Falha em software quase derrubou avião da Qantas

Por Maurício Grego, de EXAME.com
• Terça-feira, 27 de dezembro de 2011 - 09h35
Divulgação

São Paulo — Em 7 de outubro de 2008, um Airbus A330 da companhia australiana Qantas fez dois mergulhos violentos em direção ao chão. A perícia dos pilotos – que desligaram o computador de bordo enlouquecido e pousaram o avião manualmente – salvou as 303 pessoas a bordo. Mas a montanha-russa aérea deixou um saldo de 110 pessoas feridas. Entre elas, 12 tiveram ferimentos graves e precisaram ser hospitalizadas.

Agora, as autoridades australianas liberaram o relatório final da investigação sobre o acidente. Entre outras conclusões, está a de que uma limitação no software foi a principal causa do comportamento suicida do computador de bordo. Mas os australianos também mandam um puxão de orelha para os passageiros. Mais de 60 deles estavam sem o cinto de segurança – e foram os que mais se machucaram. Esse fato deixa claro que vale a pena manter o cinto afivelado sempre que possível durante o voo.

O Airbus da Qantas voava de Singapura para Perth, no oeste da Austrália, a 11 mil metros de altitude. Inicialmente, o computador de bordo alertou sobre um problema com o sistema de elevação e iniciou uma subida de 90 metros. Os três pilotos começaram a verificar os instrumentos quando o avião mergulhou de repente, iniciando uma descida íngreme.

Os pilotos conseguiram recuperar o controle, mas passaram a ser bombardeados por uma série de alarmes, em geral falsos. Três minutos depois, o computador enlouquecido novamente iniciou um mergulho suicida. Foi preciso desligar os sistemas automáticos de voo e pousar o avião manualmente.

As falhas

O Airbus tinha, a bordo, três equipamentos conhecidos como ADIRU (air data inertial reference unit). Eles processam dados como altitude, velocidade do ar e posição da aeronave, que são captados por sensores. Esses dados são transmitidos ao computador de bordo e usados como base para o controle automático do voo.

O relatório da Agência Australiana de Segurança dos Transportes (ATSB) diz que a primeira da sequência de falhas que causaram o acidente aconteceu em um dos três ADIRUs. Ele começou a enviar dados incorretos ao sistema de controle. Isso não deveria ser um problema grave, já que o avião pode voar normalmente com apenas dois dos ADIRUs.

Em qualquer situação, computador compara os dados recebidos dessas unidades. Quando há alguma inconsistência entre eles, a máquina leva em consideração as informações recebidas até 1,2 segundo antes. Mas, aparentemente, ninguém previu um procedimento para o caso de dois ADIRUs mandarem dados intermitentes ao computador com intervalos de mais de 1,2 segundo. Foi o que provocou o acidente com o avião da Qantas.

Os passageiros daquele voo realmente tiveram azar. A ATSB diz que essa foi a única vez em que uma falha do computador de bordo assim foi registrada em 28 milhões de horas de voo dos Airbus A330 e A340. Outro evento extremamente raro é a falha do ADIRU. Isso só aconteceu três vezes em 128 milhões de horas de voo com aquele modelo específico de equipamento.

Atualização de software

A agência australiana também diz que, pouco tempo depois do acidente, o fabricante dos equipamentos liberou uma atualização de software que impede que esse problema volte a acontecer. Tem sido assim com muitos acidentes aéreos. Cada vez que um deles é investigado, as conclusões servem de base a aperfeiçoamentos que melhoram a segurança.

 

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    comentários

    • Só falta por a culpa no Linux, como sistema literalmente embarcado,rsrsrsrsrs...

      jricslima • 27/12/2011 - 16:59
    • Como assim puxão de orelha nos passageiros por estarem sem sinto de segurança? Após os procedimentos de decolagem os passageiros podem soltar os cintos. Quando o avião vai passar por uma área de instabilidade o comandante pede para apertar os cintos. O que aconteceu foi uma pane e como qualquer pane, não é possível prever quando ela vai ocorrer. Os passageiros foram os menos culpados por seus ferimentos. A Airbus tem um aparato tecnológico muito grande em seus aviões. Não sei até que ponto isso é bom ou ruim. Mas não gosto desta abordagem dela.

      Rodrigo Melo • 27/12/2011 - 16:12
    • Retificando, avariado os dois ADIRU ao mesmo tempo.

      jricslima • 27/12/2011 - 15:59
    • É simples resolver esse tipo de problema e se antecipar ás atualizações de segurança, é só colocar crianças e adolescentes como simuladores de pane na aeronave, com certeza uma delas teria desligado os dois ADIRU ao mesmo tempo.

      jricslima • 27/12/2011 - 14:03

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