Tecnologias verdes
Marmotas são afetadas pelo aquecimento
Paula Rothman, de INFO Online Quinta-feira, 22 de julho de 2010 - 15h55![]() |
SÃO PAULO – Um estudo de mais de quarenta anos mostra que as marmotas estão ficando maiores, mais saudáveis e numerosas por causa das mudanças climáticas.
Apesar de parecer estranha, a pesquisa é o resultado inédito de décadas de coleta de dados sobre uma única espécie, correlacionados com informações climáticas.
O estudo foi liderado por Kenneth Armitage, professor emérito da Universidade do Kansas, e ganhou a capa desta semana da Nature. Ele revela como as mudanças na duração das estações do ano podem simultaneamente aumentar o peso e a população de uma espécie.
A pesquisa começou em 1962 e, em todos os verões, a equipe registrava dados demográficos, como a idade, sexo, peso, quem sobreviveu e quem se reproduziu na população de marmotas de barriga amarela do Colorado. Na época, a ideia não estava relacionada ás mudanças climáticas, e os dados seriam voltados a outros estudos com os animais. Armitage também não pensava passar 40 anos no projeto, mas novas questões foram surgindo - fisiológicas, genéticas, etc...
Associando este incrível banco de dados com informações climáticas que vieram de uma série de pesquisadores internacionais, a equipe conseguiu estabelecer o crescimento das marmotas. O peso médio de animais adultos pulou de 3,1 kg no início do estudo para 3,44 kg na segunda metade dele.
O crescimento populacional saltou de 0.56 marmotas ao ano em 1976 para 14.2 marmotas ao ano entre 2001 e 2008.
A explicação dos cientistas é simples: o aquecimento resultou em derretimentos antecipado da neve, o que significa que as plantas aparecem mais cedo e as marmotas saem de sua hibernação antes. Dessa forma, os animais acumulam mais gordura, se reproduzem antes e os filhotes têm mais tempo de engordar para resistir ao próximo período de hibernação. As fêmeas em idade reprodutiva também sobrevivem mais.
Apesar dos resultados, o professor acredita que o crescimento das marmotas pode ser temporário; os cientistas acreditam que o aquecimento contínuo deve prejudicá-las a longo prazo devido a mudanças nos padrões de neve. O gelo prolongado na primavera aumenta a mortalidade e reduz a reprodução; por outro lado, com menos neve para regar as plantas, também haverá menos alimentos no verão para as marmotas.
Essas conclusões têm muitas implicações, especialmente para outras criaturas que hibernam.
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