E em meio à enxurrada de fabricantes asiáticas que traçaram planos para atuar no país --como LG, ZTE e Foxconn-- a curitibana Positivo Informática, principal montadora nacional de computadores, deve apresentar seu tablet na próxima terça-feira, quando tem agendada uma entrevista coletiva de pauta não revelada.
O presidente da companhia, Helio Rotenberg, afirmou em agosto que "as lojas estarão repletas no Natal" de tablets da Positivo e se disse confiante nesse mercado. A Positivo leva vantagem por sua ampla logística nacional e contato próximo com varejistas, mas pode faltar espaço nas prateleiras para tantos modelos diferentes das fabricantes.
"A concorrência vai ser forte neste segmento", resume o analista Alex Pardellas, da corretora Banif.
Vinte e cinco empresas manifestaram interesse em montar tablets no país, segundo o Ministério da Ciência e Tecnologia. Essa disputa pelo consumidor --especialmente com o iPad, da Apple-- vai ser acirrada, o que colocará pressão sobre as margens da Positivo.
"Se você olhar para o mercado global, a Apple é totalmente dominante... Não vejo motivo para imaginar que no Brasil será tão diferente, uma vez que a Apple (através de sua fornecedora Foxconn) estará apta a produzir no país, podendo oferecer preço competitivo", destaca um analista que acompanha a Positivo e falou sob condição de anonimato.
"O tablet deve trazer um benefício de receita para a Positivo, mas a margem vai ter que ser baixa", acrescenta o analista, lembrando que os computadores da empresa já possuem margem bastante reduzida. A Positivo teve margem Ebitda ajustada de 2,8 por cento no segundo trimestre, depois da margem negativa de janeiro a março --mas ainda assim bem inferior aos 9,1 por cento de igual período de 2010.