O Brasil é um pais curioso mesmo. Enquanto as classes populares abraçam entusiasmadamente o celular e a internet, de outro lado parece haver uma intelligentsia tupiniquim que vê nos computadores uma ameaça à real “condição humana”. Incrível nao? Pois é isso que concluo do artigo “Onde a internet vai parar”, publicado no caderno Aliás do Estadão de 17/01/10. O Sr. Jose Paulo Cavalcanti escreve, dentre outras coisas a seguinte pérola: “quantos de nós passamos noites inteiras na companhia dessas máquinas que só respondem o que lhes perguntamos? Sem mais tempo para encontrar os amigos. (…) Estamos começando a viver o mundo terrivel do futuro”. Uma coleção de clichés reacionários que não contextualiza historicamente os meios digitais até para que se possa fazer a sua necessaria critica. Segue o link (infelizmente fechado).
Esse reacionarismo tecnológico vem a reboque de uma visão romantizada, ingênua do que é a “aventura humana”. Tudo se passa como se em algum tempo tivéssemos conhecido a Felicidade e a Paz, vivendo em harmonia com a Natureza. Bobagens.
Pessoalmente não faço o gênero “poliana com prozac” (otimismo idealista) em relação a nada muito menos em relacao à chamada “vida digital”. Sou daqueles que pensa que revoluções tecnológicas e científicas vem sempre embarcadas num quadro de mudança econômica e cultural, de mudança de mentalidades. Por isso não faz sentido olhar para o futuro com os óculos nostálgicos do passado.
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segunda-feira, 25 de janeiro de 2010 -
16:25
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Muito se tem discutido sobre modos de comunicação abertos e colaborativos entre marcas e consumidores. Gosto de chamar a esse novo modo de “open source branding”. Este ano no Brasil, 2 projetos que eu chamaria de revolucionários, foram lançados: o Fiat Mio e o Unique Types (UnT).

Unique Types da AACD
Quero falar um pouco sobre o UnT, uma sensacional iniciativa da AACD (Associação de Assitència à Criança Deficiente). O conceito do UnT é o seguinte: as crianças assistidas pela AACD são crianças e adolescentes portadores de alguma deficiência física que compromete suas vidas em algum grau. Comprometer não significa inviabilizar. Comprometer não significa necessariamente impedi-las de atuar no mundo de forma feliz e produtiva. A tese é: tais deficiências não são capazes de impedir que elas se expressem como “pessoas únicas”, como qualquer outra.
Daí vem a sacada brilhante. Pessoas com necessidades especiais são como caracteres (fontes) especiais que mesmo sendo “diferentes” tem poder para expressar mensagens. UnT é um projeto open-source em que desginers do mundo inteiro estão sendo convidados a criar fonts, isto é, set de caracteres “deficientes”, isto é, que apresentam “defeitos” ou características inusitadas, mas que mesmo assim podem ser perfeitamente usados no texto de anúncios publicitários.
É um projeto inerentemente aberto e colaborativo em torno da marca AACD. Ao mesmo tempo em que “dá uma pedrada” na testa do preconceito, tem a beleza de expressar digitalmente (pelos fonts) e semioticamente o DNA da AACD, sua missão e importância. Digo semioticamente porque cada “caractere especial” é uma espécie de índice que se refere à realidade e à necessidade dos público que frequenta a AACD. Enfim: Ge-ni-al.
Visitem uniquetypes.cc. Colaborem com a AACD.
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sexta-feira, 13 de novembro de 2009 -
22:30
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Último comentário por:
Amilcar Zanelatto Fernandes -
Penso que essa iiniciativa é estúpida: estúpida na clara evidência de que torna DIFERENÇA EM LOGOMARCA. Marca, UMA DIFERENÇA, se ... |