Vídeos amadores esclarecem acidentes aéreos

Por The New York Times
• Segunda-feira, 21 de novembro de 2011 - 09h30
gordonflood.com/flickr

Nova York-Quando as máscaras de oxigênio caíram dos compartimentos de bordo do voo da Frontier Airlines, que partiu de Denver no dia 13 de outubro, Andrew Vos vestiu a sua e olhou pela janela. "Nós estávamos descendendo sobre montanhas", ele disse.

Pensando que o avião iria cair, Vos, um comerciante de 25 anos, ligou a câmera de seu iPhone.

"Se o avião realmente caísse e se chocasse contra as montanhas", ele lembrou mais tarde, "talvez o meu telefone sobrevivesse, e servisse como uma peça do quebra-cabeças".

O avião, no entanto, conseguiu retornar com segurança para Denver, e seu vídeo apareceu na CNN, na CBS e na Fox News.

Hoje em dia, Vos não é o único viajante que tem um impulso desses. Com mais pessoas carregando aparelhos como telefones com câmeras, eventos tanto benignos quanto desastrosos estão sendo gravados por civis e sendo vistos por um público mais amplo _ não apenas nos telejornais e na internet, mas também nas investigações de acidentes. E embora esses documentos possam ser uma dádiva para investigadores, eles muitas vezes podem ser também um fardo.

Vídeos de espectadores foram particularmente úteis na investigação do acidente aéreo de 16 de setembro, que matou 11 pessoas, incluindo o piloto, em um show aéreo em Reno, no estado americano de Nevada, especialmente porque o vídeo da câmera de bordo do avião não pôde ser recuperado. No passado recente, encontraram-se pistas em um vídeo feito por um turista retratando a colisão de um helicóptero e um avião particular sobre o Rio Hudson, em 2009, e nas gravações de áudio de um desastre aéreo em Palo Alto, na Califórnia, em 2010.

Segundo Joseph Kolly, diretor de pesquisa e engenharia do National Transportation Safety Board, quando uma ponte da estrada interestadual 35 desabou em Minneapolis, em 2007, matando 13 pessoas, uma foto tirada por um passageiro que sobrevoava a região de avião foi de vital importância. "Eu tinha uma foto da ponte antes dela desabar", ele disse, “e, portanto, pude ver onde o peso de cada massa estava, cada caminhão de concreto, para que pudéssemos ter uma ideia precisa da carga sobre a ponte."

No entanto, existe o risco de que os cidadãos documentaristas sobrecarreguem as agências do governo com todos os seus dados digitais. Nos últimos cinco anos, o conselho de segurança viu um aumento de 400 por cento de material recebido por seu laboratório de gravações. Extrair dados de centenas de tipos diferentes de equipamentos eletrônicos que não foram projetados como gravadores de dados de voo é um trabalho demorado e caro.

"Nós investimos muito dinheiro e esforço para desenvolver softwares que nos ajudem a realizar uma engenharia reversa desses equipamentos", disse Kolly.

Alex Talberg, um engenheiro australiano de segurança de voo, conhece bem quão demorado pode ser o processo de recuperação de dados. Quando um avião da Força Aérea Real da Nova Zelândia, sem gravador de dados de voo, caiu em 2010, Talberg passou seis meses penosamente extraindo dados de um sensor de movimento terrivelmente queimado. Seus esforços valeram a pena _ as informações ajudaram a determinar o que havia acontecido.

Em um encontro de investigadores profissionais de acidentes aéreos, em setembro, o Major Adam Cybanski, das Forças Aéreas Canadenses, mostrou um vídeo do YouTube de um F/A-18 Hornet desviando de sua rota e colidindo segundos depois que seu piloto foi ejetado da cabine. O vídeo era um entre três filmados por diferentes espectadores. Os pontos de observação diferentes ajudaram os investigadores, assim como um software de efeitos especiais usado por produtores de cinema, que possibilitaram que Cybanski determinasse o curso do avião em três dimensões.

"Podemos medir a altitude em um momento determinado porque podemos ver as características do chão e do avião, e assim podemos medir distâncias", ele disse.

Até mesmo um vídeo de um avião isolado em um céu sem nuvens pode ser usado para descobrir as posições dos comandos de voo, do trem de pouso e do piloto.

É claro que o uso de vídeo em investigações precede a era YouTube. Há quase duas décadas, Robert MacIntosh, consultor chefe para assuntos de segurança internacional da NTSB, estava investigando um acidente envolvendo um Boeing 767 da TACA Airlines que passou da pista de pouso na Guatemala. Segundo ele, a maior pista veio de um passageiro que gravou a aproximação e aterrissagem do avião e ofereceu seu vídeo a uma emissora de TV.

A diferença hoje em dia é o enorme número de pessoas que têm a capacidade de gravar praticamente qualquer coisa, em qualquer lugar e a qualquer momento. No conselho de segurança, a carga de trabalho quadruplicou, mas o número de funcionários não.

O desejo crescente dos passageiros de aviões de documentar digitalmente seus voos pode, paradoxalmente, criar novos riscos. O uso de equipamentos eletrônicos durante a decolagem e aterrissagem é proibido, porque os sinais podem interferir com os sistemas de voo. No futuro, segundo os investigadores, eles terão que considerar melhor se alguma traquitana de um passageiro teve alguma participação em um acidente. E se esse for o caso, disse MacIntosh, o trabalho poderia ser monumental. "Se temos um número de passageiros que dizem, 'Sim, vi a pessoa ao meu lado usando um telefone celular', teremos que começar a conferir de 50 a 75 aparelhos de celular", ele disse. "É um processo caro e demorado? Claro, mas não podemos deixá-lo de lado."

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comentários

  • Bem a foto deveria ser de um Iphone ... acho q esse celular da foto nem tem câmera... só um, detalhe

    Renan Aires • 21/11/2011 - 21:10
  • O pessoal não permite que se use o celular nem em modo avião. Que bobagem! Os americanos falam no celular em pleno vôo e nunca derrubaram um avião. Filmadora e câmera digital não geram interferência alguma, pois não tem chip de RF. E mais, outro dia o avião estava decolando e durante o anúncio do piloto eu ouvi o celular dele ou do co-piloto interferindo no áudio, fazendo aquele tãrãrã tãrãrã que as vezes toca no rádio do carro antes de receber SMS ou trocar de célula. E agora José? Piloto pode?

    Drigotav Tav • 21/11/2011 - 15:41

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