Tecnologias verdes
O desafio de inovar e ser verde
Fernando Reinach, da EXAME Domingo, 14 de novembro de 2010 - 15h21Exame |
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Nenhum país até hoje ficou rico sem desmatar |
SÃO PAULO - O sonho se transformou em realidade. O Brasil virou uma grande potência agroindustrial, o país que mais pode contribuir para suprir a crescente demanda mundial por alimentos, bicombustíveis e produtos químicos renováveis.
Inovação e empreendedorismo foram os ingredientes do sucesso. Enquanto centros de pesquisa inovavam, agricultores transformavam inovação em riqueza. A agricultura migrou do Paraná para o cerrado, a pinga se transformou em etanol, que, transformado em polietileno, pode ser encontrado nas embalagens de refrigerantes.
O Brasil se tornou grande exportador de soja, açúcar, carne e suco de laranja — e muitos outros produtos se somarão à lista. Mas o sucesso não esconde os problemas a ser enfrentados.
O maior será equilibrar crescimento econômico e preservação do meio ambiente. Que fração do cerrado cobriremos com soja? Quantas hidrelétricas serão construídas na Amazônia? Quantos portos pipocarão ao longo da costa? Seremos capazes de conciliar o justo anseio de prosperidade com a necessária preservação dos ecossistemas?
Talvez o desafio mais agudo seja regular a expansão da agropecuária. Até hoje nenhuma sociedade foi capaz de conciliar a expansão de uma agricultura competitiva com a preservação ambiental. Na Europa, grande parte das florestas originais foi destruída.
Na América do Norte, quase toda a área agricultável já é explorada. A biodiversidade dessas regiões foi destruída num período em que ninguém pensava em políticas de preservação. O dilema e o ônus moral de conciliar conservação e produção de alimentos foram relegados a países capazes de produzir alimentos de forma competitiva.
Europeus e americanos não lidam com o problema de ter uma Amazônia pressionada por uma fronteira agrícola em constante movimento. Mas nós temos. Nossa agricultura está se expandindo durante o período histórico em que o homem descobriu a necessidade de preservar o meio ambiente.
Na procura do equilíbrio, teremos de abandonar duas visões igualmente radicais. A primeira é a que nega o problema ambiental, por preconceito ou esperteza. Muitos defendem, abertamente ou não, que a questão da preservação é secundária diante da oportunidade de progresso gerada pela crescente demanda internacional por nossos produtos.
O meio ambiente, nessa lógica, pode esperar. No polo radical oposto, temos a defesa romântica da natureza, buscando um passado que não existe mais.
Talvez o melhor exemplo dessa tensão seja a atual discussão em torno do Código Florestal, legislação que regula a expansão agropecuária. A lei é um dos pilares da preservação dos ecossistemas terrestres, pois regulamenta a fração e a localização da vegetação nativa que pode ser removida e substituída
pela agropecuária. Regula a ocupação do território, excluindo apenas parques nacionais, reservas indígenas e outras áreas protegidas. A versão original, de 1965, foi alterada diversas vezes. Uma nova versão está no Congresso e deve ser votada nos próximos meses.
Alguns ambientalistas tentam preservar a versão atual, que jamais foi cumprida, provocou o acúmulo de um enorme passivo ambiental e, pior, não protegeu a vegetação nativa ao longo das últimas quatro décadas. Parte do setor agroindustrial apoia o substitutivo que, na sua forma atual, tornará precária a possibilidade de preservação da vegetação nativa. Vale a pena entender um pouco as entranhas da lei.
Tanto na versão atual como no substitutivo existem duas classes de áreas que devem ser preservadas. A primeira são as áreas de proteção permanente (APPs), defi nidas pela geografi a de cada propriedade. São os corredores ao longo de rios, córregos e nascentes, áreas com alto declive e topos de morros. A segunda são as reservas legais, que independem da geografi a de cada propriedade e representam sempre uma fração fi xa da área. As reservas legais visam garantir que parte do ecossistema original seja preservada. A porcentagem da área a ser mantida como reserva legal é de 20% no sul do Brasil, chegando a 80% na Amazônia. A principal crítica ao sistema de reservas legais é que não existe um incentivo para o agrupamento das reservas em grandes blocos. É consenso entre ecologistas que a preservação da biodiversidade é mais efi ciente quanto mais extenso e contínuo for o bloco preservado. Em municípios onde predominam pequenas propriedades, as áreas de reserva legal (quando existem) constituem um salpicado de quadradinhos desconectados que pouco contribuem para a preservação do ecossistema original.
Reconstituição de matas
O princípio da lei parece correto. A separação das áreas em duas classes é uma inovação brasileira. Infelizmente, ao longo dos anos as diversas mudanças na lei, sua regulamentação desastrosa ou mal intencionada e a falta de fiscalização geraram um enorme défi cit de áreas de proteção e reservas legais. Para que as propriedades atuais se enquadrem na lei, grandes áreas produtivas teriam de ser restauradas ao seu estado original de vegetação.
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Pedro Pablo Calarge Esquivel • 15/11/2010 - 21:27
...os espaços não aconteceram... são 3 parágrafos...
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Pedro Pablo Calarge Esquivel • 15/11/2010 - 21:26
Crescimento com consumo consciente e lógico sustentável são metas reais hoje apesar que tudo isso só vai se tornar uma realidade de nível nacional se o Brasil em toda a sua estrutura incentivar uma educação política e social forte juntamente com todo o resto que hoje por mais aparente que pareça sofre com o descaso tanto do poder publico quanto pela própria população que não consegue tomar uma posição sobre o caso. Só vamos atingir o nível de qualidade de vida e consumo e produção sustentável na hora em que 100% da população estiver devidamente alfabetizada e consciente de seu papel no país até la essas serão noticias que somente a Info conseguira colocar no ar e que uma pequena elite ira ler, precisamos de formadores de opinião nas escolas ... Existem problemáticas como os Sem Terra que são o resultado da educação ineficaz sim porque são pedreiros,manicures entre outras pessoas que não estão agregadas a terra,e de gestões anteriores por que não tem a instrução necessária, um povo instruído exige mais de sua administração mesmo atolados de trabalho e estudos como muitos afirmam, até parece que somos condicionados em não falar de política e educação ou por incentivo ou por não sabermos falar destes assuntos.





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