Considero a Declaração Universal dos Direitos Humanos uma importante conquista da humanidade. É um documento que data de 10 de dezembro de 1948. Interessante revisitar esse documento nos dias de hoje. Parece “óbvio” o que lá se diz, mas essa obviedade, infelizmente, não corresponde à realidade em muitos e muitos lugares do mundo. Lembrei-me dela ao ler uma recente pesquisa encomendada pela BBC cobrindo 27.000 adultos em 26 países, Brasil incluído, relativa ao acesso e uso da internet.
Algumas coisas que chamam a atenção: 4 em cada 5 adultos considera o acesso à internet um direito fundamental, e vê a internet como um espaço que lhes dá mais liberdade. No caso brasileiro, essa avaliação chega a 96%. Vale ler a pesquisa porque ela fala do que entusiasma as pessoas, e daquilo que as preocupa – em geral fraudes e privacidade. Contudo, fica claro que a internet se apresenta como um território para exercício de direitos fundamentais do Homem.
E pensar que ainda tem gente que sataniza o uso dos computadores e da web…
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sexta-feira, 12 de março de 2010 -
10:29
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O Brasil é um pais curioso mesmo. Enquanto as classes populares abraçam entusiasmadamente o celular e a internet, de outro lado parece haver uma intelligentsia tupiniquim que vê nos computadores uma ameaça à real “condição humana”. Incrível nao? Pois é isso que concluo do artigo “Onde a internet vai parar”, publicado no caderno Aliás do Estadão de 17/01/10. O Sr. Jose Paulo Cavalcanti escreve, dentre outras coisas a seguinte pérola: “quantos de nós passamos noites inteiras na companhia dessas máquinas que só respondem o que lhes perguntamos? Sem mais tempo para encontrar os amigos. (…) Estamos começando a viver o mundo terrivel do futuro”. Uma coleção de clichés reacionários que não contextualiza historicamente os meios digitais até para que se possa fazer a sua necessaria critica. Segue o link (infelizmente fechado).
Esse reacionarismo tecnológico vem a reboque de uma visão romantizada, ingênua do que é a “aventura humana”. Tudo se passa como se em algum tempo tivéssemos conhecido a Felicidade e a Paz, vivendo em harmonia com a Natureza. Bobagens.
Pessoalmente não faço o gênero “poliana com prozac” (otimismo idealista) em relação a nada muito menos em relacao à chamada “vida digital”. Sou daqueles que pensa que revoluções tecnológicas e científicas vem sempre embarcadas num quadro de mudança econômica e cultural, de mudança de mentalidades. Por isso não faz sentido olhar para o futuro com os óculos nostálgicos do passado.
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segunda-feira, 25 de janeiro de 2010 -
16:25
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Meu amigo GB me contou como decidiu pela operadora de celular 3G assim que chegou a SP: foi no site da Anatel conferir qual das operadoras tinha menos reclamações contra ela. A estória é simples, trivial, porém muito reveladora dos desafios da comunicação publicitária nos dias presentes.
GB não decidiu com base em preço, promoção ou ainda na atratividade das peças publicitárias. Ou seja, não decidiu pelo viés positivo da imagem da operadora, mas sim pelo viés negativo. Mais precisamente, ele decidiu por quem era menos ruim.
Qual é a moral da estória: houve um tempo em que os anunciantes tinham a prerrogativa de falar de si, suas ofertas, benefícios e diferenciais. Mas então chegaram os meios digitais, as redes sociais, e o consumidor vem pouco a pouco descobrindo que (muito) mais do que a propaganda oficial das empresas o que importa é a real experiência de marca (eis aqui o tema da biosfera da marca, ao qual voltarei em breve) e a real experiência do produto ou serviço. O primeira ponto – a biosfera da marca – tem a ver com ética e comportamento; o segundo ponto – a entrega real – tem a ver com qualidade. Ambos tem a ver com transparência e verdade.
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sábado, 28 de novembro de 2009 -
19:28
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Último comentário por:
Marcelo Sant Iago -
Faltou só dizer qual a operadora escolhida :-) |
Muito se tem discutido sobre modos de comunicação abertos e colaborativos entre marcas e consumidores. Gosto de chamar a esse novo modo de “open source branding”. Este ano no Brasil, 2 projetos que eu chamaria de revolucionários, foram lançados: o Fiat Mio e o Unique Types (UnT).

Unique Types da AACD
Quero falar um pouco sobre o UnT, uma sensacional iniciativa da AACD (Associação de Assitència à Criança Deficiente). O conceito do UnT é o seguinte: as crianças assistidas pela AACD são crianças e adolescentes portadores de alguma deficiência física que compromete suas vidas em algum grau. Comprometer não significa inviabilizar. Comprometer não significa necessariamente impedi-las de atuar no mundo de forma feliz e produtiva. A tese é: tais deficiências não são capazes de impedir que elas se expressem como “pessoas únicas”, como qualquer outra.
Daí vem a sacada brilhante. Pessoas com necessidades especiais são como caracteres (fontes) especiais que mesmo sendo “diferentes” tem poder para expressar mensagens. UnT é um projeto open-source em que desginers do mundo inteiro estão sendo convidados a criar fonts, isto é, set de caracteres “deficientes”, isto é, que apresentam “defeitos” ou características inusitadas, mas que mesmo assim podem ser perfeitamente usados no texto de anúncios publicitários.
É um projeto inerentemente aberto e colaborativo em torno da marca AACD. Ao mesmo tempo em que “dá uma pedrada” na testa do preconceito, tem a beleza de expressar digitalmente (pelos fonts) e semioticamente o DNA da AACD, sua missão e importância. Digo semioticamente porque cada “caractere especial” é uma espécie de índice que se refere à realidade e à necessidade dos público que frequenta a AACD. Enfim: Ge-ni-al.
Visitem uniquetypes.cc. Colaborem com a AACD.
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sexta-feira, 13 de novembro de 2009 -
22:30
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Último comentário por:
Amilcar Zanelatto Fernandes -
Penso que essa iiniciativa é estúpida: estúpida na clara evidência de que torna DIFERENÇA EM LOGOMARCA. Marca, UMA DIFERENÇA, se ... |
Há quase 1 mês atrás saiu a notícia da compra da Omniture, importante fornecedor de plataforma de web analytics, pela Adobe Systems, empresa que produz dentre outras soluções, o Flash, plataforma dominante no desenvolvimento de interfaces ricas (rich media). Tal operação me chamou a atenção.
Vejam a trajetória da Adobe: originalmente nascida no mundo do desktop publishing, vem a ser a criadora do padrão PDF, hoje um padrão aberto, e adquiriu em 2005 a Macromedia, empresa por sua vez destacada no mundo das plataformas de desenvolvimento multimídia (Director, Flash). O Flash estabeleceu-se como um padrão de fato para o desenvolvimento de aplicações web ricas – imagens, áudio, animações e interatividade avançada. A posição do Flash no mercado de desenvolvimento/consumo de internet parece atualmente imbatível – o Silverlight da Microsoft não faz sequer cócegas no gigante.
A manobra de aquisição da Omniture posiciona Adobe no ciclo (quase) completo da web: da experiência dos usuários navegando por interfaces multidispositivos (desktop, celular, e o que mais vier) até o tracking de atividades desses mesmos usuários. Parece que a Adobe tem tudo para se tornar um gigante de gestão de conteúdo e de inteligência de dados. Interpreto esses fatos como sendo a Adobe caminhando para uma posição competitiva forte frente ao Google e à Microsoft. Aí, eu penso comigo mesmo: se eu fosse a MS, tentava armar uma bela coreografia de negócios com a Adobe.
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segunda-feira, 12 de outubro de 2009 -
13:36
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