Tecnologia pessoal
Artigo: Agregador é isso aí
Sandra Carvalho, do Portal EXAME Quinta-feira, 21 de outubro de 2010 - 10h52Alexandre Battibugli |
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Com o Flipboard, misturar conteúdo alheio vira forma de arte.
Para quem achava que a mágica do Twitter estava em juntar as pessoas em torno de 140 caracteres, vem aí uma boa oportunidade de pensar duas vezes no assunto. Um aplicativo de iPad feito por uma startup da Califórnia, que estreou em julho, vira essa lógica pelo avesso. E, de quebra, começa um novo capítulo na era dos agregadores.
O Flipboard mantém intacta a proposta de rede social do Twitter, mas joga seu look espartano e sua concisão feroz no lixo. Transforma os 140 caracteres do texto dos tuítes em peças de uma revista social multimídia visualmente arrebatadora. As fotos e as palavras, antes escondidas, pulam na tela do iPad como se tivessem sido pensadas desde o início para se integrar numa revista só. Uma revista única, porque é montada para cada pessoa com base no conteúdo do seu Twitter individual. O layout das páginas é feito e refeito a cada minuto, à medida que se renovam os posts.
Com o Facebook, o Flipboard faz a mesma coisa, com a mesma eficiência e o mesmo impacto. Mas já que o Facebook se presta mais a relacionamentos pessoais, o resultado é uma mistura de revista de notícias com álbum familiar. Nos dois casos, basta pegar o iPad, fazer o login com as senhas das redes para ter sua revista social personalizada, a custo zero. Duas revistas, uma para cada marca. Ou muito mais que duas, porque dá para fazer uma revista para cada perfil do Twitter ou Facebook.
No lançamento, em julho, a procura pelo Flipboard foi tanta que não deu para a Flipboard, a empresa dona do aplicativo, atender a todo mundo. Agora a coisa aparentemente entrou nos trilhos.
Mesmo para quem não quer nem saber de Facebook ou Twitter, o Flipboard tem uma proposta interessante. Um exemplo: oferece uma versão de revista social do site AllThingsD, do Wall Street Journal, tocado por Walt Mossberg, o guru de tecnologia pessoal dos executivos. O aplicativo ainda exibe estrelas da mídia como The Economist e FastCompany, e seleções temáticas com nomões como New York Times e BusinessWeek. Tudo grátis.
Como a oferta de iPads ainda é limitada, não é tanta gente que já usa o Flipboard. Mas o estrago que o aplicativo tinha de fazer no status quo dos agregadoress já foi feito, pois não depende do número de seus usuários. O Flipboard passa por cima da distinção entre o conteúdo produzido pela indústria da mídia e o conteúdo gerado pelos usuários de forma radical. Põe lado a lado marcas concorrentes. Ao justapor pedaços desconexos de informação na mesma página praticamente em tempo real, ele leva a fragmentação da informação ao extremo. Tangencia questões de copyright com muita cara de pau. Nada disso é inédito na internet, é claro — a novidade trazida pelo Flipboard ao mundo dos agregadores é que tudo isso é feito, pela primeira vez, com uma beleza notável, e com uma interface irresistível.
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