Os arquitetos da web

Ana Lúcia Moura Fé, de INFO 6 de abril de 2009
Alexandre Battibugli
Os arquitetos da web
Carla Martins e Karin Althuon, da Ogilvy: aprendizado na prática, dentro da agência
Sobram vagas (e bons salários) para quem sabe como organizar as informações espalhadas pelos sites

Leia também:
No escritório do portal Globo.com, no bairro da Barra da Tijuca, no Rio, a desenhista industrial Christiane Melcher, de 29 anos, tem uma tarefa bem específica. Ela se dedica a eliminar os excessos e as inconsistências do site, para tornar a navegação mais fácil e organizar o conteúdo. “Eu sempre me preocupei com o ponto de vista do usuário. Motiva-me saber o que o atrai e o que o afasta”, diz. A capacidade de se colocar no lugar do internauta rendeu a Christiane a profissão de arquiteta de informação, uma área em alta dentro das empresas que investem em internet.

É um cenário promissor: não faltam vagas nessa área, e os salários podem chegar a 12 mil reais. Quem tem perfil para agarrar uma delas? A formação importa pouco. Há espaço para profissionais de áreas tão diversas como biblioteconomia, administração, design e jornalismo. Em geral, eles aprenderam tudo por conta própria, mergulhando na internet e em experimentações práticas.

Os arquitetos ficaram disputados porque os sites ficaram mais complexos e as empresas precisam de cada vez mais resultados na internet. Além disso, está mais difícil manter a fidelidade do internauta. “Muitas empresas já sabem que perdem clientes e acessos por problemas de usabilidade”, diz o consultor Guilhermo Reis, que dá aulas de arquitetura da informação nos cursos da JumpEducation e da Impacta, e em disciplinas de graduação nas faculdades ECA/USP e Unicid.
Comentários
  • Parabéns para a Carla Martins e para a Karin Althuon, ambas da Ogilvy. Espero ver em breve uma nova matéria referindo-se ao trabalho delas, como um Case de sucesso! Não sei se notaram, mas nas entrelinhas da matéria, esta implícito, que o inicio do trabalho delas partiu de uma iniciativa da área de negócios. Pois é, o IT não estava alinhado ao negócio e as diferentes Áreas remavam cada uma em uma direção diferente, procurando atender a própria demanda. Espero que o Board, que durante tanto tempo foi complacente com isso, apóie e forneça os meios necessários, para o novo IT Director Silvio Bogsan, alinhar o IT ao negócio, afinal, uma andorinha sozinha não faz verão. Enquanto isso, não vamos falar de Turnover, pois na Homologação na DRT, só haviam veteranos.
    enviado por: Flavio Ferraz em 13/04/2009 - 21:10
  • Olá Cid,bom dia! Gostei do seu comentário.Isto é colocar os pingos nos'is'.Embora, a nossa Língua - código linguístico - seja muito rica e dinâmica,tudo muda rapidamente,mas não é por isso que vamos complicar ainda mais a comunicação entre as pessoas que navegam 'de vento em poupa' desvendando truncadas informações que aparecem na rede...Então, o melhor é descomplicar,usar adequadamente as terminologias,pois o tempo urge e o campo para os bons design da informação está em alta...Parabéns!
    enviado por: Veralúcia Cogo em 07/04/2009 - 11:00
  • Interessante... Mas, se a atividade está relacionada diretamente com a organização da informação, de acordo com aspectos ergonômicos, creio que a denominação "arquiteto" não é a mais adequada. O Design é o campo de conhecimento que mais se aproxima desta atividade. Pra que gerar uma nova terminologia, quando já existe uma denominação? A área do design que atua diretamente nesta situação é o Design da Informação. Para mais esclarecimentos, sugiro uma visitada em www.sbdi.org.br. Cid D´Ávila
    enviado por: Cid D´Avila em 07/04/2009 - 02:07

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Os arquitetos da web

Ana Lúcia Moura Fé, de INFO

6 de abril de 2009


No escritório do portal Globo.com, no bairro da Barra da Tijuca, no Rio, a desenhista industrial Christiane Melcher, de 29 anos, tem uma tarefa bem específica. Ela se dedica a eliminar os excessos e as inconsistências do site, para tornar a navegação mais fácil e organizar o conteúdo. “Eu sempre me preocupei com o ponto de vista do usuário. Motiva-me saber o que o atrai e o que o afasta”, diz. A capacidade de se colocar no lugar do internauta rendeu a Christiane a profissão de arquiteta de informação, uma área em alta dentro das empresas que investem em internet.

É um cenário promissor: não faltam vagas nessa área, e os salários podem chegar a 12 mil reais. Quem tem perfil para agarrar uma delas? A formação importa pouco. Há espaço para profissionais de áreas tão diversas como biblioteconomia, administração, design e jornalismo. Em geral, eles aprenderam tudo por conta própria, mergulhando na internet e em experimentações práticas.

Os arquitetos ficaram disputados porque os sites ficaram mais complexos e as empresas precisam de cada vez mais resultados na internet. Além disso, está mais difícil manter a fidelidade do internauta. “Muitas empresas já sabem que perdem clientes e acessos por problemas de usabilidade”, diz o consultor Guilhermo Reis, que dá aulas de arquitetura da informação nos cursos da JumpEducation e da Impacta, e em disciplinas de graduação nas faculdades ECA/USP e Unicid.
|quebra|
Reis é autor de uma pesquisa de mestrado que confirma a onda. Seu estudo revelou que o turnover entre os profissionais é elevado e que o termo “arquiteto de informação” é o que aparece com mais frequência na descrição dos cargos. Realizada em 2006 e repetida em 2008, a pesquisa teve como universo os cadastrados na AIfIA-pt, a lista de discussão mais frequentada pelos profissionais da área. Atualmente, ela tem 948 cadastrados — estima-se que a categoria reúna não mais que mil profissionais no país.

Em 2008, houve oferta de pelo menos uma vaga por semana na AIfIA-pt, diz Reis. A demanda por arquitetos de informação se reflete no bolso dos profissionais. “O salário vai de mil a 12 mil reais”, diz Amyris Fernandez, professora de arquitetura da informação da Impacta. De acordo com a pesquisa de Reis, um arquiteto ganha em média 3 600 reais mensais, com variações que dependem do tamanho da empresa, da região do país e da experiência do profissional.

Espaço para os autodidatas

Os poucos cursos focados em arquitetura de informação foram criados nos últimos anos e a literatura em português ainda é escassa. Por isso, a maioria dos profissionais que está nessa carreira começou pesquisando na internet, experimentando e consultando livros estrangeiros. É o caso da jornalista Carla Martins, 27 anos, e da desenhista de embalagens Karin Althuon, 23 anos, ambas da agência de publicidade Ogilvy. |quebra| “Sempre fui uma heavy user. Entrava em dezenas de sites americanos, comprava livros e revistas estrangeiros e estudava sozinha”, diz Carla. Ela foi promovida há dois anos, quando trabalhava como redatora da agência. “A arquiteta pediu demissão e eu estava pronta para substituí-la”, afirma. Carla chegou a fazer o curso de Arquitetura de Informação em Projetos Web da JumpEducation, pago pela Ogilvy.

Karin, por sua vez, aprendeu tudo na agência. Nunca fez nenhum curso específico, assim como a maioria dos arquitetos de informação — 57% deles são autodidatas, segundo o estudo de Reis. Carla e Karin dizem estar satisfeitas com o salário atual, que não revelam por política da empresa. E nenhuma delas pensa em voltar para suas profissões de origem.

A carreira exige habilidades multidisciplinares, pois o arquiteto negocia com diversos setores da empresa. São recomendados, por exemplo, conhecimentos de técnicas de organização da informação, usabilidade, gerenciamento de projetos, webdesign, desenho de interfaces, linguagens web, programação e até de bancos de dados.

No mercado, há dois perfis de profissionais: o que atua em portais e agências, com ênfase em comunicação, e aquele com formação mais tecnológica. “Este último é mais raro. Atua em fábricas de software, desenvolvendo aplicações complexas que vão além da web, como internet banking, sistemas de gestão empresarial, portais corporativos e extranets”, diz Fabio Palamedi, 32 anos, arquiteto de informação e consultor do Uol. Segundo ele, o arquiteto é um cargo mais próximo do nível de gestão. “A evolução na carreira acaba levando o profissional a assumir cargos de gerente de produtos e de projetos ou coordenação de times”, diz.
|quebra|

Curso rápido ou pós?

Entre as opções de capacitação em arquitetura da informação, destacam-se a pós-graduação da Faculdade Impacta e o treinamento de curta duração de Arquitetura de Informação em Projetos Web, da JumpEducation, ambos em São Paulo. Para quem procura estudos mais avançados, a saída é fazer especialização em áreas relacionadas ou partir para mestrado ou doutorado, definindo a arquitetura da informação como objeto de pesquisa.

Os interessados devem levar em conta que tudo ainda está sendo construído nessa carreira. “É um trabalho gratificante, mas ainda não é encarado como uma profissão. É visto como uma atividade técnica, uma ferramenta entre várias na área de comunicação digital”, diz Bruno Rodrigues, professor de arquitetura da informação e autor do livro Webwriting — Redação & Informação para Web. “É claro que daqui a cinco anos tudo pode mudar.”

Onde Aprender

CURSO: Pós-graduação em arquitetura da informação LOCAL: Impacta Tecnologia (www.impacta.edu.br), em São Paulo (SP) MENSALIDADE: R$ 749,60 DURAÇÃO: 18 meses CARGA HORÁRIA: 400 horas + orientação de monografia

CURSO: Arquitetura de Informação em Projetos Web
LOCAL: JumpEducation (www.jumpeducation.com.br)
PREÇO: R$ 854
CARGA HORÁRIA: 16 horas/aula