Noema / Filosofia da tecnologia

A softwarização da indústria de comunicação

por Abel Reis
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O título deste post resume a tese ou talvez melhor, a hipótese que venho trabalhando recentemente. O que pretendo dizer com essa afirmação? Várias indústrias tradicionais há anos, vêm progressivamente embarcando microeletrônica e software na sua gama de produtos. O setor automobilístico é um bom exemplo disso. Contudo, mesmo que empurrados a essa evolução, o controle da inovação continua nas mãos dos players nativos desses setores. O mesmo não acontece com o setor de Comunicação, no qual compreendo marketing, publicidade, relações públicas e jornalismo.

O termo “softwarização” pretende descrever o processo pelo qual nossa indústria vem passando, no qual novos meios técnicos digitais (hardware e software) mudaram e continuarão a mudar, dramaticamente, os modos de produção, distribuição e consumo de informação, conhecimento e mídia.

O controle da inovação na indústria da Comunicação não mais pertence aos players nativos do setor – ao contrário, encontra-se nas mãos de gigantes de software e de equipamentos (Google, Microsoft, IBM, Adobe, HP, Apple) cuja lógica de obsolescência contínua provoca seguidos terremotos no(s) modelo(s) de negócios, nos processos técnicos e criativos, e na linguagem mesma dos meios. E não há nada que possa ser feito quanto a isso. Vale dizer que a indústria de comunicação está a reboque da indústria de software – tornou-se uma indústria subsidiária da indústria de software. Um ramo por assim dizer.

Eis um dado bastante sintomático desse processo: em 2009, no ranking da Advertising Age, a IBM Interactive foi a 3a colocada no segmento das agências digitais. No ano anterior, 2008, obteve a 5a posição. Sim, estou falando da boa e velha IBM que fabrica hardware e software e quase quebrou nos anos 80 do século passado. A IBM opera hoje através de um de seus braços, na área de Comunicação. Será simples diversificação de investimentos? Creio que não. O business de sofware e o de mídia estão se misturando. Mídia cada vez mais será entregue na forma de artefatos de software. Que o digam os apps da iTunes store!!

O que os players da indústria de comunicação devem fazer diante desse quadro? Tenho umas poucas ideias. Volto a esse assunto em breve.

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Muito se cria, muito se transforma

por Abel Reis
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Dei uma “diagonal” na edição kindle do livro “The Nature of Technology: What It Is and How It Evolves” de William Brian Arthur. Gostei e vou aprofundar a leitura. Prof. William Arthur, irlandês radicado nos EUA, é uma dessas mentes iluminadas e descomplicadas que sabe pensar além das fronteiras entre as disciplinas. E isso dá a ele condições de escrever um livro como esse. Acho interessante também o fato de que a reflexão dele tem um caráter filosófico e sociológico, mesmo não sendo essa a sua formação – seus trabalhos tem a ver com teoria da complexidade no campo da economia.

A obra tem sacadas interessantes sobre as formas pelas quais as tecnologias se somam e (re)combinam para provocar inovações e rupturas. Lembrou um pouco a teoria das revoluções científicas do Thomas Kuhn. Faz uma análise interessante sobre o surgimento da Computação. Enfim, vale bem a leitura.

A propósito, a edição online da Strategy+Business tem uma entrevista bem legal com ele sobre o tema do livro. Tem um artigo dele na NewScientist que também vale a “passar o olho”.

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