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Intel vê risco de apagão de dados no Brasil

Por Felipe Zmoginski, de INFO Online
• Segunda-feira, 25 de julho de 2011 - 11h58
Getty Images
Redes de TV ocupam enorme espectro de frequencias, prejudicando expansão da banda larga sem fio

São Paulo - A Intel divulgou ao mercado e à imprensa um comunicado afirmando que um apagão de dados ronda o Brasil, caso a Anatel não libere novas frequências para exploração da banda larga no país.

O comunicado, assinado pelo diretor de assuntos corporativos da companhia, Emílio Loures, é uma reação da companhia à possibilidade de novo adiamento no leilão de frequências de 3,6 GHz, conhecida como Banda C estendida. 

A oferta das faixas se arrasta há mais de seis anos na agência reguladora e, recentemente, ganhou a oposição de redes de TV como Globo e Record, que alegam prejuízos à transmissão de sua programação via satélite, caso a faixa de 3,6 GHz seja

realmente leiloada para banda larga.

Na carta, a Intel critica duramente a transmissão de sinal de TV por satélite (e sua captação por antenas parabólicas), classificando a tecnologia como um “atraso”.

O argumento implícito da Intel é que as redes de TV deveriam investir mais para melhorar sua difusão dentro do espectro terrestre, sem precisar recorrer à transmissão via parabólica, que é paga pelos consumidores. O cidadão deveria receber sinal de TV aberta com qualidade gratuitamente e não ter que pagar por serviços de parabólica, fator que, entre outras coisas, restringe as frequências disponíveis para banda larga. 

Polêmica -  O leilão de frequências da Banda C vai liberar faixas muito próximas às usadas pela transmissão via satélite, o que na opinião das emissoras de TV causará interferência em seus sinais. A Anatel encomendou novos testes de uso das faixas e ameaça retardar mais uma vez os leilões até que se encontre uma solução para o problema.

“Procrastinar não é resolver, é impingir à sociedade brasileira mais atraso na oferta dos serviços de banda larga”, diz a Intel, na carta. A companhia tem interesse direto no leilão de novas frequências, em especial porque a Anatel prevê liberar as faixas para exploração de redes na tecnologia WiMAX.

A Intel é uma das empresas líderes no consórcio que apoia a tecnologia WiMAX, padrão de transmissão de dados sem fio que compete com as redes HSPA+ e LTE, uma evolução das redes 3G.  A intenção da Anatel ao liberar faixas para o WiMAX é criar mais competição entre tecnologias.

Na carta, a Intel alerta para o esgotamento da capacidade de tráfego de dados no Brasil e cita números da própria Anatel e da Cisco para demonstrar que, sem novas frequências e investimentos, haverá colapso das redes de dados no Brasil.

O tema é alvo de análise da agência reguladora, que não tem data para divulgar quando e se realizará novos leilões de frequência no Brasil.

Veja abaixo a íntegra do comunicado divulgado pela Intel:


Um “Apagão de dados” ronda o Brasil - Por Emilio Loures.

Notícias recentes sobre um provável apagão de antenas parabólicas atraíram bastante atenção. No entanto, essas notícias deixaram de tratar de uma outra forma de apagão, tão ou mais prejudicial para o país: o apagão de dados.

O que é, afinal, o “apagão” de parabólicas? Ao longo dos anos a TV aberta vem utilizando a faixa de 3,6 GHz via satélite (chamada Banda C estendida) para fazer a distribuição de sua programação. O início dos serviços de banda larga na faixa vizinha de 3,5 GHz causaria interferência na recepção da TV pelas parabólicas.

Então como resolver esse dilema entre a radiodifusão e os serviços de dados? A resposta: com bom senso. “Dados”, um conceito etéreo, nada mais é que conteúdo, igual ao conteúdo de voz e vídeo na radiodifusão. Todo conteúdo deve achar os meios para sua distribuição. No fundo, trata-se de um mesmo problema: como criar os novos meios para dar vazão ao crescimento explosivo no tráfego de conteúdo, independente do formato? Na América Latina, o tráfego IP deve crescer em média 50% ao ano até 2015, segundo recente pesquisa da Cisco.

Nas palavras do conselheiro João Rezende, da ANATEL, em 2016 teremos um déficit de cerca de 400 MHz em faixas para serviços de dados. Déficit que aumentará se somarmos os 200 MHz que estão em disputa na faixa de 3,5 GHz.

Um exame mais minucioso dos números de lares no Brasil com antenas parabólicas seria útil para aumentar a dose de bom senso na discussão.  Alguns propalam que há no Brasil cerca de 22 milhões de lares com parabólicas – estatística que não parece encontrar respaldo na realidade. Segundo o IBGE, são 57 milhões de domicílios no país, dos quais 10,8 milhões tem TV por assinatura (dados da TELECO), deixando 46,2 milhões de lares cobertos apenas pela TV aberta. Não é factível supor que quase 50% dos lares brasileiros dependem de uma parabólica.

Mas aceitemos que exista uma parcela importante de lares que necessitam de parabólicas. Por que um morador de um grande centro pode ter acesso livre à TV, enquanto outros precisam pagar no mínimo R$ 300,00 por uma antena e conversor de sinal? A TV aberta é então TV paga para cerca de 50% de nossos lares?

O fato é que a expansão da TV parece ter sido feita sem a montagem das infraestruturas terrestres de distribuição de sinais. Usou-se o satélite, que deveria apenas redistribuir sinais às afiliadas das grandes emissoras, para a radiodifusão direta aos lares brasileiros. E dessa forma, ela trombou com a faixa de frequência destinada para o uso de transmissão de dados. Sem aviso e aos poucos, quem quis acesso à TV teve que pagar por ele.

A faixa dos 3,5 GHz vem sendo estudada e debatida nos últimos sete anos, com duas resoluções determinando seu regulamento de uso. Esperava-se de que nesse horizonte de tempo o nó das parabólicas fosse desatado. Se tomarmos como marco o ano de 2006 (data prevista para o último leilão), são  já cinco anos em que nenhuma medida foi tomada para equacionar o problema.

Vendem-se parabólicas como nunca, onerando o cidadão, e não se montam as redes terrestres.

A prova cabal está nos 4,65 mil municípios do Brasil onde não há qualquer uso para a faixa de 700 MHz, de acordo com a ANATEL. É nessa faixa que teoricamente se deveria fazer a radiodifusão terrestre. Valeria inclusive a pergunta sobre onde se fará a TV digital no país. O que vamos digitalizar se as redes simplesmente não existem? Procrastinar não é resolver, é impingir à sociedade brasileira mais atraso na oferta dos serviços de banda larga.

Emílio Loures é Diretor de Assuntos Corporativos da Intel Brasil

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    comentários

    • Eu acho mt boa a intenção da Intel,so que aki no Brasil a mafia da rede Globo não deixa nd ir pra frente como sempre,por isso que o pais nunca muda nunca vai pra frente e não me venham falar que o brasil e um pais avançado pq não é, esta longe disso pode ser que daki alguns anos o Brasil possa ser visto como um grande Pais na area da tecnologia + por enquanto não chega nem perto de alguns paises,eu sou a favor do WiMax,e por isso que o pais nunca anda por causa do povo brasileiro que so sabe falar e reclamar,mais não faz nd pra acabar com essa corrupção no pais essa mafia.

      Elliton Fernandes • 06/08/2011 - 21:18
    • Não é a Intel quem quer vender seus produtos e querem que os outros se ferrem. É que a telecomunicação do Brasil está péssima e mal distribuída, e a sistema de TV deveria investir para que possamos ter um sinal com qualidade sem a necessidade de termos de comprar antenas parabólicas, afinal, são canais abertos, mas que infelizmente temos de pagar para podermos assistir os mesmos. E na minha opinião, a Intel está corretíssima em interferir nisso, pois o WiMax é uma tecnologia ótima para a transmissão de dados, é a evolução da 3G pessoal, até quando o Brasil vai ficar estagnado com essa banda larga de péssima qualidade que temos?

      Plínio Ramos • 26/07/2011 - 08:57
    • Não entendi assim... Entendi que será um avanço o que é proposto pela Intel... E acho que deve existir um meio delas coexistirem na boa... A qualidade e outros fatores que irá contribuir para a morte de uma delas, se este for o caso... Depois reclamam que aqui no Brasil a qualidade das comunicações é uma merda, pois quando existe uma luz no final do túnel pra coisa ficar semelhante ao encontrado nos países desenvolvidos, o pessoal entende errado e ainda reclama... Melhor ouvir a mercenária da Globo, que em época de campeonatos, por exemplo, não deixa outras emissoras disputarem de igual pra igual a programação, empurram o Galvão Boca de Bueiro e é isso... Assim fica fácil ser visto e bajulado por gente sem a capacidade de discernir o que é qualidade e o que é manipulação.

      Overbits Technology • 25/07/2011 - 20:16
    • Ou seja, a Intel quer vender o seu produto, e os outros que se explodam e se virem para ajustar seus sistemas já existente há muitos anos. Eles têm razão quando falam da péssima distribuição de TV aberta no Brasil, mas o produto que está com problemas é o da Intel, que interfere nos sinais dos outros sistemas.

      Carlos Azambuja • 25/07/2011 - 19:24
    • Ah, e tem mais, esse alegação de apagão de dados é pura lorota.

      Marcos Oliveira • 25/07/2011 - 16:40
    • Resumindo a posição da Intel: que se dane que usa parabólica no Brasil, quero o WiMax funcionando e ponto final. A partir de agora sou 100% anti WiMax.

      Marcos Oliveira • 25/07/2011 - 16:39

    comente

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