A nuvem (ainda) é para poucos

por Gilberto Mautner
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comentrios 4 Comentários

De nada adianta falar de Cloud Computing sem que as pessoas tenham um ingrediente básico: acesso à internet via banda larga.

Seja para hospedar um servidor na nuvem, gerenciar uma loja virtual, ou acessar uma aplicação “web 2.0″, isso sem falar em voz e vídeo, é preciso acesso. E, por favor, acesso discado não serve pra isso…

Então vale se perguntar: como estamos no Brasil? Qual é o percentual da população do país com acesso a banda larga? Você saberia dizer?

Fiz uma rápida pesquisa, os dados foram fáceis de obter, e têm um gosto doce-amargo.

O que é bom: o Brasil parece ser um dos maiores pólos de crescimento de acesso banda larga no mundo.

Mas o mesmo lado da moeda também diz: isso ocorre justamente porque nossa penetração é incrivelmente baixa, para um país que está caminhando para se tornar a quinta maior economia do mundo.

Primeiro vamos ao resultado curto-e-grosso de acordo com a pesquisa “Barômetro Cisco Banda Larga Brasil” elaborado pelo IDC para a Cisco: 5,8% da população brasileira tinha acesso via banda larga no primeiro semestre de 2009.

Isso significa que 6 em cada 100 cidadãos brasileiros possuem o poder de usufruir da nuvem. O resto da população, por enquanto, continua fazendo parte da pré-história da internet.

Qual é a situação dos outros países?

Achei um ranking da OCDE com os 30 maiores índices de penetração de banda larga entre seus países membros, com a Holanda na liderança (38,1%) e o México em trigésimo (8,4%). Pois é, o Brasil, aspirante a quinta economia, não conseguiu nem figurar entre os 30 maiores nesse quesito.

Quais as razões desse nosso atraso?

Alguns atribuem os altos preços à alta carga tributária incidente sobre serviços de telecomunicações. Se o governo federal considera o acesso banda larga estratégico, como as últimas notícias sobre o “ressurreição” da Telebrás indicam, não é de se perguntar se os governos não deveriam se esforçar para eliminar esta barreira? Temos visto alguns movimentos como a decisão do governo estadual paulista de isentar da cobrança do ICMS os serviços de até 1 Mbps. É um começo.

Mas será o suficiente para fazer “banda larga neste país“, como disse o presidente Lula ao comunicar a recuperação da Telebrás?

E você, o que acha que está impedindo a disseminação da banda larga “neste país” com o volume que ele precisa para realmente desenvolver a internet e o uso da nuvem entre todos os cidadãos?

Comentários
  • Slavis Kalento disse:

    ainda que a idéia da “nuvem” possa ser interessante em diversos casos, não estou convencido de que muito desta “febre” seja gerada pelas empresas que querem vender um serviço. basta analisar: o que é melhor para uma empresa: vender o software ou o hardware ou alugar isto?

  • Fabio Luis Griebner disse:

    Eu particularmente não boto fé na “nuvem”. Quem colocaria suas fotos e vídeos particulares em um computador que não se sabe onde está? E se os dados forem perdidos? Lá se foi o seu passado pro espaço! Tem multa por isso? E daí? Perder este tipo de dado não tem preço! E o que me garante que não terá alguém fuçando meus dados neste servidor? E quando a internet (leia-se provedores) me deixar na mão? Faço o que? Pois é, neste assunto sou paranóico mesmo!

  • Daniel Leite Viana disse:

    Essa opinião de vocês é uma visão muito minimalista da nuvem… ela veio pra ficar… procurem conhecer Google Apps Marketplace, amazon EC2, AWS, Salesforce.com
    :)

  • [...] E o Brasil precisa se cuidar para não ficar pra trás, como comentei no artigo anterior. [...]

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