A crise do 3D

Por Juliano Barreto, de INFO
• Segunda-feira, 26 de dezembro de 2011 - 13h09
Previsto para estrear em julho de 2012, o filme pensado para o formato 3D pode repetir o sucesso de Avatar
São Paulo - O diretor James Cameron, maior responsável pela transformação dos filmes 3D em febre cultural, graças ao seu Avatar, de 2009, também é o autor da frase que descreve de forma mais dura e realista o cenário atual do cinema em três dimensões: “Os estúdios tomam a decisão da pior maneira, pagando uma empresa para processar o filme numa máquina de moer carne e criar um falso efeito 3D, uma bagunça em 2,5D”. Para entender o ponto de vista de Cameron é preciso tirar os óculos especiais e ignorar o aparente otimismo da indústria. Cerca de um ano e meio após a chegada das primeiras TVs 3D ao mercado, os maiores fabricantes do mundo ainda penam para escapar da falta de conteúdo com qualidade no formato tridimensional.

Se, no começo, havia a promessa sobre transmissões esportivas ao vivo e torrentes de filmes Blu-ray chegando, hoje o discurso oficial versa sobre a suposta qualidade das conversões da programação 2D para 3D e sobre a esperança de que gadgets como câmeras digitais e celulares capazes de capturar imagens em três dimensões tornem-se tão populares a ponto de justificar a compra dos televisores, para exibir as imagens.

No ritmo atual de vendas, as TVs 3D alcançarão apenas 21% dos lares até o final de 2012, de acordo com estimativa da consultoria SNL Kagan. “Essa tecnologia ainda tem um grande caminho pela frente. Hoje, o foco está nas TVs conectadas e o 3D faz parte de uma lista de outras características presentes nos aparelhos”, afirma José Fuentes Molinero Jr., vice-presidente da área de eletrônicos de consumo da Samsung.

Para os produtores de conteúdo, o negócio também passa por um momento de reflexão. Os longas filmados de modo convencional e convertidos para 3D na fase de pós-produção não empolgaram tanto quanto Avatar – e sua bilheteria de 3 bilhões de dólares. O truque de relançar títulos antigos no formato também não agradou muito. Mas isso não significa que filmes em três dimensões estejam enterrando dinheiro. A consultoria IHS mostra que o lucro global com filmes em 3D foi de 6,1 bilhões de dólares, valor nada desprezível, embora represente 19% do total movimentado pela indústria do cinema.

“O número de estreias em 3D triplicou em relação ao ano passado.Mas nem todos eram blockbusters”, diz Ricardo Szperling, diretor de programação da rede Cinemark. “A febre passou. O 3D por si só já não é novidade e, com o número maior de salas, os filmes ficam mais tempo em cartaz, o que evita aquela corrida aos cinemas, como em Avatar.”

 

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