Tecnologia pessoal
Artigo: Minha vida com o iPad
Dagomir Marquezi Quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011 - 09h55Maurício Medeiros |
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O papel está sumindo da leitura. E não está fazendo falta.
Há uns sete anos tenho falado (especialmente aqui na INFO) sobre leitura digital. Fui cricri, insistente. Quando decretei o fim iminente da era do papel (numa coluna recente), recebi muitos e-mails de leitores revoltados. Sempre insisti na mesma tese: a evolução é inevitável. Quando aparecesse o leitor eletrônico certo, ninguém seguraria a mudança. Ele apareceu.
No Brasil, o gatilho dessa revolução foi o iPad. Ele está sendo vendido nas lojas, com o preço inchado pelos impostos, mas dividido em 12 prestações. Na semana em que o iPad chegou às lojas, muitos órgãos de imprensa já estavam sendo distribuídos em seu formato. Não tem volta. Mais e mais publicações terão sua versão para tablets.
Se o meu exemplo servir como possibilidade futura, digo que ainda não me livrei do papel. Gosto de fazer anotações num bloquinho. Fiz há pouco tempo uma assinatura da Newsweek em papel, que chega (quase) toda semana num dia (mais ou menos) certo e passa pelo vão da porta da minha sala num plástico. Fora isso, e o que já tinha nas estantes, o papel está sumindo da minha leitura.
E não está fazendo falta. Não é provocação. É lógica. Ontem assisti ao filme A Rede Social. Gostei muito. Vim para casa, liguei o iPad e baixei o livro que deu origem ao filme por 15 reais. A edição em papel está na livraria do shopping por uns 50 reais.
Por uns 50 reais assinei três meses da revista The Economist. Paguei por 12 edições o preço de duas na banca. A de papel demora (com sorte) uns três dias para chegar. A eletrônica chega assim que é lançada em Londres, na madrugada de sexta. E além das revistas, o tablet guarda música e vídeo.
Na mesma tela retangular em que tenho lido meus livros, acesso também o TuneIn, um receptor global de rádio (2 dólares). Tem todo o complexo Google, relógios, despertadores, calendários, previsões do tempo, guias da cidade, redes sociais, guias turísticos, o mapa detalhado da Lua, guias de TV, bússola, mapas, GPS, horários de voos, bancos, internet... Tudo isso num único aparelho achatado, numa mochila, bolsa ou pasta. Dá pra competir?
Eu só não uso o iPad o dia todo por segurança. Ainda não dá para exibi-lo no metrô, na praça ou no banco. Essa vai ser uma conquista gradual. Numa noite dessas fui jantar sozinho. Havia duas garotas numa mesa, dois rapazes em outra, os garçons e o segurança. Tomei coragem e coloquei o iPad sobre a mesa. E pela primeira vez na vida consegui ler um livro com conforto durante uma refeição, de garfo e faca nas mãos.
De volta à minha casa, levo para o banheiro, para a rede, para a cama, para onde quiser. Não um livro, mas a biblioteca. Uma banca de jornais.
Até agora eu defendia a leitura digital só na teoria. Na prática, ela é ainda mais fascinante e lógica. Sei que posso receber e-mails de protesto de quem prefere o papel e toda a cultura ligada ao livro tradicional - incluindo os passeios por livrarias. Deixo claro que respeito quem prefere este caminho. Ou não teria as paredes cobertas de livros. Vivemos uma época de profundas mudanças. Acredito que podemos conviver perfeitamente com nossas diferenças.
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Alex da Silva • 16/02/2011 - 11:44
Desculpe @ ALISSON EUSTAQUIO DA SILVA, mas devemos ser realistas, essa história de livros, muitos universitários, eu pro exemplo, uso arquivos em PDF dos livros que uso, ou seja isso não é exclusividade de tablet e muito menos foi tablet que trouxe essa novidade, isso já vem com notebooks a muitos anos, e vale lembrar que beleza as arvores serão preservadas mas..... ______________________________________________________________________ ______________________________________________________________________ Junto com a modernidade vem mais problema, como lixo tóxico, pois pode crer tanto um Notebook e um Ipad possuem metais pesados, partes de derivados de petróleo, tintas tóxicas, etc e no mundo a um grande problema de descarte e reciclagem de lixo. _________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ Conclusão : esse seu comentário “ ... Já os tablets, sim, são uma evolução positiva... ” Positiva para quem ? Para o usuário ? Pois vale lembrar que o usuário é o mesmo ser humano que um dia irá jogar ele fora ( Notebook / Ipad ), irá virar lixo, se o mundo não mudar, isso irá ou melhor vai contaminar solo, rios e até mesmo o usuário que o jogou fora. ______________________________________________________________________ E ssa evolução positiva que vc sugere não existe tanto para um notebook e para um ipad, ou seja não adianta em nada EXALTAR algum produto e não avaliar o impacto que ele gera no mundo, apenas avaliando se ele irá trazer vantagem ao usuário, e não avaliando as desvantagens. Não sou cético ao Ipad, sou realista.
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Gaspar Abril Vianna • 16/02/2011 - 11:35
Concordo plenamente que o papel está com os dias contados. Obviamente não vai "acabar", mas de um modo geral vai virar, para muitas mídias, um certo "artigo de luxo". Provavelmente até deixar de existir em determinadas "encarnações" (como publicações se tornando exclusivamente digitais). Só tenho algumas reservas a afirmação de que o leitor "certo" ja existe. A leitura no iPad para quem tem o hábito diário de leitura "pesada" (muitas e muitas páginas de conteúdo) não é das melhores experiências. Para revistas e leitura "leve" se presta bem ao trabalho. Mas ao ficar muito tempo nesta atividade, a vista pede socorro sim. Para leitura mais pesada, o Kindle e demais aparelhos com a tecnologia e-ink são perfeitos, mas estes contam com a limitação de não reproduzir cores. Hoje tenho mais prazer de ler digitalmente no Kindle do que a mesma publicação em livro físico. É mais leve, portátil, simples de fazer antoações ou buscas e ainda dicionário integrado para esta ou aquela palavra obscura. No iPad resevo revistas e jornais para uma degustação mais comedida. Acho que o leitor "certo", pelo menos para ávidos leitores como eu, ainda está por vir. Se um dia tivermos um e-ink não apenas com a capacidade de exibir cores realmente vibrantes, mas também apresentando um contraste e resolução similares aos de uma boa revista teremos o leitor "certo" em mãos. Mas o caminho é este e estamos realmente próximos.
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Cláudio Allão de Azevedo • 16/02/2011 - 11:28
Srs, quem tem iPad pertence à nata da sociedade brasileira. Só a elite tem esse gadget. Ficar falando de um apetrecho que custa 3x o salário mínimo brasileiro como se fosse algo trivial. Pelamordedeus.
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wagner venturin • 16/02/2011 - 11:16
Isso já é uma realidade, esta de parabens Dagomir Marquezi pelo artigo, concordo em tudo, ainda não possuo um tablet, mais faço isso no meu notebook e netbook, mais sinto muita falta do tablet, pois quase tudo que tenho e assino são em formatos digitais, muito pratico rapido para consultar, anotar , rascunhar enfim sem comparação com cadernos , bloquinhos e livros.
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Luigi locatelli • 16/02/2011 - 10:34
Mas e como que anda a disposiçao de títulos de livros em Português? Andei pesquisando e não obtive muito sucesso em localizar os livros que queria. Quais são as lojas mais completas de ebooks em português por enquanto?
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ALISSON EUSTAQUIO DA SILVA • 16/02/2011 - 10:23
Concordo; a leitura no "formato" papel já não é mais cômoda! Nem de fácil transporte, imaginem um estudante de Administração como eu outrora: um livro de Adm Financeira + um livro de Logística + um livro de Marketing, sendo, tudo nas mãos, pois, não há mochila que caiba.... Nessa rotina, durante uma semana, não conseguia sequer mover meu braço durante um sábado todo! Já os tablets, sim, são uma evolução positiva, inclusive quanto a consciência ambiental, quantas árvores serão poupadas por deixarem de lançar Livros em papel? Quanto de lixo deixará de ser gerado? Isso é importantíssimo! Taí, uma tecnologia que apareceu em boa ora! Precisa apenas, ter seu custo reduzido para tornar-se mais acessível!





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