A caça-talentos do Google

Bruno Ferrari, de INFO Online 6 de janeiro de 2009
A caça-talentos do Google
Yvonne Ageyi, que, entre outras funções, tem a missão de encontrar novos profissionais para trabalhar na empresa americana, fala com o INFO Professional

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O cargo dela até assusta. Yvonne Ageyi é diretora mundial de captação de novos talentos e responsável pela área de diversidade do Google. De passagem pelo Brasil, a executiva veio entregar um prêmio em Belo Horizonte a mulheres que disputaram o primeiro Women in Technology Award. Em entrevista ao INFO Professional, a caça-talentos conta como a empresa americana busca novos profissionais e quais áreas que estão em alta nas contratações do Google:

INFO Professional: Você veio ao Brasil para o primeiro Brazil Women in Technology Award. Como foi o evento?
Yvonne Ageyi: Reunimos em Belo Horizonte cem mulheres estudantes de diferentes universidades, que desenvolveram projetos de pesquisa baseados em tecnologias abertas. Selecionamos seis finalistas que participaram de dois dias e meio de workshops no Google. Uma das razões para fazermos concursos como este é ajudar na formação de comunidades, pois há um número pequeno de mulheres que cursam ciência da computação.

IP: E como foi a o clima entre as participantes?
YA: Elas ficaram muito empolgadas em saber o que cada uma delas está estudando em suas respectivas faculdades. As finalistas também passaram um bom tempo com dois professores membros da Sociedade Brasileira da Computação que deram suporte às pesquisas realizadas e apontaram algumas perspectivas para a carreira em ciência da computação.
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A caça-talentos do Google

Bruno Ferrari, de INFO Online

6 de janeiro de 2009


O cargo dela até assusta. Yvonne Ageyi é diretora mundial de captação de novos talentos e responsável pela área de diversidade do Google. De passagem pelo Brasil, a executiva veio entregar um prêmio em Belo Horizonte a mulheres que disputaram o primeiro Women in Technology Award. Em entrevista ao INFO Professional, a caça-talentos conta como a empresa americana busca novos profissionais e quais áreas que estão em alta nas contratações do Google:

INFO Professional: Você veio ao Brasil para o primeiro Brazil Women in Technology Award. Como foi o evento?
Yvonne Ageyi: Reunimos em Belo Horizonte cem mulheres estudantes de diferentes universidades, que desenvolveram projetos de pesquisa baseados em tecnologias abertas. Selecionamos seis finalistas que participaram de dois dias e meio de workshops no Google. Uma das razões para fazermos concursos como este é ajudar na formação de comunidades, pois há um número pequeno de mulheres que cursam ciência da computação.

IP: E como foi a o clima entre as participantes?
YA: Elas ficaram muito empolgadas em saber o que cada uma delas está estudando em suas respectivas faculdades. As finalistas também passaram um bom tempo com dois professores membros da Sociedade Brasileira da Computação que deram suporte às pesquisas realizadas e apontaram algumas perspectivas para a carreira em ciência da computação.
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IP: Por que você acha que há cada vez menos mulheres nos cursos de tecnologia?
YA: Isso é um grande problema que está ocorrendo globalmente. Nós não temos certeza de todas as razões, mas acreditamos que parte dos motivos está ligada à percepção da ciência da computação. As pessoas acham que o profissional resume-se a ficar o sentado em frente a um computador, programando durante 12 horas por dia, sem falar com outras pessoas, o que ao torna uma pessoa chata. Outro motivo é que a imagem que as pessoas fazem de uma pessoa da área de ciência da computação costuma ser de um homem. Então, quando as mulheres partem para decidir aquilo que vão estudar, elas não sentem uma conexão com esta área, elas não imaginam alguém como elas trabalhando com engenharia ou tecnologia.

IP: No Brasil, o percentual de mulheres em cursos de TI varia entre 5% e 10% do total. Qual é a participação das mulheres no Google?
YA: A quantidade de mulheres varia de acordo com cada um de nossos escritórios. Mas, de uma forma geral, é mais ou menos a média que nós temos nas universidades americanas, em torno de 18% de mulheres. Mas nós estamos tentando aumentar esta participação internamente e também nas universidades.

IP: Saindo um pouco do público feminino e focando em carreira. Quais as novas áreas em que o Google está procurando profissionais?
YA: Estamos buscando novas formas de conseguir acesso a informações. Então as novas áreas para nós são mobile, mapas e direções. Outros formatos de comunicação, como o vídeo, também estão ganhando cada vez mais espaço. Cinco anos atrás, era apenas uma coisa interessante. Hoje tudo está nos vídeos. É importante que os profissionais estejam preparados para trabalhar nessa realidade.
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IP: E como surgem essas “novas profissões”?
YA: As novas carreiras são novos modos de utilizar as tecnologias. Pegando a visão tradicional da tecnologia e aplicando em diferentes áreas. E as pessoas ainda nem sabem quantas oportunidades existem. Um exemplo. Aqui no Brasil, uma das ganhadoras do Brazil Women in Technology Award era estudante da área de biológicas. A pesquisa dela estava baseada em desenvolver tecnologias para criar imagens em terceira dimensão do corpo humano para que o médico pudesse saber detalhadamente o problema de saúde de seu paciente sem precisar fazer intervenções cirúrgicas.

IP: Em relação às linguagens? Em qual delas o estudante de ciência da computação deve se especializar?
YA: Eu não sou a pessoa mais técnica para te responder, mas posso dizer que estamos sempre procurando pessoas que saibam programar nas clássicas linguagens C, C++ e certamente o Java entra nesta lista. Outras mais novas como o Ajax também são desejadas.

IP: E como andam as buscas?
YA: Busca continua sendo nosso principal negócio e nós continuamos a investir em maneiras de melhorar nossos sistemas. Aqui no Brasil, por exemplo, nossa equipe de Belo Horizonte trabalha quase que exclusivamente em melhoras para certificar que o usuário realmente ache aquilo que está procurando e também para que ele encontre a informação certa antes mesmo de procurar.
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IP: Para finalizar, como o Google criou esta cultura de quase todo estudante de tecnologia querer trabalhar na empresa?
YA: A principal razão que nós identificamos fazendo pesquisas internas em todas as regiões do mundo é que as pessoas escolhem o Google por causa das pessoas com quem elas trabalham. São profissionais muito inteligentes, com muita energia, apaixonados pelo que eles fazem e apaixonados por tecnologia. Logicamente que a tradição de o Google ter um ambiente divertido para se trabalhar conta, mas a razão número um é realmente com quem essas pessoas vão trabalhar. A segunda razão é a possibilidade de se trabalhar em projetos muito interessantes. Imagine se você é um engenheiro ou desenvolvedor de produto e você irá desenvolver serviços que serão utilizados por milhões e milhões de pessoas e que vão de fato ter impacto na vida desses usuários.

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