O futuro do GPS

Por Fernando Valeika de Barros, especial para INFO
• Quarta-feira, 21 de dezembro de 2011 - 10h27
Com a concorrência cada vez mais acirrada dos smartphones, fabricantes de dispositivos para navegação, como a holandesa TomTom, se reinventam oferecendo mais tecnologia e serviços
São Paulo - Nunca foi tão fácil e seguro circular pelo mundo como hoje, seja de carro, de barco, de avião ou a pé. Guiado por 24 satélites no espaço, o sistema de GPS (Global Position System) está presente hoje em aproximadamente 204 milhões de aparelhos.

Eles atualizam constantemente a posição, a velocidade e a altitude e levam pessoas de um endereço para outro de forma precisa, mesmo que estejam em lugares completamente desconhecidos. Atualmente, 60% dessas máquinas têm o tamanho de um radinho de pilha, com antena embutida e a facilidade de captar sinais de pelo menos quatro satélites, que giram a milhões de quilômetros de distância. Assim, podem determinar a posição de um veículo, calcular o tempo mais rápido para chegar ao destino e colocar motoristas e pedestres na rota certa com precisão de 15 a 20 metros. Mas nem sempre foi assim. Por imposição dos militares do Departamento de Defesa dos Estados Unidos, a quem pertence a rede de 24 satélites geoestacionários que giram em torno da Terra, o sistema de GPS era propositalmente impreciso por razões de segurança. Há uma década, os sinais chegavam a um dispositivo de navegação com até 100 metros de imprecisão.

Entre cinco e dez vezes menores e bem mais fáceis de serem operados, os aparelhos de GPS ganharam conexão com a internet, monitor em três dimensões, opção de tela touchscreen e comando de voz, que, nos Estados Unidos, pode ser escolhida entre atores, cantores ou personagens como Darth Vader, do filme Guerra nas Estrelas. O conteúdo também evoluiu. É possível hoje saber se faz sol ou chove no destino, onde estão os postos de abastecimento com menor preço ou os restaurantes estrelados.

Apesar de toda essa evolução, os navegadores GPS portáteis, conhecidos por PNDs, a sigla em inglês para Dispositivo de Navegação Portátil, não vivem uma época de ouro. Estudo da consultoria sueca Berg Insight mostra que, turbinados por vendas em mercados emergentes como Brasil, China e Índia, os aparelhos GPS atingirão, no final deste ano, seu recorde de todos os tempos: 42 milhões de dispositivos vendidos em 12 meses. Isso é 5% mais do que no ano anterior e duas vezes e meia o total que circulava no mundo em 2006. Mas dificilmente esse recorde será novamente batido. Muito pelo contrário. Em 2015, a estimativa é que os navegadores não ultrapassem 30 milhões de unidades vendidas. “A tendência é que neste ano o mercado encolha entre 15% e 20% na Europa”, diz Harold Goddijn, presidente mundial da holandesa TomTom.

Ao lado da Garmin, baseada nas Ilhas Cayman, a TomTom é a principal empresa desse mercado desde a década de 1990. No ano passado, as duas companhias venderam dois terços dos aparelhos (34% para a Garmin, 31% para a TomTom), com a Mitac, de Taiwan (dona das marcas Magellan, Mio e Navman), fechando o pódio, com 8,2% do segmento. Hoje controlado por apenas três empresas, esse mercado já teve mais de uma centena de fabricantes concorrendo.

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