Mashup nos negócios

Rosa Sposito - da INFO 25 de setembro de 2008
Mashup nos negócios
Antenadas com a Web 2.0, as empresas começam a mesclar aplicações

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Já pensou em usar um tipo de mixagem semelhante ao das músicas do hip-hop para criar aplicações, misturando informações e serviços de dentro e de fora da empresa? Pois é exatamente essa a idéia por trás do conceito de mashup (Site ou aplicação web que combina conteúdo de mais de uma fonte) corporativo, que explora o uso de recursos da web 2.0 e tecnologias como Ajax, PHP e RSS.

O termo mashup deriva da prática do hip-hop de mixar trechos de música e vem sendo empregado por diversos sites na internet, com o objetivo de combinar informações de várias fontes num único endereço. No ambiente corporativo, esse recurso traz uma visualização fácil e rápida dos dados espalhados pela empresa, e até fora dela, com informações vindas, por exemplo, de sites na web.

Uma das empresas que vêm evangelizando o conceito é a IBM, que testa em alguns clientes a versão beta do programa Enterprise Mashup. “É uma tecnologia de framework que utiliza serviços web e recursos wiki para ajudar a criar mashups que combinam serviços, ferramentas e informações externas em uma aplicação flexível e de baixo custo”, diz Rod Smith, vice-presidente da IBM para tecnologias emergentes (veja entrevista na pág. ao lado).
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Mashup nos negócios

Rosa Sposito - da INFO

25 de setembro de 2008


Já pensou em usar um tipo de mixagem semelhante ao das músicas do hip-hop para criar aplicações, misturando informações e serviços de dentro e de fora da empresa? Pois é exatamente essa a idéia por trás do conceito de mashup (Site ou aplicação web que combina conteúdo de mais de uma fonte) corporativo, que explora o uso de recursos da web 2.0 e tecnologias como Ajax, PHP e RSS.

O termo mashup deriva da prática do hip-hop de mixar trechos de música e vem sendo empregado por diversos sites na internet, com o objetivo de combinar informações de várias fontes num único endereço. No ambiente corporativo, esse recurso traz uma visualização fácil e rápida dos dados espalhados pela empresa, e até fora dela, com informações vindas, por exemplo, de sites na web.

Uma das empresas que vêm evangelizando o conceito é a IBM, que testa em alguns clientes a versão beta do programa Enterprise Mashup. “É uma tecnologia de framework que utiliza serviços web e recursos wiki para ajudar a criar mashups que combinam serviços, ferramentas e informações externas em uma aplicação flexível e de baixo custo”, diz Rod Smith, vice-presidente da IBM para tecnologias emergentes (veja entrevista na pág. ao lado).
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Aplicações em cinco minutos

A idéia da IBM é aproveitar essa flexibilidade da web 2.0 para permitir que os próprios usuários criem aplicativos para necessidades específicas, instantaneamente, sem precisar recorrer à equipe de TI da empresa — em geral, sobrecarregada. “O objetivo é que as aplicações possam ser criadas em cinco minutos”, diz Smith.

No ano passado, a IBM já utilizou os recursos da web 2.0 na construção de um site destinado a ajudar as pessoas desalojadas pelo furacão Katrina a encontrar novos empregos. Batizado de Jobs4Recovery, o site funciona como um portal de buscas que integra informações sobre oportunidades de emprego disponíveis em outros endereços na web — como HotJobs.com, Indeed.com e JobCentral. com. Ao digitar no campo de busca o tipo de emprego que deseja, o usuário recebe uma lista de opções, coletadas nos diversos serviços, com a indicação de sua localização no Google Maps. Smith afirma que, graças à facilidade das tecnologias da web 2.0, os programadores conseguiram colocar esse portal no ar em poucos dias.

Outro exemplo real de aplicação está na National Association of Broadcasters (NAB), associação internacional que reúne as emissoras de rádio e televisão. “Estamos trabalhando com a NAB para desenvolver mashups para a indústria de arte e entretenimento”, diz Smith. “Equipes de produção trabalham em colaboração em projetos específicos, em tempo real, usando recursos como Ajax, Atom e mensagens instantâneas. Com o Enterprise Mashup, da IBM, é possível conectar toda a equipe de pós-produção de um filme — som, efeitos especiais, edição etc. — em uma aplicação que os permite acompanhar a evolução do trabalho e os recursos usados, distribuir tarefas, gerenciar orçamentos e atualizar conteúdos.”

Até o fim do ano, a IBM espera ter 30 empresas participando do beta teste do Enterprise Mashup. Dependendo do retorno desses usuários, será definida a data em que a ferramenta estará disponível para todos — como um serviço de software ou uma aplicação baseada em PHP.
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Na cola do SOA

O mashup corporativo segue filosofia semelhante à do modelo SOA (Sigla de service-oriented architecture, arquitetura orientada a serviços), onde as aplicações são quebradas em componentes de serviços, que, por sua vez, podem ser combinados e misturados com outros serviços de acordo com as necessidades do negócio. Ambos permitem a reutilização de informações e de serviços já disponíveis para a criação de novas aplicações sob medida para o usuário. E isso pode simplesmente mudar o modelo de desenvolvimento de software adotado até agora nas empresas.
Para o instituto Gartner, as aplicações compostas, criadas a partir da combinação e da reutilização de informações, são um dos aspectos mais poderosos do SOA. Elas estão na base da estratégia da IBM e, também, de outros fornecedores de tecnologia. Entre outros exemplos, o Gartner cita a Microsoft, que está incluindo no Office 2007 ferramentas para a criação de aplicações compostas. Uma das primeiras iniciativas nesse sentido foi o projeto Mendocino, desenvolvido com a SAP, que coloca o Office na base dos serviços corporativos criados em plataforma SAP.

Programadores em massa A grande vantagem do mashup corporativo é dar ao usuário comum condições de desenvolver aplicativos, sem depender do pessoal de TI. É o que diz Rod Smith, vice-presidente da IBM para tecnologias emergentes:

INFO - Como as empresas podem usar o recurso de mashup em seus negócios?
SMITH - A tecnologia Enterprise Mashup ajuda a criar aplicações flexíveis e de baixo custo, utilizando tecnologias abertas como Ajax e PHP. Antes, era difícil para as empresas criar aplicações sem o envolvimento de profissionais de TI.

Quer dizer que não será preciso conhecer programação para desenvolver aplicativos?
O objetivo é permitir que os usuários finais, não técnicos, possam criar aplicações específicas em cinco minutos, com o mínimo de treinamento ou conhecimento de linguagens de programação. Eles poderão arrastar e soltar vários serviços web, como notícias, previsão do tempo e boletins sobre o trânsito, e mesclá-los com o conteúdo existente na empresa.

O modelo conhecido como SOA não oferece os mesmos recursos do mashup?
A diferença é que as aplicações mashup são criadas para situações específicas de negócio.

Em quanto tempo o conceito de mashup deverá estar incorporado à vida das empresas?
Acreditamos que o Enterprise Mashup seja adotado em escala dentro de dois a cinco anos.

Publicado originalmente na revista INFO de agosto de 2006