Enquanto você dorme

Por Renata Leal, de INFO
• Quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012 - 11h23
Jill Greenberg
Com a análise de um grande volume de dados, cientistas estudam os benefícios dos chamados sonhos lúcidos, em que a pessoa consegue interferir no roteiro de seus sonhos. Isso pode ajudar a resolver problemas e a lidar com memórias ruins e traumas

São Paulo - Quando criança, o bancário Márlon Jatahy tinha pesadelos frequentes. Em noites turbulentas, eram perseguições e mortes, numa rotina que durou dos 7 aos 10 anos. Certa vez, notou que seus pesadelos eram apenas sonhos e, melhor ainda, que poderiam ser controlados. “Sonhei que havia um assaltante me perseguindo em casa. Fugi para o sótão, acuado. Quando ele chegou, percebi que era um sonho. Virei o Hulk e com um murro fiz o bandido atravessar a janela”, diz Jatahy. Hoje com 36 anos, Jatahy é o que os cientistas chamam de sonhador lúcido, nome dado às pessoas capazes de ter algum nível de consciência durante o sonho.

Além de entender que não estão acordadas, elas são capazes de atuar e até de mudar o roteiro de um sonho. Atentos a essa capacidade, neurocientistas e pesquisadores dedicados ao entendimento do cérebro humano veem nos sonhos lúcidos uma ferramenta para compreender em detalhes como atua a consciência. O estudo desse tipo de sonho já aponta que é possível, por exemplo, encontrar respostas para problemas, superar pesadelos, depressão e até lidar melhor com memórias ruins, como as causadas por situações traumáticas.

A maior parte das pessoas tem pelo menos um rápido momento de lucidez em sonhos. Normalmente a reação natural é despertar. Um pequeno grupo tem sonhos lúcidos com mais frequência, até mais de uma vez por semana, de forma espontânea ou não. Mas é possível aprender técnicas que podem aumentar a ocorrência, por meio de sugestões antes de dormir ou por um método de incubação, usado, por exemplo, para a resolução de problemas.

Antes de dominar os sonhos é preciso entender o que acontece com nosso corpo quando dormimos. O sono humano tem vários estágios e representa, em média, entre 25% e 33% do tempo de vida. Duas das principais fases são o sono profundo e o sono REM (sigla em inglês para Movimento Rápido dos Olhos). É principalmente na fase REM que sonhamos. Ela acumula entre 20% e 25% do tempo que passamos dormindo. No sono profundo, os músculos relaxam, a temperatura corporal cai e a frequência cardiorrespiratória diminui. É o estágio de sono reparador. Na fase REM, registrada após a sexta hora de sono, o cérebro trabalha em ritmo intenso, como quando estamos acordados. “Os sonhos são uma forma de atividade mental”, diz Rosa Hasan, neurofisiologista do Laboratório do Sono do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo. Rosa explica que durante o sono profundo a área frontal do cérebro, responsável pela razão e pelo julgamento, realiza menos atividades. Por isso podemos fazer o que quisermos nos sonhos, já que há menos censura.

 

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Comentários

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  • já perdi a contagem de quantas vezes manipulei meus sonhos, sempre pensei q isso era normal, hoje estou vendo que nem todo mundo consegue isso. interessante, inclusive já consegui completar sonhos que não havia terminado em uma noite, já teve sonhos que demorei 3 ou 4 noites para termina-los, o interessante é que eu conseguia continuar do capítulo que parei e ir adiante, coisa de doido rssss já consegui assumir o controle neles várias vezes, um dos mais interessantes que tive foi o de conseguir voar, parecia real mas eu sabia que era um sonho

    André Medeiros • 22/02/2012 - 17:55
  • Até poucos anos atrás eu tinha muito sonho lúdico, principalmente na adolescência. Como eu tinha muito pesadelo, passei a tomar consciência de que aquilo era falso, e assim eu já me livrei de virar comida de tubarão, derrotei Fred Kruger, voei, fiz sexo... Tudo controlado por mim. A saber: o sexo tem efeito colateral. =D

    Geraldo Lins • 22/02/2012 - 17:08

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