Os robôs vão virar geeks?

Michael Brooks, da New Scientist 12 de junho de 2009
BELA SZANDELSZKY/REX FEATURES
Os robôs vão virar geeks?
Cientistas querem criar robôs mais avançados em matemática para entender as habilidades lógicas do cérebro

O cérebro humano não funciona por mágica, portanto o elemento que induz o talento matemático de alguma forma deve ser aplicável às máquinas. É com essa linha de pensamento que Aaron Sloman, filósofo e especialista em inteligência artificial, anunciou seu plano de criar um robô matemático. Ele acredita ter descoberto um componente essencial para programar máquinas que sejam tão boas em matemática quanto os seres humanos — ou até melhores.

Sloman não quer criar um gênio capaz de ultrapassar as fronteiras do conhecimento. Seu objetivo é usar robôs para entender melhor de onde vêm as habilidades lógicas do cérebro. Esqueça as garçonetes androides e os robozinhos aspiradores de pó. Estamos falando de máquinas que podem gerar uma raça de cibernerds capazes de desenvolver fórmulas inéditas. Alison Pease, que estuda a filosofia da matemática na Universidade de Edimburgo, na Escócia, ensina computadores a efetuar operações matemáticas usando programas de inteligência artificial. Para ela, as máquinas seriam capazes de surpreender os programadores com seus insights.

A origem da abordagem matemática da inteligência artificial é um programa escrito por Simon Colton, que agora trabalha na universidade Imperial College, em Londres. O programa se chamava HR, em homenagem aos matemáticos Godfrey Harold Hardy e Srinivasa Ramanujan, e identificava curiosas sequências de números. Algumas das descobertas do HR foram inclusive publicadas — e HR, em vez de Colton, ficou com os créditos. “Sempre me refiro ao trabalho do HR em teoria numérica como matemática recreativa, mas o que parece insignificante se revela interessante”, diz Colton.
Comentários
  • Exelente matéria. Sou professor de Filosofia e técnico em Info. Venho escrevendo sobre a Filosofia Virtual (FOIP). E este matéria me ajudou como muitas outras lidas aqui. Sobre criar uma nova RAÇA, é com certeza o que está acontecendo. Sempre é valido ressaltar o grande PERIGO de tal decisão. Como o que esta proposto é uma evolução natural do Ser Maquina, semelhante a evolução do Ser Hunamo. Podemos, e acredito que veremos, uma real Guerra de Raças. Pois uma das Raças será superior a outra, ou no mínimo com direitos iguais. Aqui já se expressa uma CONQUISTA das Maquinas. É como nos filmes. Só receio que se chegarmos a este cenário a vitória não será nossa. Porém este tipo de hipótese está na área de teorias do Caos dessa nova Era em que a Humanidade mergulha. A Pós-Modernidade. Estes tipos de palavras e estudos feitos a partir da aceitação da criação de Maquinas que pensão é um dos traços da mudança de Era que estamos passando. Porem ainda somos Modernos, muitos já com pensamento Pós-Modernos, porém vivendo na Modernidade. Gostaria de ter acesso, se possível, às obras dos autores mencionados. Lennon Casaes http://casaeswifi.telmeworlds.sg
    enviado por: Lennon Casaes em 17/06/2009 - 13:11

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Os robôs vão virar geeks?

Michael Brooks, da New Scientist

12 de junho de 2009


O cérebro humano não funciona por mágica, portanto o elemento que induz o talento matemático de alguma forma deve ser aplicável às máquinas. É com essa linha de pensamento que Aaron Sloman, filósofo e especialista em inteligência artificial, anunciou seu plano de criar um robô matemático. Ele acredita ter descoberto um componente essencial para programar máquinas que sejam tão boas em matemática quanto os seres humanos — ou até melhores.

Sloman não quer criar um gênio capaz de ultrapassar as fronteiras do conhecimento. Seu objetivo é usar robôs para entender melhor de onde vêm as habilidades lógicas do cérebro. Esqueça as garçonetes androides e os robozinhos aspiradores de pó. Estamos falando de máquinas que podem gerar uma raça de cibernerds capazes de desenvolver fórmulas inéditas. Alison Pease, que estuda a filosofia da matemática na Universidade de Edimburgo, na Escócia, ensina computadores a efetuar operações matemáticas usando programas de inteligência artificial. Para ela, as máquinas seriam capazes de surpreender os programadores com seus insights.

A origem da abordagem matemática da inteligência artificial é um programa escrito por Simon Colton, que agora trabalha na universidade Imperial College, em Londres. O programa se chamava HR, em homenagem aos matemáticos Godfrey Harold Hardy e Srinivasa Ramanujan, e identificava curiosas sequências de números. Algumas das descobertas do HR foram inclusive publicadas — e HR, em vez de Colton, ficou com os créditos. “Sempre me refiro ao trabalho do HR em teoria numérica como matemática recreativa, mas o que parece insignificante se revela interessante”, diz Colton.
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Robôs no maternal


Antes de disputar as páginas das revistas científicas com mestres humanos, os robôs matemáticos precisam de uma base sólida e natural de conhecimentos. E o caminho para essa evolução está na mente dos bebês. Pode ser espantoso saber que o "conceito de transitividade das relações entre os pontos temporais" foi assimilado quando você usava fraldas. Por isso, em vez de perder tempo arquitetando um cérebro de um gênio adulto, o pesquisador acha melhor construir um robô que imite o cérebro de uma criança e deixá-lo seguir seu destino.

Esse método, no entanto, tem um problema. Como saberemos quais das nossas habilidades infantis nos preparam para uma vida de malabarismos numéricos? Provavelmente essa resposta será encontrada entre as habilidades de consciência espacial que as crianças adquirem em tarefas que desenvolvem a noção de que um carrinho empurrado para dentro de um túnel surgirá do outro lado. “Existem centenas, se não milhares, de exemplos de informações que as crianças absorvem empiricamente e que depois serão apresentadas como teoremas na topologia, na geometria e na aritmética”, diz Sloman.

Vamos aproveitar o exemplo do brinquedo atravessando um túnel. A partir de experiências repetidas como essa, crianças aprendem propriedades fundamentais das vias fixas. Dessa forma, aos três anos, elas conseguem segurar uma vassoura e caminhar por um corredor, virar e entrar em uma sala sem deixar que a vassoura se prenda na porta. É nesse momento que a mente matemática começa a se expressar. “O mecanismo que permite a uma criança agir dessa forma está relacionado com o que pode levá-la a ser um gênio matemático”, afirma Sloman.

Longe da linha de produção

Ainda há um longo caminho a percorrer até que Sloman possa fabricar seu robô matemático. Após catalogar as habilidades de crianças em diferentes estágios de desenvolvimento, ele precisa analisar as implicações matemáticas dessas habilidades e então representá-las com algum tipo de linguagem computacional. “A informação tem que ser traduzida para uma linguagem manipulável”, ele explica. A imensa dificuldade inerente à tarefa exige que ele, por enquanto, limite sua meta a demonstrar a relação entre manipulação espacial e os princípios básicos da matemática. Qualquer avanço seria um bônus. |quebra| Mas qual a possível amplitude desse bônus? Um robô matemático criaria algo relevante? “De todos os programas de pesquisa científicos e matemáticos que eu conheço, nenhum fez uma descoberta importante até agora”, afirma Alison. “Olhando com otimismo, isso significa que há uma longa jornada pela frente”, conclui a especialista.

Colton está convicto de que há motivos para acreditar que computadores podem produzir inovações matemáticas. “Programas de computador já geram teoremas úteis para a matemática”, ele exemplifica. “Nada surpreendente, mas estudantes e matemáticos comuns também não estão criando nada excepcional.” Ele e sua equipe estão convencidos de que computadores são genuinamente criativos. “Criatividade é uma palavra poderosa: as pessoas gostam de pensar que esse é um atributo só dos humanos”, ele comenta.