Crise: o mapa das demissões em TI
Bruno Ferrari, de INFO Online
27 de janeiro de 2009
Desde que começou a crise financeira mundial, no terceiro trimestre de 2008, o noticiário de tecnologia da informação reporta semanalmente os cortes de funcionários do setor. É difícil o caso de alguma empresa de grande porte no mundo que não tenha eliminado centenas, ou mesmo milhares de colaboradores.
De acordo com o blog TechCrunch, que está formando uma base de demissões relacionadas com a crise, entre o final do mês de agosto de 2008 e hoje, as empresas de TI mandaram embora mais de 220 mil funcionários. Só nos últimos 15 dias, foram quase 100 mil. Será que o profissional brasileiro deve ficar preocupado?
Tempos de crise geram uma incerteza, mas é possível assegurar que países como o Brasil estão mais blindados em relação a economias desenvolvidas – ao menos por enquanto. Há alguns exemplos que podem servir como termômetro: a Microsoft anunciou cortes de 5 mil pessoas na semana passada, 1,4 mil em caráter imediato. A notícia boa foi que nenhum cargo no Brasil foi afetado. Já o Yahoo! precisou dispensar 1,5 mil funcionários no mundo, mas a operação nacional foi afetada por apenas quatro cortes.
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No mundo
O maior – e talvez mais trágico – dos cortes relacionados ao setor de tecnologia foi o da Circuity City. A quebra de uma das principais varejistas de eletrônicos dos Estados Unidos colocou 34 mil funcionários na rua. E a lista continua: somente ontem (26/01), a Sprint Nextel mandou embora 8 mil pessoas e a Philips cortou 6 mil postos de trabalho. A Sun Microsystems teve uma redução de 1,3 mil funcionários; a Intel, 7,8 mil (em dois anúncios) e na Ericsson foram 5 mil. Todos estes na última semana.
Outros destaques ruins ficaram com a fabricante de componentes TDK, com 8 mil dispensas, a Motorola, que perdeu 4 mil trabalhadores, a Lenovo (2,5 mil), a EMC (2,4 mil) e a Dell (1,9 mil). A IBM não ostentou o título de Big Blue e demitiu 2,8 mil pessoas sem fazer alarde. Outro destaque foi a Sony, que anunciou corte de 8 mil pessoas no ano passado, fechando cinco fábricas do mundo. As demissões afetaram a operação brasileira da empresa japonesa em Manaus.
Aparentemente, Brasil está melhor
São poucas as empresas transnacionais que divulgam o número de cortes locais. Uma delas foi a LG, que dispensou 200 funcionários de sua operação em Taubaté, interior paulista. Os países emergentes tendem a ser preservados, pois costumam ter a mão de obra mais barata. A exceção no país fica com a Zona Franca de Manaus, que teve um número significativo de perdas.
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Outro segmento da TI que deve beneficiar o Brasil é o de serviços de TI. O foco das empresas são os investimentos em projetos de redução de custos operacionais, nos quais a tecnologia da informação tem papel fundamental. “Se você pegar o gráfico de evolução de desempenho econômico de países, ele é o inverso do faturamento de TI”, afirma Antônio Gil, presidente da Brasscom.
Com o Real desvalorizado, o país tem ganhado muito o mercado de exportação de serviços de TI, principalmente em offshore. Basta bater na porta de empresas como CPM Braxis, Stefanini, Accenture e Tivit para ver como a palavra ainda não bateu na porta deles.
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