Para especialista, SP poderia bloquear celular em cadeias

Por Augusto Garcia, de INFO Online
• quarta, 05 de dezembro de 2012
Wikimedia Commons
Presídio em Santa Catarina, onde os presos não usam celulares

São Paulo - O bloqueio total de sinal de celular em presídios é tecnicamente possível e já está em prática em algumas cidades brasileiras, como Joinville, no interior catarinense. De acordo com o vice-presidente da Associação dos Engenheiros de Telecomunicações (AET), Ivan Prado, é difícil entender as razões pelas quais celulares continuam funcionando nos presídios brasileiros.

Nesta terça-feira, dia 5, a Polícia Federal revelou que presos em São Paulo realizam conferências de até 10 horas de duração com até nove criminosos conectados em diferentes pontos do estado. A comunicação entre criminosos dentro e fora dos presídios permitiu, em 2006, a organização de uma megarrebelião que em 62 presídios de São Paulo e, este ano, a troca de informações entre criminosos permitiu ao crime organizado desencadear uma onda de violência que já matou mais de 100 policiais no estado.

Segundo Prado, equipamentos fabricados por empresas dos Estados Unidos e de Israel já permitem cortar o sinal de celulares. O fundamento usado para isso não é complexo. Alguns bloqueadores transmitem um sinal na mesma frequência dos celulares (entre 850 Mhz e 1800 Mhz) para que ocorra um conflito na transmissão de voz. Após a interferência do bloqueador, o sinal da rede móvel acaba cancelado.

Prado explica, no entanto, que o aparelho não consegue identificar o “portão” do presídio e, por isso, pode interferir também no sinal das regiões vizinhas. “Se você fizer um bloqueio em um ponto, é preciso imaginar que o equipamento vai cortar o sinal de uma área com raio pré-estabelecido, ou seja, nas redondezas do presídio haverá lugares em que os cidadãos comuns não vão poder usar seus telefones móveis”, acrescenta.

A Secretaria de Administração Penitenciária de São Paulo divulgou nota, hoje, afirmando que realiza testes com bloqueadores de sinal, mas ainda não conseguiram cortar o sinal de 100% dos aparelhos nos presídios. Em novembro, diz a Secretaria, o órgão testou a maleta GI-2, de fabricação israelense, para interceptação de sinal. Além de impedir a comunicação, o dispositivo identifica com precisão o número do aparelho e o chip que tentou acessar uma rede móvel. O aparelho tem custo de um milhão de reais e, em tese, seria necessário um para cada presídio do estado.

Na cidade de Joinville (SC), o Presídio Regional instalou em outubro um bloqueador que conseguiu, com sucesso, limitar o uso dos celulares de diversas operadoras. Inicialmente, houve temor de que a utilização do aparelho afetasse os moradores que vivem nos 50 imóveis no raio de 300 metros. O mesmo recurso já é usado em alguns teatros e cinemas, para impedir os espectadores de usar o celular durante os espetáculos.

Especialistas em segurança especulam que talvez a polícia paulista simplesmente não queira bloquear totalmente o sinal de telefonia nos presídios. Na verdade, ao monitorar as conversas de criminosos a polícia conseguiria prever ações do crime organizado e obter provas contra investigados. Por esta razão, haveria um controle “frouxo” do uso de celulares nas cadeiras.

Em nota, a Secretaria de Administração Penitenciária nega esta intenção e afirma que já apreendeu 8,3 mil telefones em cadeias paulistas nos últimos oito meses.

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