professor associado do departamento de informática da PUC-RJ, a Lua surgiu sem nenhuma pretensão, dentro do TecGraf, grupo de tecnologia formado numa parceria entre a PUC-RJ e a Petrobras. Ela foi criada a partir da necessidade de integração de duas outras linguagens, a SOL (Simple Object Language) e a Del (Data-entry language). Ambas eram usadas em projetos de engenharia da Petrobras.
Comentários
  • Nosso histórico de tecnologia é muito bom. Tínhamos uma interessante indústria de informática, que infelizmente foi naufragada no início dos anos 90 pela mistura arrasadora do Collor, a saber, abrir o (então protegido) mercado de informática nacional e AO MESMO TEMPO implantar um plano econômico de total recessão, deixando as empresas nacionais totalmente desarmadas para competir com as norte-americanas. Mas, nós que somos da área precisamos acreditar nessa vocação do Brasil. Embora seja verdade que uma das vocações mais bem-sucedidas desta terra seja a agropecuária, não podemos deixar ninguém nos convencer de que a única coisa que vale a pena fazer no Brasil é plantar soja, criar bois ou destilar álcool da cana de açúcar. Isso tudo é muito bom, mas não pode abafar o nosso ímpeto tecnológico e científico, que está por aí, fermentando em laboratórios, universidades, garagens e atrás de computadores nos quartos por aí. Ah, e parabéns ao pessoal da LUA, que seu exemplo continue a nos dar confiança e a nos inspirar.
    enviado por: Mauricio Walther Souza Guzzi em 12/06/2009 - 18:08
  • Onde conseguir o compilador para a linguagem, temos uma necessidade de aplicação que pode dar certinho...
    enviado por: Leandro Martini Chagas em 20/05/2009 - 15:34
  • É mesmo uma noticia animadora! :) o Brasil é um país fortissimo em tecnologia somos pioneiros em urnas eletronicas e agora em documentos digital, lider na america latina, falta mesmo é mais incentivo e apoio do governo e de grandes empresas...
    enviado por: bruno augusto em 17/05/2009 - 11:06
  • \o/.... isso me da mais orgulho ainda de ser brasileiro AAAaaaauuuuuuuuuuuuuuu Jacques Jefferson - fui acessar o site citado no seu comentário e meu Avast acusou vírus, sabe oq pode ser? http://perequeweb.wordpress.com
    enviado por: Daniel Sant´ana em 15/05/2009 - 10:40
  • É desse tipo de notícia que a info precisa, não twiter e iphone.
    enviado por: Yeah Baby em 13/05/2009 - 23:36
  • Eles podem não admitir, mas no World of Warcraft eu tenho certeza que toda a sistemática de "modulação" do jogo é administrada por scripts LUA
    enviado por: Paulo Munir em 13/05/2009 - 20:37
  • É muito importante que notícias como essa, desenvolvimentos como esses sejam mais divulgados, hoje o Brasil, pode tornar-se celeiro de grande desenvolvimento tecnológico a nível internacional, o maior problema entre tudo é a iniciativa privada e pública no ramo, com a tecnologia podemos implementar várias situações nas quais proporcionariam economia e ecologia. Devemos pensar quanto será necessário que soframos sem investimentos para depois então saber se começaremos a investir ou nao. www.homeseabra.com.br
    enviado por: Jacques Jefferson Leão Lima em 11/05/2009 - 18:09

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O mundo se rende à brasileira Lua

Bruno Ferrari, de INFO Online

11 de maio de 2009


O que há em comum entre jogos dos mais avançados da atualidade, os set-up boxes de TV digital, o Adobe Photoshop Lightroom e a Wireshark, ferramenta de análise de rede muito usada em data centers? A resposta é um belo tempero brasileiro: a linguagem Lua, desenvolvida por três professores da PUC-RJ há 16 anos. Apesar de não ser tão famosa como seus “concorrentes” Ruby, PHP e Java, a criação brasileira possui uma reputação muito boa entre desenvolvedores de todo o mundo e tem como principais destaques o código extremamente simples e a sua portabilidade.

De acordo com Roberto Ierusalimschy, professor associado do departamento de informática da PUC-RJ, a Lua surgiu sem nenhuma pretensão, dentro do TecGraf, grupo de tecnologia formado numa parceria entre a PUC-RJ e a Petrobras. Ela foi criada a partir da necessidade de integração de duas outras linguagens, a SOL (Simple Object Language) e a Del (Data-entry language). Ambas eram usadas em projetos de engenharia da Petrobras.
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“Começamos com dois grupos de seis pessoas que estavam utilizando a Lua, que nem tinha versão 1.0 ainda. Publicamos um artigo numa revista voltada a desenvolvedores. Na época, em 1997, a Lucas Arts não estava contente com a Scum, usada para o desenvolvimento de games. Foi então que Tim Schafer, criador do game Grim Fandango, leu o artigo e resolveu desenvolver o jogo usando Lua. Foi nossa primeira grande aparição mundial”, afirma Ierusalimschy.

O mundo dos games
O Grim Fandango foi lançado em 1998 e foi um dos grandes sucessos da época. A partir daí, a Lua passou a estar presente em jogos dos mais avançados. Ela é muito eficiente para criar roteiros dos games, servindo como base para a C++, que entra no design mais avançado. Só para ter uma ideia da lista de games “Power by Lua”: World of Warcraft, GTA IV, Crysis e Street Fighter 4. “O problema é que a competição tecnológica entre as empresas que desenvolvem os games é muito grande. Pelo nosso acordo de licença, basta às empresas citarem que utilizam a linguagem, mas não efetivamente onde estão usando”, diz o professor.
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A portabilidade é uma das principais vantagens da Lua. De acordo com Ierusalimschy, a linguagem não roda apenas em diferentes sistemas operacionais, mas também em dispositivos de todos os tipos, mesmo no hardware mais simples. “Ela pode rodar em um chip de um micro-ondas, ou um que controle robôs, passando por consoles de videogames e até computadores de alta capacidade”, afirma o criador da linguagem.

Tv Digital
Outra utilização da Lua que deve ganhar fama em breve é no Ginga, middleware que será usado nos setup-box de TV digital. Lá for a, decodificadores da Verizon e da Voodoo são equipados com a linguagem brasileira. Já o Sistema Brasileiro de TV digital deve ter opções de sistemas rodando em Java e em Lua.

Segundo o professor, a Lua é mais indicada para equipamentos menos sofisticados, e por isso com um preço mais baixo. O Java seria a melhor opção para aplicações mais robustas, com interação entre o sinal da TV e a internet. “Para programas mais complexos, acima de 500 mil linhas de código, é mais indicado usar o Java, que é uma linguagem mais robusta”, diz Ierusalimschy.
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Simples de aprender
O professor conclui ressaltando a simplicidade de se trabalhar com a Lua, que é baseada numa arquitetura modular: um núcleo que acessa informações de bibliotecas básicas. Segundo ele, qualquer programador com um nível bom aprende rapidamente como trabalhar com a linguagem.

O primeiro livro sobre Lua só foi publicado em 2003. Até então, os profissionais baixavam o código puro e usavam apenas o manual. Hoje há uma série de publicações que fala sobre Lua, incluindo um livro de mil páginas sobre o uso da linguagem no World of Warcraft. “Estamos na versão 5.1 da Lua, que ganha atualizações de três em três anos. Até o final do ano pretendemos anunciar a versão 5.2”, conclui Ierusalimschy.