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Antropóloga estuda usabilidade do Ubuntu

Por Renata Leal, de INFO
• Quarta-feira, 29 de junho de 2011 - 11h14
Reprodução
Antropóloga Charline Poirier, da Canonical, veio ao Brasil observar como as pessoas usam tecnologia e o Ubuntu

São Paulo - Quando estava no começo de sua carreira no Vale do Silício, nos Estados Unidos, a antropóloga britânica Charline Poirier conversava muito com designers.

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Costumava ouvi-los dizer que se entendessem melhor os usuários poderiam desenhar melhor os produtos. Percebeu, então, que ao observar o comportamento das pessoas, suas atitudes e seu comportamento poderia traduzir as descobertas para os designers melhorarem os produtos. Agora ela veio ao Brasil estudar a usabilidade do Ubuntu e conversou com a INFO.

Info: Como é o estudo que você está conduzindo sobre a usabilidade do Ubuntu?

Charline: Na Canonical fazemos estudos de usabilidade, sobre o mecanismo do Ubuntu e os produtos da comunidade. Outra parte das pesquisas está ligada à inovação. Para isso uso métodos exploratórios para ver as pessoas em seu contexto. Vou à casa delas para entender como usam tecnologia e determinar como podemos inovar.

Info: Como é a pesquisa no Brasil

Charline: Há dois tipos de pesquisa aqui. O primeiro é de usabilidade. Recrutamos pessoas que representam grupos, mostramos a eles o Ubuntu, pedimos para realizarem determinadas tarefas e observamos o que eles fazem, o que não conseguem realizar, que estratégias usam para fazer algo no computador. Essa observação tem nos dado muitas ideias para mudar alguns pontos no design que temos, baseando-nos na usabilidade. Também tenho feito visitas às casas das pessoas para ver como elas usam tecnologia em geral, que aparelhos têm e em que contexto usam tecnologia. No final poderemos criar um produto para o Brasil em que as pessoas se reconheçam e não achem que ele pertence a outra cultura, usando-o apenas como uma ferramenta.

Info: Há  exemplos desse trabalho em outros países?

Charline: Estamos trabalhando assim na China. Lá a contextualização foi além da tradução para o idioma local, mas também acrescentou fatores culturais. É maravilhoso tentar entender como tornar um produto parte de uma cultura, de forma que as pessoas o compreendam intuitivamente. Quando elas estão fazendo algo no computador, há um fator emocional muito grande. Se são bem-sucedidas, é importante saber se elas se sentem confortáveis, orgulhosas de si mesmas. Info: Como você consegue relacionar o que vê na casa das pessoas com a inovação, para pensar a médio ou longo prazo?

Charline: No momento de pensar na inovação para o futuro temos que observar como as pessoas pensam nas coisas e como elas são relacionadas. Quando você faz uma pesquisa do ponto de vista do usuário percebe que ele vê o mundo de forma muito diferente. Ele faz conexões que as companhias geralmente não fazem. Olhamos o que os consumidores fazem como um quebra-cabeça e tentamos resolvê-lo com o uso do design. É um desafio, mas funciona. Nos anos 90 conseguimos identificar que as pessoas estavam interessadas em ser parte de uma comunidade. A ideia já estava lá e pudemos ver isso. Há formas de entender o futuro olhando para o comportamento atual das pessoas.

Info: E que você  consegue ver para os próximos anos?

Charline: No momento não sei. Não fiz pesquisas específicas sobre isso recentemente.

Info: Mas estamos nos tornando mais conectados, usamos mais plataformas móveis...

Charline: As coisas estão se tornando menores e mais baratas. Uma coisa que observei é que as pessoas têm um relacionamento emocional com determinados aparelhos. Isso é interessante. Hoje a tecnologia não é só uma ferramenta, é algo que se torna cada vez mais personalizável e individual.

Info: Do ponto de vista antropológico, que diferenças existem entre os usuários de Ubuntu e dos outros sistemas operacionais?

Charline: O Ubuntu, como sistema operacional, tem uma forma única e específica de organizar a lógica da interação com os usuários, que é muito diferente do Windows ou do MacOS. Tradicionalmente nossos usuários são pessoas que conhecem muito sobre tecnologia, apaixonados pelo tema. Agora temos mais usuários que vêm do público geral, menos avançados tecnicamente. As pessoas que mudam para o Ubuntu são muito atraídas pela filosofia do código aberto e realmente veem que ela pode ser um caminho para o futuro.

Info: Os usuários de sistemas de código aberto são mais engajados?

Charline: Eles sentem mais que o sistema é deles. O Windows é visto como uma ferramenta com um fim. Quem usa Mac sente que com o computador usa uma bela ferramenta, mas não no mesmo sentido do Windows. Com um sistema aberto, as pessoas percebem que a tecnologia é delas e que fazem parte de uma comunidade. Elas sentem que suas ideias são importantes e por isso se manifestam tanto em discussões.

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    comentários

    • queria que desse pra instalar os programas mais facilmente e que rodasse java e jogos de play 1 e play 2

      jefferson soares de morais • 14/08/2011 - 16:06
    • "Info: E que você consegue ver para os próximos anos? Charline: No momento não sei. Não fiz pesquisas específicas sobre isso recentemente." Ué, a usabilidade do Ubuntu não está associado ao fato? A magia do Linux é que usuários avançados, podem manipula-lo e exibi-lo como uma prancha de surf, nova estampa de camisa, um carro envenenado, uma pipa ou cafifa ao vento, um balão de várias formas e cores, etc...No caso da Canonical o camiho seria outro, direcionado a usuários comuns, deveria se basear em outra lógica, tipo: temos 5 dedos na mão, porque esta é a melhor forma para manipular objetos, pois nenhum de nós sente que sobra ou falta dedo, em todas as Nações, isso é comum. Basta a Antropóloga Charline Poirier, sentar-se em frente ao PC e observar a si mesma, para ter idéias de aperfeiçoamento e inovação.

      José Ricardo Souza de Lima • 05/07/2011 - 10:01
    • Acho muito difícil qualquer artigo ou mesmo reportagem sobre o Linux não provocar flamewars com trolls de todos os lados a falarem o que bem ou mal entenderem. A idéia de se estudar o usuário para melhorar a interface de programas é mais que normal. Isso é feito na MS há anos em "ambientes controlados" dentro da empresa e também contribui para o sucesso de seus produtos. O Ubuntu foi a primeira DISTRIBUIÇÃO a se dedicar aos usuários finais antes de lançar uma versão para servidores, está inovando ao mudar a interface do desktop para algo mais parecido com o smartphone se não tocamos no assunto do Google OS, o Sistema Operacional para aplicações em nuvem. A MS e a Apple tem a vantagem de estarem há muito mais tempo no mercado, a verem os programas que vendem como produtos, como um carro ou uma bolsa de grife. A maiorias das distros Linux são desenvolvidas e mantidas por grupos de programadores, hackers e outros usuários que gostam dos programas, criam suas personalizações e disponibilizam para outros usuários que quiserem. Com o Ubuntu é a mesma coisa, mas temos uma empresa grande por trás e pelo visto está engajada a melhorar a experiência do usuário com o sistema, mais ou menos como a Apple fez com o BSD no Mac OS X e como provavelmente a MS fará com o Win X. Windows, Linux, BSD, BeOS, Mac OS, qualquer que seja o sistema operacional que você usa exige que tenha um mínimo de conhecimento, como ler, escrever e distinguir formas e cores. Há quem estude muito o Windows, o Mac OS X, outro sistema operacional e ainda há os que estudam a todos. Estes "estudiosos" se tornam referência a outros usuários que o procuram para resolver problemas, indicar soluções, programas e periféricos que trabalhem melhor com aquele programa de sua preferência. O que o Sofware Livre nos dá é a Liberdade para usarmos o programa que quisermos, nos computadores que compramos para a finalidade que escolhermos e de lambuja ainda nos permite estudar esse programa, alterá-lo e redistribuí-lo com essas alterações, criando uma rede de colaboradores ou clientes se você tiver capacidade e visão para um empreendimento como a antiga Conectiva. Saúde e Paz a todos.

      Carlos Wagner • 30/06/2011 - 20:39
    • ao meu ver não é dificil usar linux hoje. ainda mais se tratando de uma distribuição como mandriva, mint ou fedora. o KDE já é similar ao windows e o Gnome é muito intuitivo. minha opinião: pra usar uma distribuição linux basta ter iniciativa e saber ler. por exemplo, no canto superior esquerdo do gnome tah escrito "aplicativos, locais, sistema". tem q ser muito estupido pra nao conseguir usar o sistema com algo tao facil assim.

      Rafael Machado • 30/06/2011 - 15:56
    • Pequena correção: Onde está "hardware DE própria Apple" o correto seria "hardware DA própria Apple"

      Max Soares • 30/06/2011 - 12:33
    • Marcos,isso é que é democracia! você ter a liberdade de usar o sistema operacional que quiser,antigamente não tinha opção,era Windows ou Windows. Lembrando que essa liberdade é gratuita se você usa Ubuntu e sua gama de aplicativos livres, o mesmo não podemos dizer dos outros sistemas operacionais mais populares,no caso do Windows,se o sujeito usa de graça é porque está pirateando e no caso do Mac,quem o usa de graça é porque roubou de alguém,já que Mac não é nada sem o hardware de própria Apple. Não é impressão sua não,o Ubuntu realmente é muitas vezes dissociado do linux,isso porque em nível mundial o Ubuntu foi a primeira distribuição linux a se preocupar com o usuário comum,leigo e desinteressado em pormenores do sistema operacional.

      Max Soares • 30/06/2011 - 12:30
    • Usei o ubuntu durante algum tempo (o vista era intragável), mas com a chegada do windows 7 o apelo do linux caiu muito, hoje não trocaria meu 7 pelo ubuntu (só pelo MacOS) uma coisa: só eu tenho essa impressão ou o ubuntu se tornou maior que o linux, quase dissociado?

      Marcos Rodrigues • 30/06/2011 - 00:35
    • Engraçado, minha mãe usa ubuntu 9.10 e em um ano ela só me ligou uma única vez para ajudá-la a ver um vídeo. Resolvido com um clique no botão direito do mouse. Ela é completamente leiga em informática, mas vê vídeos, ouve músicas e faz compras. Minha mulher usa ubuntu netbook remix (parecido com unity) e se vira nos trinta, nunca me pede suporte. Usa o picasa para melhorar as fotos que tira, passa mp3 pro celular e lá vai. Minha tia comprou um PC e eu instalei pra ela o que? Ubuntu, e ela mesma instalou a webcam, plug and play. Nunca me pediu suporte. A pergunta que fiz no primeiro comentário foi uma necessidade que eu vi, e considero de nível médio a avançado. Pro usuário leigo recomendo ubuntu!

      Drigotav Tav • 29/06/2011 - 18:50
    • Tiago Silva, sei a diferença. E como vc mesmo confirma... todos precisam estudar pra usar Ubuntu ou qualquer interface Linux... e é aí que ele morre pro usuário, pq se precisa estudar, é porque é diferente demais e nisso o WINDOWS leva vantagem. Vê ??? Precisa estudar pra usar ! O linux base (base do UNIX Óbviamente, utilizei muito nos anos 80, e vc tem qtos. anos?) e é seguro, escalável, BLÁ,BLÁ, BLÁ... e isso não interessa em NADA pro usuário... só a interface, e é disso que estou falando. O Ubuntu por exemplo, não encontra drivers pra todos os tipos de dispositivos não (como WIFI de notebooks por exemplo), e aí sugere um programa alternativo, que começa à reutilizar driver do WINDOWS, e que faz mais perguntas, e BLÁ-BLÁ-BLÁ... ou seja, não é esta maravilha que vc diz não. Não precisa estudar pra dar opinião... mas pra criticar deve-se ter critério.

      Marin • 29/06/2011 - 17:46
    • No meu trabalho uso Ubuntu e em casa Windows por causa dos jogos, Ubuntu não tão complexo quanto o pessoal diz, para usuários comum, acesso a internet, planilhas, edição de imagem e entre outros. Logico que existe programas que facilitam a vida pra quem desenvolve como o Dreamweaver "eu uso em caso" mais tem otimas ferramentes free como o Bluefish para o Ubuntu, que evite que fiquemos crackeando ferramentas no windows. Gosto muito do ubuntu e em questão de drivers, hj em dia já tah quase 100% resolvido. E no caso de conexões como a amiga "Marin" disse de usb. Ex. Tenho um Bluetooth qe no windows não funciona sempre fica pedindo drivers, enquanto no ubuntu só plugo e funciona normalmente. Ubuntu e ótimo e faz com que aprendamos mais do que ficar dando simples cliques.

      BARROSO E M O • 29/06/2011 - 16:17
    • Marin, pelo visto você não sabe a diferença entre Sistema Operacional, Linux, Gerenciador de Janelas, Kernel e etc. Sugiro que estude antes de fazer comentários falando desses temas. Para instalar um mouse USB no novo Ubuntu por exemplo, com fio ou sem fio, basta inserir o plug na porta USB e pronto. E assim funciona com milhares de outros dispositivos. O "Linux do Android", é o mesmo "Linux do Ubuntu", com algumas modificações realizadas pelo Google. A diferença maior está nas camadas acima do Kernel, como a camada de interface. A usabilidade já não é problema no Ubuntu faz tempo.

      Tiago Silva Loureiro • 29/06/2011 - 14:15
    • Drigotav.... desista. Como a própria Charline confirma na entrevista, o Linux/Ubuntu não é para o usuário comum, ou seja, já se conformaram que realmente o Linux foi um fracasso em usabilidade e aceitação no uso desktop dia-a-dia. O Linux sempre fez e sempre fará muitas e muitas perguntas técnicas ao usuário para instalar um mouse diferente... ou simplesmente compartilhar alguma coisa. Desista. Infelizmente nosso destino é o Windows...e louvar ao Bill Gates por pelo menos fazer a porcaria do Windows ser fácil e usável. Para usar o Linux no dia-a-dia mesmo... só ele for camuflado e você sequer der conta que ele está lá... como o Google fez com no caso do Android, onde o linux é apenas uma plataforma rasteira... porque na interação do usuário mesmo tem que ser outro software. Abraço. .

      Marin • 29/06/2011 - 14:03
    • Charline, eu gostaria de ter o seguinte no Ubuntu: quando quero compartilhar uma pasta de fotos por exemplo. Clico com o botão direito na pasta e depois no menu Opções de Compartilhamento. Só que então o Ubuntu instala o servidor Samba sem dar opção para NFS. Eu gostaria que nas opções de compartilhamento tivesse algo como: "Com outros PCs com Ubuntu" e "Com outros PCs com Windows e outros sistemas" Assim o usuário poderia usar o NFS se tiver apenas máquinas com linux. E no Ubuntu cliente uma forma amigável de mapear a pasta compartilhada. É claro que dá para fazer tudo isso com linha de comando, mas você não veio ao Brasil para isso...

      Drigotav Tav • 29/06/2011 - 12:41

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