O Brasil é um pais curioso mesmo. Enquanto as classes populares abraçam entusiasmadamente o celular e a internet, de outro lado parece haver uma intelligentsia tupiniquim que vê nos computadores uma ameaça à real “condição humana”. Incrível nao? Pois é isso que concluo do artigo “Onde a internet vai parar”, publicado no caderno Aliás do Estadão de 17/01/10. O Sr. Jose Paulo Cavalcanti escreve, dentre outras coisas a seguinte pérola: “quantos de nós passamos noites inteiras na companhia dessas máquinas que só respondem o que lhes perguntamos? Sem mais tempo para encontrar os amigos. (…) Estamos começando a viver o mundo terrivel do futuro”. Uma coleção de clichés reacionários que não contextualiza historicamente os meios digitais até para que se possa fazer a sua necessaria critica. Segue o link (infelizmente fechado).
Esse reacionarismo tecnológico vem a reboque de uma visão romantizada, ingênua do que é a “aventura humana”. Tudo se passa como se em algum tempo tivéssemos conhecido a Felicidade e a Paz, vivendo em harmonia com a Natureza. Bobagens.
Pessoalmente não faço o gênero “poliana com prozac” (otimismo idealista) em relação a nada muito menos em relacao à chamada “vida digital”. Sou daqueles que pensa que revoluções tecnológicas e científicas vem sempre embarcadas num quadro de mudança econômica e cultural, de mudança de mentalidades. Por isso não faz sentido olhar para o futuro com os óculos nostálgicos do passado.
Leia mais »
segunda-feira, 25 de janeiro de 2010 -
16:25
|
Dei uma “diagonal” na edição kindle do livro “The Nature of Technology: What It Is and How It Evolves” de William Brian Arthur. Gostei e vou aprofundar a leitura. Prof. William Arthur, irlandês radicado nos EUA, é uma dessas mentes iluminadas e descomplicadas que sabe pensar além das fronteiras entre as disciplinas. E isso dá a ele condições de escrever um livro como esse. Acho interessante também o fato de que a reflexão dele tem um caráter filosófico e sociológico, mesmo não sendo essa a sua formação – seus trabalhos tem a ver com teoria da complexidade no campo da economia.
A obra tem sacadas interessantes sobre as formas pelas quais as tecnologias se somam e (re)combinam para provocar inovações e rupturas. Lembrou um pouco a teoria das revoluções científicas do Thomas Kuhn. Faz uma análise interessante sobre o surgimento da Computação. Enfim, vale bem a leitura.
A propósito, a edição online da Strategy+Business tem uma entrevista bem legal com ele sobre o tema do livro. Tem um artigo dele na NewScientist que também vale a “passar o olho”.
Leia mais »
sábado, 9 de janeiro de 2010 -
23:53
|
Meu amigo GB me contou como decidiu pela operadora de celular 3G assim que chegou a SP: foi no site da Anatel conferir qual das operadoras tinha menos reclamações contra ela. A estória é simples, trivial, porém muito reveladora dos desafios da comunicação publicitária nos dias presentes.
GB não decidiu com base em preço, promoção ou ainda na atratividade das peças publicitárias. Ou seja, não decidiu pelo viés positivo da imagem da operadora, mas sim pelo viés negativo. Mais precisamente, ele decidiu por quem era menos ruim.
Qual é a moral da estória: houve um tempo em que os anunciantes tinham a prerrogativa de falar de si, suas ofertas, benefícios e diferenciais. Mas então chegaram os meios digitais, as redes sociais, e o consumidor vem pouco a pouco descobrindo que (muito) mais do que a propaganda oficial das empresas o que importa é a real experiência de marca (eis aqui o tema da biosfera da marca, ao qual voltarei em breve) e a real experiência do produto ou serviço. O primeira ponto – a biosfera da marca – tem a ver com ética e comportamento; o segundo ponto – a entrega real – tem a ver com qualidade. Ambos tem a ver com transparência e verdade.
Leia mais »
sábado, 28 de novembro de 2009 -
19:28
|
Último comentário por
Marcelo Sant Iago :
Faltou só dizer qual a operadora escolhida :-) |
Sim, acho que o que fazemos hoje em termos de marketing de busca é uma espécie de test-drive do futuro do marketing. E o que é mais característico desse teste? Mensuração e otimização de investimentos em tempo real. Por outro lado também acho que, do ponto de vista de experiência de acesso à informação pelos internautas, estamos longe do ideal: temos uma experiência, digamos assim, pobre.
Ao dizer isso, posso levar o leitor a pensar que estou me referindo à importância das tecnologias de web semântica. Não estou. É possível avançar significativamente em termos da experiência do usuário integrando uma abordagem de “estruturação de dados” por sobre a base “mal-estrutrurada” de informação puramente textual que domina os buscadores hoje em dia. Notem que falar de “mal-estruturada” (ill-structured) não é ofensivo. Simplesmente a informação textual mostra-se pouco amena ao tratamento computacional normalizado via bancos de dados que é fundamental para oferecermos interfaces e conteúdos mais atraentes e significativos.
Pois bem, chegamos aqui ao WolframAlpha (WA) ao qual tive oportunidade de me referir no evento organizado pela Info sobre SEM. O WA, a meu ver, é uma lufada de inovação no árido terreno do SEM de hoje. Ele simplesmente oferece uma “camada semântica” que permite realizar buscas por áreas temáticas, hoje principalmente (mas não completamente) ligadas a área cientifica. No fim do dia, a grande sacada do WA é circunscrever tematicamente o conteúdo bruto das páginas web. E com isso, ser mais assertivo e relevante para o usuário.
Sendo assim, imagine se pudéssemos procurar informações sobre marcas e empresas e o resultado ao invés de ser uma lista “seca” de links fosse uma página visualmente rica com vários dados relativss ao mercado, competidores, aos negócios das empresas, últimos lançamentos e tudo mais. Seria muito melhor, não? Pois é, é possível pensar em mais semântica no SEM sem esperar pelas promessas da inteligência artificial. Tomara que o WA chegue logo ao marketing!!
Leia mais »
terça-feira, 17 de novembro de 2009 -
23:04
|
Último comentário por
Henrique Albuquerque :
Abel, boa tarde,
Acredito que, se a página de resultados das pesquisas fosse rica como você sugere, o internauta teria até ... |
Muito se tem discutido sobre modos de comunicação abertos e colaborativos entre marcas e consumidores. Gosto de chamar a esse novo modo de “open source branding”. Este ano no Brasil, 2 projetos que eu chamaria de revolucionários, foram lançados: o Fiat Mio e o Unique Types (UnT).

Unique Types da AACD
Quero falar um pouco sobre o UnT, uma sensacional iniciativa da AACD (Associação de Assitència à Criança Deficiente). O conceito do UnT é o seguinte: as crianças assistidas pela AACD são crianças e adolescentes portadores de alguma deficiência física que compromete suas vidas em algum grau. Comprometer não significa inviabilizar. Comprometer não significa necessariamente impedi-las de atuar no mundo de forma feliz e produtiva. A tese é: tais deficiências não são capazes de impedir que elas se expressem como “pessoas únicas”, como qualquer outra.
Daí vem a sacada brilhante. Pessoas com necessidades especiais são como caracteres (fontes) especiais que mesmo sendo “diferentes” tem poder para expressar mensagens. UnT é um projeto open-source em que desginers do mundo inteiro estão sendo convidados a criar fonts, isto é, set de caracteres “deficientes”, isto é, que apresentam “defeitos” ou características inusitadas, mas que mesmo assim podem ser perfeitamente usados no texto de anúncios publicitários.
É um projeto inerentemente aberto e colaborativo em torno da marca AACD. Ao mesmo tempo em que “dá uma pedrada” na testa do preconceito, tem a beleza de expressar digitalmente (pelos fonts) e semioticamente o DNA da AACD, sua missão e importância. Digo semioticamente porque cada “caractere especial” é uma espécie de índice que se refere à realidade e à necessidade dos público que frequenta a AACD. Enfim: Ge-ni-al.
Visitem uniquetypes.cc. Colaborem com a AACD.
Leia mais »
sexta-feira, 13 de novembro de 2009 -
22:30
|
Há quase 1 mês atrás saiu a notícia da compra da Omniture, importante fornecedor de plataforma de web analytics, pela Adobe Systems, empresa que produz dentre outras soluções, o Flash, plataforma dominante no desenvolvimento de interfaces ricas (rich media). Tal operação me chamou a atenção.
Vejam a trajetória da Adobe: originalmente nascida no mundo do desktop publishing, vem a ser a criadora do padrão PDF, hoje um padrão aberto, e adquiriu em 2005 a Macromedia, empresa por sua vez destacada no mundo das plataformas de desenvolvimento multimídia (Director, Flash). O Flash estabeleceu-se como um padrão de fato para o desenvolvimento de aplicações web ricas – imagens, áudio, animações e interatividade avançada. A posição do Flash no mercado de desenvolvimento/consumo de internet parece atualmente imbatível – o Silverlight da Microsoft não faz sequer cócegas no gigante.
A manobra de aquisição da Omniture posiciona Adobe no ciclo (quase) completo da web: da experiência dos usuários navegando por interfaces multidispositivos (desktop, celular, e o que mais vier) até o tracking de atividades desses mesmos usuários. Parece que a Adobe tem tudo para se tornar um gigante de gestão de conteúdo e de inteligência de dados. Interpreto esses fatos como sendo a Adobe caminhando para uma posição competitiva forte frente ao Google e à Microsoft. Aí, eu penso comigo mesmo: se eu fosse a MS, tentava armar uma bela coreografia de negócios com a Adobe.
Leia mais »
segunda-feira, 12 de outubro de 2009 -
13:36
|
Sim, diversidade faz bem. Diria isso sobre quase todos os aspectos da vida. Quando se trata de software, confesso, às vezes tenho dúvidas. Vejam o caso do Android, plataforma open-source do Google voltada a dispositivos móveis, hoje na versão 1.6. Lançado para atender a um mercado extremamente fragmentado em termos de padrões e soluções, o Android tem o desafio de se estabelecer como uma plataforma de sistema operacional cercado por um rico ambiente de aplicativos.
quarta-feira, 30 de setembro de 2009 -
18:45
|
Último comentário por
Cesar Pradela :
olhando para os simbolos atuais da torre de babel, tais como: acelerador de particulas, estacoes orbitais, ida do homem a ... |