Tecnologias verdes
Caçador de som ajuda o planeta e a Microsoft
Paula Rothman, de INFO Online Terça-feira, 30 de março de 2010 - 11h04Arquivo pessoal |
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Gordon Hempton, o homem que busca sons |
SÃO PAULO – Era uma noite chuvosa e ele acampava. A água era muita e caía sem dó na lona, os respingos ecoando na barraca. Trovoava. O vento gritava, por vezes longe, outras bem perto. E então, pela primeira vez na vida, aos 27 anos, ele percebeu uma coisa: podia ouvir.
A experiência de se conscientizar dos barulhos à sua volta foi tanta que, passados 30 anos daquela noite, Gordon Hempton ainda se admira com os sons que encontra no mundo. O americano, biólogo de formação, se autodenominou “Soundtracker” – literalmente o buscador de sons – e saiu pelo mundo gravando os mais diferentes lugares.
Nascido em uma base militar na Califórnia e pai de dois filhos adultos, Gordon há algum tempo chama a atenção da mídia – sendo perfilado inclusive pela Newsweek.
Antes de imaginar um hippie de meia idade que vaga sem rumo na natureza, preste atenção nos detalhes dessa história. O extenso arquivo de Gordon já foi usado por cientistas para definir as taxas de extinção de pássaros em regiões específicas do globo e melhor compreender a anatomia vocal de alguns animais. Suas gravações se transformaram em CDs e faixas vendidos online, geralmente com nomes como “O curso do amanhecer”, que retrata a experiência acústica durante um horário específico ao redor do globo. Essa principal fonte de renda já lhe garantiu um Emmy em 1992 – e também conhecimento sonoro suficiente para trabalhar recriando ambientes para gigantes como a Microsoft.
Se você joga MS Golf ou MS Train Simulator, por exemplo, saiba que foi ele o responsável pelos ruídos que tornam os games reais.
As três voltas ao mundo (e mais um punhado de viagens isoladas) fizeram de Gordon um homem mais consciente sobre os problemas da poluição sonora – mas foi o período de dois anos em que perdeu a audição e ganhou um zumbido no ouvido que o fizeram valorizar o que se tornaria parte importante de seu trabalho: o silêncio.
Defensor de legislações que preservem áreas naturais de barulhos artificiais, Gordon Hempton está longe de ser um ativista eco-chato: sua casa, por exemplo, tem equipamentos eletrônicos – mas ele prefere, muitas vezes, dispensar o laptop e escrever a mão.
De seu chalé em Salt Creek, nos arredores do Parque Nacional Olympic, no estado de Washington, ele falou a INFO Online sobre seu trabalho como “caçador de sons e silêncio”.
INFO-Você é um ecologista do som?
GORDON HEMPTON - Sim, eu defendo silêncio e defendo o som. Defendo nossos direito individuais porque acredito que as pessoas têm o direito ao silêncio e a ouvir o mundo ao redor delas.





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