As cidades do futuro

Por Renata Leal, de INFO
• Segunda-feira, 23 de janeiro de 2012 - 10h31
Songdo, na Coreia do Sul, foi planejada para ser uma cidade inteligente e sustentável, baseada em tecnologia
São Paulo - Edifícios ultramodernos cortados por carros e ônibus que voam. Robôs que executam as tarefas domésticas. Água 100% reaproveitada.

Será que viveremos assim daqui a 30 anos? Provavelmente não. Mas diversos avanços esperados para um futuro distante já estão em testes em cidades planejadas, que funcionam como laboratórios de boas ideias a serem replicadas. Um conjunto de tecnologias desenvolvido por empresas como IBM, GE, Cisco, Philips, Oracle e Samsung tem ajudado as cidades a se tornar mais inteligentes, com transporte eficaz e menos poluente, edifícios verdes e energia renovável. As metrópoles entraram na mira das companhias de tecnologia porque se tornaram consumidoras em potencial de uma série de soluções criadas por essas empresas para enfrentar o caos urbano, resultado, principalmente, do crescimento desordenado e da falta de planejamento. Metade dos habitantes do planeta, que acaba de atingir a marca de 7 bilhões de pessoas, mora em áreas urbanas. Estima-se que em 2050 cerca de 70% da população viverá em cidades, o que representa um aumento de 1,4 milhão de pessoas por semana. “Esse crescimento causará uma mudança enorme nas cidades e na expectativa dos cidadãos sobre a qualidade de serviços como saúde, transporte, educação e gerenciamento de emergências”, afirma o indiano Guruduth Banavar, vice-presidente e chefe de tecnologia para o setor público da IBM.

O impacto ao meio ambiente já é enorme. Os 3,5 bilhões de habitantes urbanos consomem 75% da energia disponível e concentram 80% das emissões de gases que causam o efeito estufa. As megacidades são responsáveis por grande parte do consumo. “Elas se transformaram em um megaproblema, que afeta principalmente os países em desenvolvimento, onde estão cidades como Délhi, Istambul e São Paulo”, afirma Johnny Araya Monge, prefeito de San José, na Costa Rica. Com 2,3 milhões de habitantes, o município é visto como exemplo. Após revitalizar o centro, a administração local conseguiu fazer com que muitos habitantes que haviam se mudado para municípios próximos voltassem.

As megalópoles impõem grandes desafios a governos e seus habitantes. “Apenas 40 megacidades impulsionama economia mundial. Elas concentram um quinto da população e dois terços do PIB. São também as que geram mais inovação”, diz o arquiteto e urbanista Carlos Leite, professor da Universidade Mackenzie e da Fundação Dom Cabral. Ao mesmo tempo que atraem empresas e negócios milionários, as grandes cidades exigem atenção com as mudanças climáticas, a mobilidade urbana e os crescentes índices de desigualdade social. A boa notícia é que a tecnologia está aí para ajudar.

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