Emprego? O orkut pode queimar seu filme
Bruno Ferrari, de INFO Online 14 de novembro de 2008|
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Dependendo do ramo de atuação de um profissional da área de tecnologia, não se pergunta se ele está em alguma rede social, mas sim de quantas comunidades virtuais ele participa. E num cenário de massificação do acesso a banda larga no Brasil, as consultorias de recrutamento têm investido numa nova forma- simples e barata – de avaliar o candidato a uma vaga: fuçar em seu perfil virtual.
É um mal necessário. Se você está, precisa tomar cuidado para não “queimar o seu filme” com a empresa. Se você não está, pode ser visto como um futuro anti-social low-tech na companhia, coisa que ninguém quer. Então, como se portar diante das muitas opções que as redes sociais oferecem?
Segundo o consultor Vladimir Valladares, da V2 Consulting, as armadilhas estão espalhadas por toda a rede e as pessoas que estão pleiteando vagas devem ficar atentas. Ele lembra que se o candidato tiver fotos comprometedoras ou mesmo pertencer a comunidades que vão contra os princípios da empresa, provavelmente ele será descartado.
- Considero um crime as empresas usarem as informações de redes socias para avaliar candidatos. Será que as pessoas não têm mais o direito de serem autênticas, de serem elas mesmas, compartilhar com os outros sua personalidade, preferências e experiências? Tudo em nome da "boa reputação" e da possibilidade de perder uma boa oportunidade porque um "headhunter" fuçou no seu perfil pessoal?
Eu, particularmente, uso somente o Orkut para manter contato com meus amigos. Não tenho fotos e coloco o mÃnimo de informação possÃvel. Mas faço isso por opção e não critico quem escancara toda sua intimidade na Internet.
Tenho reparado nas matérias da Info e Você S/A (revistas das quais sou assinante) que há uma certa insistência nesta idéia de manter seu perfil "limpo" para o caso de algum possÃvel empregador visitá-lo.
Ora, a quem querem enganar? Ao mesmo tempo que dizem que a última moda é a diversidade nas empresas, ou seja, valorizam (pelo menos na teoria) a diversidade de idéias, culturas e experiências nas equipes, querem agora que as pessoas "se contenham" nas redes sociais, impedindo-as de exercer seu mais valioso direito: a liberdade.
Ainda sou a favor do modelo "antigo": avaliação pelo currÃculo técnico e um contato pessoal (sim, pessoal) para checar o perfil pessoal do candidato. O que importa se ele(a) faz parte da comunidade "Eu odeio meu chefe"? Com certeza a maioria das pessoas que entram nestas comunidades o faz apenas por descontração. Não é raro encontrarmos pessoas que participam de 100, 500 e até mais de 1000 comunidades. Logo se vê que nem elas próprias dão valor a isso.
Infelizmente, ainda não temos como provar que alguém foi eliminado de uma seleção pois seu perfil em alguma rede social foi considerado "inadequado". Pois, como já disse no inÃcio, deveria ser considerado um crime, passÃvel de punição severa, por discriminação.
Não é a primeira vez que vejo nas páginas da Info estes manuais de "boas maneiras no Orkut". Sei que esta revista é influente e formadora de opinião e, por este motivo, me preocupa imaginar que esta "moda" pode pegar entre os selecionadores (se é que já não pegou).
Sou amante da tecnologia, mas estou cada vez mais preocupado com o (mau) uso que estamos fazendo dela. Se continuar assim, onde vamos parar? A Internet, que chegou como a grande revolução do século XX, exatamente pelo fato de oferecer a liberdade que tanto buscamos, está se tornando a nossa própria cela.
Vamos parar com esta hipocrisia e aceitar as pessoas como elas são. Afinal, já está muito difÃcil encontrar profissionais qualificados, como estamos cansados de ver todos os dias nos noticiários. Será que vale a pena a empresa abrir mão de um talento apenas porque ele publicou em seu perfil as fotos da balada do último final de semana? Ou porque participa da comunidade "Eu odeio segunda-feira"? Ora, será que o consultor que o está avaliando ou o seu provável futuro chefe têm a segunda-feira como seu dia preferido?
enviado por: Willer Cristhian Coutinho Goulart em 14/11/2008 - 13:21

















