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Tecnologias verdes

Os novos data centers verdes

Por Renata Leal, de INFO
• Terça-feira, 20 de setembro de 2011 - 10h10
São Paulo - O mundo está nas nuvens. Em formação há anos, a computação em nuvem deixou de ser uma tendência e já mostra que caminha, sim, para se tornar a inovação que vai definir a forma como armazenaremos informação nas próximas décadas. A mais nova contribuição a esse mundo nada etéreo foi dada por Steve Jobs, no meio de junho, ao anunciar o iCloud, serviço de armazenamento e sincronização de arquivos que coloca a Apple de novo na vanguarda. Para oferecer gratuitamente 5 GB de espaço na nuvem, a empresa conta com três centrais de servidores. A mais recente, localizada em Maiden, na Carolina do Norte, tem área de 46,4 mil metros quadrados, o equivalente a cinco campos de futebol, e custou estimados 500 milhões de dólares. Na apresentação do iCloud, Steve Jobs disse que essa central será “o mais verde possível”. A preocupação faz sentido. Os grandes data centers, que reúnem servidores com alto poder de processamento, são os novos vilões do meio ambiente, por consumirem 2% de toda a eletricidade gerada no mundo, com crescimento de 12% ao ano. Mas isso já começa a mudar.

Veja o caso do Facebook. Diariamente, cerca de 350 milhões de pessoas no mundo acessam suas contas na rede social de Mark Zuckerberg. Elas trocam mensagens, comentam notícias, fazem upload de fotos. A rede recebe mais de 200 milhões de imagens a cada dia. São números grandiosos, que exigem muito poder de processamento. Para dar conta desse movimento intenso, o Facebook inaugurou, há quatro meses, um centro de dados construído em Prineville, no estado do Oregon, nos Estados Unidos.

Com investimentos estimados em 215 milhões de dólares, a construção não lembra muito um data center tradicional, instalado em edifícios sem janelas, num cenário geralmente inóspito. O Facebook seguiu a linha das empresas sustentáveis e adotou medidas para tornar seu centro mais verde. Além de beneficiar o meio ambiente, a iniciativa ajuda a diminuir os altos custos de manutenção.

O data center do Facebook ocupa 14 mil metros quadrados e deve dobrar de tamanho até a metade de 2012. Ele não usa ar condicionado tradicional, um dos vilões da conta de energia. O sistema de refrigeração aproveita o ar natural, que passa por um processo de purificação e, se necessário, recebe umidificação para chegar aos servidores em condições ideais de temperatura (veja o gráfico). Com um processo natural chamado convecção, que mantém o ar frio embaixo e empurra o ar quente para cima, o sistema ainda permite reutilizar parte do ar quente que vem das máquinas na calefação dos escritórios do edifício. Com isso, o Facebook afirma que seu data center usa 38% menos energia para dar conta das mesmas tarefas e ainda pesa 24% menos no orçamento.

O projeto é tudo

Para usar o ar natural na refrigeração, o Facebook escolheu a dedo a localização do data center. A cidade de Prineville tem ar limpo, com baixa umidade relativa, pouca chuva e temperatura que no verão não ultrapassa os 40 °C. Os incentivos fiscais oferecidos se juntaram às condições climáticas e tornaram o projeto do Facebook um exemplo a ser copiado por outras empresas que pensam em reduzir ou eliminar o uso do ar condicionado. Essa replicação é possível porque o Facebook decidiu tornar públicas as informações da construção de seu data center, por meio do Open Compute Project . Assim, qualquer empresa pode adotar o modelo usado em Prineville, que obteve o selo ouro do sistema de certificação Leed, reconhecido mundialmente como sinônimo de práticas corretas com o meio ambiente.

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