Tecnologias verdes
Software prevê tempestades e pode salvar SP
INFO Online Segunda-feira, 19 de abril de 2010 - 16h01Alexandre Battibugli |
![]() |
Eymar Lopes: nova versão do software irá prever aumento do nível dos rios |
SÃO PAULO -Sistema do Inpe vai ajudar a evitar tragédias em enchentes e deslizamentos de terra.
A tragédia ocorrida no início do ano em Angra dos Reis (RJ), que fez 53 vítimas fatais, poderia ter sido evitada se os técnicos da Defesa Civil do estado do Rio de Janeiro tivessem à disposição o Sistema de Monitoramento e Alerta de Desastres Naturais (Sismaden), do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). O software pode enviar para celulares avisos sobre risco de desastres naturais. Se estivesse em uso na região, o aplicativo poderia ter cruzado informações sobre os 417 milímetros de chuva registrados de 30 de dezembro a 1º de janeiro com o mapa de vulnerabilidade do terreno de Angra dos Reis, e alertado as autoridades sobre o perigo. Eymar Lopes, coordenador do projeto e Ph.D em geofísica e meio ambiente do Inpe, explicou à INFO como funciona o Sismaden.
INFO - Como o Sismaden pode ajudar na prevenção de desastres?
LOPES - Esse software coleta dados do CPTEC/Inpe (Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos do Inpe) e cruza essas informações com os mapas de risco produzidos pelo Instituto de Pesquisas Tecnológicas do Estado de São Paulo (IPT). O Inpe sempre fez análises para avaliar quais áreas são vulneráveis a determinados desastres naturais. Mas são estudos estáticos. A proposta do Sismaden é analisar isso em tempo real.
INFO - Como ele funciona?
LOPES - Se um radar meteorológico tem novas imagens a cada 10 minutos, posso ajustar o Sismaden para buscar novos dados dentro desse período. Essas informações serão sobrepostas aos mapas de risco e submetidas à análise automática do sistema. Assim, por exemplo, se numa área onde há risco de deslizamentos já choveu 200 milímetros em 48 horas, e há a previsão de mais 100 milímetros de chuva nas próximas 24 horas, o Sismaden interpreta que a região está vulnerável a desastres. Dependendo da situação, as autoridades responsáveis por aquela área recebem notificações por e-mail, ou, nos casos mais graves, por SMS. Junto, vão informações detalhadas e mapas sobre esse risco. A Defesa Civil pode, então, decidir sobre ações de prevenção a ser realizadas no local.
INFO - Onde o Sismaden já é usado?
LOPES - Em dezembro, inauguramos o primeiro Centro Integrado de Alerta de Desastres Naturais (Ciaden) em Cabrália Paulista, na região de Bauru (SP). Nesse centro, teremos especialistas e técnicos da Defesa Civil que vão monitorar 24 horas os eventos ambientais das 39 cidades da região de Bauru usando o Sismaden. A ideia é ter outros Ciaden espalhados pelas regionais da Defesa Civil. Cada um deles fi cará responsável pelo monitoramento dos eventos locais. Estamos prevendo investimentos de 45 milhões de reais na implantação desses Ciaden. Temos também um projeto de incorporar uma tecnologia de análise em bases de dados distribuídas ao Sismaden. Assim, no futuro, será possível fazer alertas usando informações localizadas em servidores de diferentes instituições.
INFO - Como são feitos os alertas sobre enchentes e deslizamentos hoje?
LOPES - O CPTEC (www.cptec.inpe.br) divulga na internet informações como previsão do tempo, dados de radares meteorológicos e de pluviômetros. Ele avisa a Defesa Civil sobre as possibilidades de chuva em determinada região. No caso de Angra dos Reis, por exemplo, existia no início do ano a previsão de que, em 24 horas, cairiam 100 milímetros de chuva. No entanto, esse é um alerta climático. Não há nenhuma análise que concilie esse dado com a vulnerabilidade do terreno a enchentes ou desmoronamentos.
INFO - O Sismaden poderá ser adaptado para monitorar outros desastres naturais?
LOPES - Sim. Essa é uma tecnologia de alerta e monitoramento. É um software do tipo “caixa branca”. Não vem com modelos de análise prontos. Assim, dá para usá-lo com qualquer modelo matemático. Em Cabrália Paulista, um dos objetivos é monitorar incêndios nas áreas de reflorestamento. A ideia é usar imagens de satélite na faixa infravermelha para buscar focos de queimadas na região. O Sismaden vai analisar as chances de esses incêndios atingirem áreas de reflorestamento para, então, notificar as autoridades.
INFO - No futuro, as pessoas vão receber alertas sobre enchentes no celular?
LOPES - Sim, a intenção é fornecer informação a toda a sociedade pelo celular. Em alguns países, como os Estados Unidos, os moradores já recebem notificações sobre o risco de furacões. Na versão atual do Sismaden, consideramos que ainda é perigoso fazer isso. Precisamos de modelos matemáticos mais calibrados, além de mapas de risco atualizados anualmente.
INFO - Quais aperfeiçoamentos o Inpe pretende fazer no software?
LOPES - Estamos desenvolvendo uma versão mais avançada do aplicativo. Ela vai fazer simulações em cima dos dados coletados. Em Cabrália Paulista, por exemplo, poderemos simular a trajetória da queimada. Em São Paulo será possível prever quantos metros o nível do Rio Tietê vai subir com base nos dados sobre a chuva, por exemplo, e prever se haverá enchente.
INFO - Esses desastres tendem a se tornar mais comuns por causa do aquecimento global?
LOPES - Sim, com as mudanças climáticas teremos eventos ambientais extremos com mais frequência. O Brasil precisa se prevenir contra eles.
Últimas notícias de Tecnologias verdes
23/05/2012 - 11h54 - São Paulo terá sistema de aluguel de bicicletas
23/05/2012 - 11h46 - Inpe e Rede Clima lançam cartilha para a RIO+20
23/05/2012 - 11h06 - Peixe-robô monitora poluição do mar em tempo real
23/05/2012 - 10h40 - 4 pontos do Código Florestal que desagradam Dilma Rousseff
23/05/2012 - 09h19 - Estudantes pedem veto integral ao novo Código Florestal
-
Fazer um software é "a solução"... pffffff
enviado por: Michael Kwong Ho Pang em 19/04/2010 - 17:10





30
