O título deste post resume a tese ou talvez melhor, a hipótese que venho trabalhando recentemente. O que pretendo dizer com essa afirmação? Várias indústrias tradicionais há anos, vêm progressivamente embarcando microeletrônica e software na sua gama de produtos. O setor automobilístico é um bom exemplo disso. Contudo, mesmo que empurrados a essa evolução, o controle da inovação continua nas mãos dos players nativos desses setores. O mesmo não acontece com o setor de Comunicação, no qual compreendo marketing, publicidade, relações públicas e jornalismo.
O termo “softwarização” pretende descrever o processo pelo qual nossa indústria vem passando, no qual novos meios técnicos digitais (hardware e software) mudaram e continuarão a mudar, dramaticamente, os modos de produção, distribuição e consumo de informação, conhecimento e mídia.
O controle da inovação na indústria da Comunicação não mais pertence aos players nativos do setor – ao contrário, encontra-se nas mãos de gigantes de software e de equipamentos (Google, Microsoft, IBM, Adobe, HP, Apple) cuja lógica de obsolescência contínua provoca seguidos terremotos no(s) modelo(s) de negócios, nos processos técnicos e criativos, e na linguagem mesma dos meios. E não há nada que possa ser feito quanto a isso. Vale dizer que a indústria de comunicação está a reboque da indústria de software – tornou-se uma indústria subsidiária da indústria de software. Um ramo por assim dizer.
Eis um dado bastante sintomático desse processo: em 2009, no ranking da Advertising Age, a IBM Interactive foi a 3a colocada no segmento das agências digitais. No ano anterior, 2008, obteve a 5a posição. Sim, estou falando da boa e velha IBM que fabrica hardware e software e quase quebrou nos anos 80 do século passado. A IBM opera hoje através de um de seus braços, na área de Comunicação. Será simples diversificação de investimentos? Creio que não. O business de sofware e o de mídia estão se misturando. Mídia cada vez mais será entregue na forma de artefatos de software. Que o digam os apps da iTunes store!!
O que os players da indústria de comunicação devem fazer diante desse quadro? Tenho umas poucas ideias. Volto a esse assunto em breve.
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sábado, 4 de setembro de 2010 - 13:29
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Tweets that mention A softwarização da indústria de comunicação - Noema -- Topsy.com:
[...] This post was mentioned on Twitter by Luca Toledo, Fábio Albuquerque. Fábio Albuquerque said: A softwarização da indústria de ...
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Ganhei um iPad wi-fi. Investi boa parte do primeiro dia de uso investigando funcionalidades, configurando características, fuçando a loja do iTunes. De fato é um gadget muito bacaninha, que dentre outras coisas, não tenho dúvidas, liquidará o Amazon Kindle tal como o conhecemos hoje. Depois que baixei o aplicativo que permite a você comprar e ler livros da Amazon dentro do iPad, olhei para o meu Kindle como quem olha para uma TV de tubo preto e branco.
Porém, ao final da tarde do meu primeiro dia aconteceu o que os filósofos chamam de “epifania”, ou seja, uma súbita e profunda compreensão do real significado de alguma coisa. Minhas filhas de 11 e 8 anos pegaram o iPad e, por acaso, foram ao aplicativo FingerPiano, originalmente desenvolvido para o iPhone. Abriram e começaram a tocar. Elas e eu já conhecíamos o FingerPiano. Já havíamos brincado com ele no iPhone. Contudo ao usá-lo no iPad tudo fez sentido. As meninas usaram a tela como se de fato fosse um teclado, ainda que limitado. Ao vê-las tocar algumas músicas e depois vasculhar outros aplicativos, eu acho que entendi o que o iPad tem de único: ele não é (apenas) um computador: é um grande “mimetizador “de objetos. Ele possibilita emular a interação com objetos do mundo real – função, rigidez, toque. E, principalmente, ele o faz por manipulação direta. O iPad é mais que um computador é dispositivo para computação física. E isso faz toda a diferença. Isso o faz ser único.
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quinta-feira, 22 de abril de 2010 - 23:51
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GUILHERME HD:
Caro Abel, vou acabar comprando um depois de ler seu blog! Estava há dias pensando se comprava ou não um ...
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O tema da TV Digital e da interatividade na TV ganhou algum calor nas últimas semanas. De um lado a mídia andou falando do Google TV, de outro também falou-se do BNDES e seu programa de financiamente para a transição da TV pro mundo digital no Brasil. Ao lado disso, os fabricantes de TVs seguem oferecendo pouco a pouco facilidades de conexão da TV à internet. Tudo isso me fez pensar sobre a noção de social TV tema que foi objeto de recente evento em Londres. A idéia é provocadora e simples: a experiência de assistir televisão que sempre foi muito íntima (em família ou poucos amigos) ou pessoal, poderá progressivamente tornar-se mais coletiva. Imagine assistir um jogo de futebol interagindo com seus seguidores pelo twitter, na mesma tela em que o jogo rola. Que papel caberá ao Galvão Bueno, hein? Ou ainda que tal a cerimônia do Oscar comentada pelos seus amigos no Facebook integrado na sua TV OLED pelo Facebook Connector? E o Big Brother que já integra web ao programa de forma bem avançada (viram a prova do líder no BBB10 em que o público fazia chover e ventar pela internet “castigando” a moçada?).
Enfim, coisas que virão por aí e mudarão também a forma que a discussão sobre a mídia publicitária na TV interativa tem assumindo, pelo menos no Brasil. Acho que o fórum SBTVD deveria prestar atenção ao tema. Já passou da hora de integrar as agências na discussão da TV interativa no Brasil.
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sábado, 20 de março de 2010 - 21:42
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Volto ao ponto da diversidade de padrões e plataformas na indústria do software. Na revista Sabático deste fim de semana, Umberto Eco, intelectual, escritor e semioticista italiano (segundo alguns, nesta ordem de importância) dá, em deliciosa entrevista, um tiro certeiro no tema do fim do livro de papel, e no surgimento do livro eletrônico. Ele caminha por um argumento já discutido por aqui na obra “O livro depois do livro” da artista, professora e intelectual Giselle Beiguelman, a saber: como podemos pensar em livros eletrônicos numa indústria mutante como é a industria de TI (hardware, software e padrões).
Se há 20 anos, alguém adotasse disquetes como suporte de armazenamento para livros, hoje não teria como lê-los, seja porque não encontraria dispositivos de leitura, seja por eventuais problemas de software. O ponto é: numa indústria marcada pela obsolescência contínua como é possível pensar em armazenamento perene da memória – sejam livros, imagens, documentos oficiais ou registros pessoais?
Sim, esse é um problema bem conhecido. Estão aí as linguagens de marcação de documentos (SGML, HTML, XML, etc) que visam estabelecer padrões de “expressão de conteúdos” de forma intercambiável. By the way, você só está me lendo aqui por conta de um certo consenso sobre tais padrões. Porém, o livro eletrônico terá o desafio de ser hiperligado, atualizável dinamicamente, portátil entre leitores (não quero ter que pagar 2 ou 3 vezes pela mesma obra!!) e multimídia. É possível? Não me venham com respostas técnicas…
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sábado, 13 de março de 2010 - 9:30
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Considero a Declaração Universal dos Direitos Humanos uma importante conquista da humanidade. É um documento que data de 10 de dezembro de 1948. Interessante revisitar esse documento nos dias de hoje. Parece “óbvio” o que lá se diz, mas essa obviedade, infelizmente, não corresponde à realidade em muitos e muitos lugares do mundo. Lembrei-me dela ao ler uma recente pesquisa encomendada pela BBC cobrindo 27.000 adultos em 26 países, Brasil incluído, relativa ao acesso e uso da internet.
Algumas coisas que chamam a atenção: 4 em cada 5 adultos considera o acesso à internet um direito fundamental, e vê a internet como um espaço que lhes dá mais liberdade. No caso brasileiro, essa avaliação chega a 96%. Vale ler a pesquisa porque ela fala do que entusiasma as pessoas, e daquilo que as preocupa – em geral fraudes e privacidade. Contudo, fica claro que a internet se apresenta como um território para exercício de direitos fundamentais do Homem.
E pensar que ainda tem gente que sataniza o uso dos computadores e da web…
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sexta-feira, 12 de março de 2010 - 10:29
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O Brasil é um pais curioso mesmo. Enquanto as classes populares abraçam entusiasmadamente o celular e a internet, de outro lado parece haver uma intelligentsia tupiniquim que vê nos computadores uma ameaça à real “condição humana”. Incrível nao? Pois é isso que concluo do artigo “Onde a internet vai parar”, publicado no caderno Aliás do Estadão de 17/01/10. O Sr. Jose Paulo Cavalcanti escreve, dentre outras coisas a seguinte pérola: “quantos de nós passamos noites inteiras na companhia dessas máquinas que só respondem o que lhes perguntamos? Sem mais tempo para encontrar os amigos. (…) Estamos começando a viver o mundo terrivel do futuro”. Uma coleção de clichés reacionários que não contextualiza historicamente os meios digitais até para que se possa fazer a sua necessaria critica. Segue o link (infelizmente fechado).
Esse reacionarismo tecnológico vem a reboque de uma visão romantizada, ingênua do que é a “aventura humana”. Tudo se passa como se em algum tempo tivéssemos conhecido a Felicidade e a Paz, vivendo em harmonia com a Natureza. Bobagens.
Pessoalmente não faço o gênero “poliana com prozac” (otimismo idealista) em relação a nada muito menos em relacao à chamada “vida digital”. Sou daqueles que pensa que revoluções tecnológicas e científicas vem sempre embarcadas num quadro de mudança econômica e cultural, de mudança de mentalidades. Por isso não faz sentido olhar para o futuro com os óculos nostálgicos do passado.
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segunda-feira, 25 de janeiro de 2010 - 16:25
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Dei uma “diagonal” na edição kindle do livro “The Nature of Technology: What It Is and How It Evolves” de William Brian Arthur. Gostei e vou aprofundar a leitura. Prof. William Arthur, irlandês radicado nos EUA, é uma dessas mentes iluminadas e descomplicadas que sabe pensar além das fronteiras entre as disciplinas. E isso dá a ele condições de escrever um livro como esse. Acho interessante também o fato de que a reflexão dele tem um caráter filosófico e sociológico, mesmo não sendo essa a sua formação – seus trabalhos tem a ver com teoria da complexidade no campo da economia.
A obra tem sacadas interessantes sobre as formas pelas quais as tecnologias se somam e (re)combinam para provocar inovações e rupturas. Lembrou um pouco a teoria das revoluções científicas do Thomas Kuhn. Faz uma análise interessante sobre o surgimento da Computação. Enfim, vale bem a leitura.
A propósito, a edição online da Strategy+Business tem uma entrevista bem legal com ele sobre o tema do livro. Tem um artigo dele na NewScientist que também vale a “passar o olho”.
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sábado, 9 de janeiro de 2010 - 23:53
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Meu amigo GB me contou como decidiu pela operadora de celular 3G assim que chegou a SP: foi no site da Anatel conferir qual das operadoras tinha menos reclamações contra ela. A estória é simples, trivial, porém muito reveladora dos desafios da comunicação publicitária nos dias presentes.
GB não decidiu com base em preço, promoção ou ainda na atratividade das peças publicitárias. Ou seja, não decidiu pelo viés positivo da imagem da operadora, mas sim pelo viés negativo. Mais precisamente, ele decidiu por quem era menos ruim.
Qual é a moral da estória: houve um tempo em que os anunciantes tinham a prerrogativa de falar de si, suas ofertas, benefícios e diferenciais. Mas então chegaram os meios digitais, as redes sociais, e o consumidor vem pouco a pouco descobrindo que (muito) mais do que a propaganda oficial das empresas o que importa é a real experiência de marca (eis aqui o tema da biosfera da marca, ao qual voltarei em breve) e a real experiência do produto ou serviço. O primeira ponto – a biosfera da marca – tem a ver com ética e comportamento; o segundo ponto – a entrega real – tem a ver com qualidade. Ambos tem a ver com transparência e verdade.
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sábado, 28 de novembro de 2009 - 19:28
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Marcelo Sant Iago:
Faltou só dizer qual a operadora escolhida :-)
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Sim, acho que o que fazemos hoje em termos de marketing de busca é uma espécie de test-drive do futuro do marketing. E o que é mais característico desse teste? Mensuração e otimização de investimentos em tempo real. Por outro lado também acho que, do ponto de vista de experiência de acesso à informação pelos internautas, estamos longe do ideal: temos uma experiência, digamos assim, pobre.
Ao dizer isso, posso levar o leitor a pensar que estou me referindo à importância das tecnologias de web semântica. Não estou. É possível avançar significativamente em termos da experiência do usuário integrando uma abordagem de “estruturação de dados” por sobre a base “mal-estrutrurada” de informação puramente textual que domina os buscadores hoje em dia. Notem que falar de “mal-estruturada” (ill-structured) não é ofensivo. Simplesmente a informação textual mostra-se pouco amena ao tratamento computacional normalizado via bancos de dados que é fundamental para oferecermos interfaces e conteúdos mais atraentes e significativos.
Pois bem, chegamos aqui ao WolframAlpha (WA) ao qual tive oportunidade de me referir no evento organizado pela Info sobre SEM. O WA, a meu ver, é uma lufada de inovação no árido terreno do SEM de hoje. Ele simplesmente oferece uma “camada semântica” que permite realizar buscas por áreas temáticas, hoje principalmente (mas não completamente) ligadas a área cientifica. No fim do dia, a grande sacada do WA é circunscrever tematicamente o conteúdo bruto das páginas web. E com isso, ser mais assertivo e relevante para o usuário.
Sendo assim, imagine se pudéssemos procurar informações sobre marcas e empresas e o resultado ao invés de ser uma lista “seca” de links fosse uma página visualmente rica com vários dados relativss ao mercado, competidores, aos negócios das empresas, últimos lançamentos e tudo mais. Seria muito melhor, não? Pois é, é possível pensar em mais semântica no SEM sem esperar pelas promessas da inteligência artificial. Tomara que o WA chegue logo ao marketing!!
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terça-feira, 17 de novembro de 2009 - 23:04
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Henrique Albuquerque:
Abel, boa tarde,
Acredito que, se a página de resultados das pesquisas fosse rica como você sugere, o internauta teria até ...
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Muito se tem discutido sobre modos de comunicação abertos e colaborativos entre marcas e consumidores. Gosto de chamar a esse novo modo de “open source branding”. Este ano no Brasil, 2 projetos que eu chamaria de revolucionários, foram lançados: o Fiat Mio e o Unique Types (UnT).

Unique Types da AACD
Quero falar um pouco sobre o UnT, uma sensacional iniciativa da AACD (Associação de Assitència à Criança Deficiente). O conceito do UnT é o seguinte: as crianças assistidas pela AACD são crianças e adolescentes portadores de alguma deficiência física que compromete suas vidas em algum grau. Comprometer não significa inviabilizar. Comprometer não significa necessariamente impedi-las de atuar no mundo de forma feliz e produtiva. A tese é: tais deficiências não são capazes de impedir que elas se expressem como “pessoas únicas”, como qualquer outra.
Daí vem a sacada brilhante. Pessoas com necessidades especiais são como caracteres (fontes) especiais que mesmo sendo “diferentes” tem poder para expressar mensagens. UnT é um projeto open-source em que desginers do mundo inteiro estão sendo convidados a criar fonts, isto é, set de caracteres “deficientes”, isto é, que apresentam “defeitos” ou características inusitadas, mas que mesmo assim podem ser perfeitamente usados no texto de anúncios publicitários.
É um projeto inerentemente aberto e colaborativo em torno da marca AACD. Ao mesmo tempo em que “dá uma pedrada” na testa do preconceito, tem a beleza de expressar digitalmente (pelos fonts) e semioticamente o DNA da AACD, sua missão e importância. Digo semioticamente porque cada “caractere especial” é uma espécie de índice que se refere à realidade e à necessidade dos público que frequenta a AACD. Enfim: Ge-ni-al.
Visitem uniquetypes.cc. Colaborem com a AACD.
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sexta-feira, 13 de novembro de 2009 - 22:30
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Amilcar Zanelatto Fernandes:
Penso que essa iiniciativa é estúpida: estúpida na clara evidência de que torna DIFERENÇA EM LOGOMARCA. Marca, UMA DIFERENÇA, se ...
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