Entrevista com um cliente de Cloud Computing: Felippe Cunha – Analista de Sistemas do BOB’s

por Gilberto Mautner
A- A+
comentrios 2 Comentários

Quando falamos de uma nova tecnologia, muitas vezes os conceitos e discussões acabam se aproximando mais do mundo das idéias do que da própria realidade.

Por isso decidi neste post trazer algo mais concreto, aplicado em nosso dia-a-dia, visando entender como o Cloud Computing pode resolver problemas reais nas empresas. Resolvi entrevistar o Felippe Cunha, analista de sistemas da àrea de TI do Bob’s, que utiliza Cloud Computing como solução em sua operação.

1) Felippe, fale um pouco sobre onde você trabalha e como é sua equipe.

Trabalhamos na área de TI do grupo BFFC provendo serviços de infraestrutura e suporte para toda a empresa. Essa área tem aproximadamente 100 funcionários. Parte deles trabalha internamente e parte externamente, nas lojas por todo o Brasil e também no exterior. O Grupo BFFC é controlador do Bob’s, rede de fast food de lanches. Atualmente, nossa equipe do Bob’s tem 6 pessoas.

2) Como é a infraestrutrura de vocês hoje? Possuem um datacenter próprio?

Hoje possuímos um datacenter interno com 20 servidores, responsáveis por sistemas gerenciados por nossa equipe, como bancos de dados e ERP. Também possuímos servidores em parceiros externos, onde gerenciamos e-mails de loja, dados de vendas e informações gerenciais das lojas espalhadas pelo país.

3) Por que vocês decidiram passar a utilizar Cloud Computing?

De tempos em tempos, precisamos processar informações provenientes das centenas de lojas espalhadas pelo país e também no exterior, gerando relatórios vendas, produtos, análises de tickets médios, informações gerenciais, e esse é um processo que exige muito poder de processamento.  Com Cloud Computing isso é muito fácil de ser feito e gerenciado. Com o uso do Cloud melhoramos a performance em aproximadamente 40%, e ainda economizamos bastante, porque só temos custos adicionais pela infraestrutura nesses períodos de pico, e não o tempo todo.

4) Como escolheram o fornecedor?

Queríamos um fornecedor confiável, com disponibilidade 24×7. A confiabilidade é um  é um fator crucial na escolha de um provedor de serviços de Cloud Computing.

5) Quais foram os problemas que enfrentaram nessa transição?

Não tivemos problemas, a transição foi tranquila porque já tínhamos essa infraestrutura num servidor dedicado, foi só mudar a plataforma. Inicialmente estávamos preocupados com a estabilidade da nova plataforma, mas logo no primeiro mês vimos que ela era bastante estável e atendia nossas necessidades.

6) Quais foram os benefícios que vocês obtiveram por utilizar Cloud Computing?

Nossa principal necessidade era poder aumentar e diminuir os recursos disponíveis facilmente, e também economizar. Ao mudarmos para o Cloud nossos custos com infraestrutura caíram e conseguimos resolver nossos problemas de mudança de capacidade.

7) Quais são os planos para o uso de Cloud Computing no futuro?

Ainda temos servidores dedicados, mas estamos fazendo estudos de viabilidade técnica para trocá-los por servidores em Cloud, e se tudo der certo migraremos todos os dedicados para Cloud Computing.

É isso aí. Podemos notar que quando estamos dispostos a testar novas soluções resolvemos velhos problemas.

Leia mais »

Os bastidores da nuvem

por Gilberto Mautner
A- A+
comentrios 4 Comentários

Pessoal,

Depois de falar tanto sobre nuvem, SaaS e tudo mais, acho interessante mostrar o que faz a nuvem funcionar.

Os serviços de cloud mundo afora precisam de computadores, isso todo mundo já deve imaginar. Esses computadores são agrupados em grandes centros chamados “Data Centers”.

Os computadores que rodam dentro desses Data Centers são mais comumente chamados de “servidores”. Por serem computadores que “servem” a uma grande quantidade de requisições. São normalmente computadores com processadores mais poderosos, mais memória e mais espaço de armazenamento de dados:

Servidores, ao contrário dos computadores pessoais, não precisam de um teclado e um monitor para cada um, salvo em raras situações de manutenção. Por isso, costumam ser empilhados num móvel especial chamado “rack”, para ganhar espaço:

Racks, por sua vez, são dispostos em corredores como o da foto a seguir:

Serviços de cloud, como todos imaginam, funcionam ininterruptamente. Servidores nunca são desligados e não podem parar, mesmo em caso de falta de luz. Para isso, todo Data Center dispõe de geradores, como estes geradores a diesel. É tão importante manter a energia que os geradores podem possuir redundância, ou seja, mesmo que um dos geradores falhe, os outros mantém o fornecimento de energia, como se vê abaixo:

Para garantir o funcionamento em períodos prolongados como blecautes (como o que ocorreu em novembro de 2009), os data centers devem possuir reservas de óleo diesel para abastecer os geradores. Este tanque subterrâneo, em que se vê somente a entrada de abastecimento, possui capacidade de 30.000 litros, o suficiente para mais de sete dias seguidos sem precisar sequer comprar combustível.

Outro componente importante é o “No-break”. Como o próprio nome diz, sua finalidade é manter energia fluindo para os servidores mesmo durante o pouco tempo que os geradores levam para ser acionados em caso de falta de luz, tipicamente cerca de alguns segundos. O no-break funciona com baterias que são recarregadas enquanto há energia vindo da concessionária ou dos geradores, e que fornecem energia aos servidores durante este tempo de chaveamento.

Este sistema, abaixo, é bastante sofisticado, pois possui baterias que podem ser desencaixadas, para reposição em caso de falhas mesmo enquanto o no-break estiver funcionando. Esse sistema se chama “hot swap”:

Para melhorar ainda mais a disponibilidade dos serviços, a maioria dos servidores de cloud possui duas tomadas independentes. O servidor funciona mesmo que houver energia somente em uma das tomadas:

Para complementar a segurança, cada tomada está ligada em um circuito independente, com seu próprio no-break. Portanto, existem dois grupos distintos de no-breaks, um para cada lado dos servidores.

Até agora vimos como é importante manter o fluxo de energia elétrica aos servidores. Mas não é só isso.

As CPUs que funcionam dentro dos servidores esquentam. Em termos básicos, a CPU (aquele chip, o “cérebro” que fica entro do computador) é um conjunto de milhões de chaves microscópicas colocadas dentro de um pequeno espaço (o “núcleo”). Sempre que a CPU está executando algum programa, milhões dessas chaves são acionadas milhares de vezes por segundo. Isso gera calor. Num servidor, a dissipação é de torno de 180 watts, ou seja, o equivalente a três lâmpadas amarelas.

Imagine juntar milhares de lâmpadas numa sala. Isso gerará calor. Juntando milhares de servidores, portanto, haverá o mesmo efeito. Por isso os sistemas de ar condicionado são muito críticos. Em poucos minutos sem ar condicionado, um data center pode chegar a temperaturas acima de 60 graus, danificando irremediavelmente seus equipamentos.

Servidores de data center possuem uma aerodinâmica própria, em que ar frio é sugado pela frente, para resfriar o processador e outros componentes, que com isso esquenta e é expelido quente pela traseira.

Para organizar o fluxo de ar num data center, ar frio é jogado por debaixo do piso elevado na frente da fileira de racks, expelido pela fileira de trás, e retornando pelo teto até a unidade de ar condicionado para ser resfriado novamente. Isso gera uma distribuição alternada de corredor quente/corredor frio sendo esses corredores completamente separados por cortinas ou placas de isolamento:

Para o bem estar do planeta, e para diminuir os custos também, os data centers deparam-se frequentemente com o desafio de tornar mais eficiente o uso de energia não diretamente alocada aos servidores. O desenho de ar condicionado influi diretamente nisso, e uma das técnicas mais modernas chama-se “free cooling” – literalmente, resfriamento gratuito. Funciona da seguinte forma: um sensor detecta quando o ar externo está em até cerca de 22ºC com índice de umidade desejável, a partir daí o sistema automático capta o ar para dentro da sala de ar condicionado e faz uma mistura controlada como ar de retorno dos servidores.

O ar de retorno, que está entre 35°C e 40°C, é pré-resfriado naturalmente sem alto gasto energético e devolvido ao sistema para ser condicionado à temperatura desejável (dentro do data center) em torno de 21°C.

Data Centers são sujeitos, como qualquer outra atividade, a desastres, sendo incêndio um dos mais potencialmente danosos. Devido à alta corrente que circula, disjuntores controlam o fluxo para impedir curtos circuitos. Ainda assim, é sempre recomendável um sistema de detecção precoce (“early detection”) como o abaixo, que detecta pequenas partículas de fumaça ou gases provenientes do aquecimento de cabos com grande antecedência, permitindo intervenção antes que a situação se agrave.

Caso não haja ação para eliminar o foco de incêndio, como última defesa, alguns data centers possuem um sistema chamado FM200, capaz de extinguir completamente um evento de incêndio em menos de 10 segundos.

Como pudemos ver, o ambiente por trás da computação em nuvem é bastante concreto, parecendo até industrial, e com um tipo de tecnologia que vai muito além de sistemas operacionais, redes e software. Envolve termodinâmica, eletrotécnica, reações químicas contra incêndio, até engenharia estrutural para suportar o peso dos equipamentos sobre a laje. São muitas as áreas da engenharia que tornaram Cloud Computing uma realidade.

Obs: As fotos foram tiradas no Data Center da Locaweb.

Até a próxima!

Leia mais »

Livros, músicas, filmes estão sendo engolidos pela nuvem

por Gilberto Mautner
A- A+
comentrios 1 Comentário


Paul Mawhinney tem a maior coleção de LPs do mundo. Mas ninguém quer comprá-la.

O valor estimado da sua coleção é 50 milhões de dólares. Ele está pedindo 3 milhões para não se desfazer dela. Até o momento, nenhum comprador apareceu. Assista:
Veja vídeo

Recentemente, foi lançado o Kindle, que promete esvaziar a sua estante armazenando milhares de livros num volume físico menor que um folheto.

E, não sei se deu pra perceber, mas eu acabei de compartilhar um vídeo do YouTube com você sem mandar nenhum material.

Livros, músicas, filmes estão sendo engolidos pela nuvem.

Capítulo 1

Mas nós ainda estamos no primeiro capítulo desse novo livro. As novas formas de comercialização digital como o iTunes, o Kindle e alguns meios de compra de filmes on-line baseados em download digital como Netflix e Saraiva ainda mantém a metáfora de uma mercadoria que é movimentada de um lugar ao outro, e que você guarda com você, que é o arquivo do filme, livro, música etc.

Para garantir que ninguém “pirateie” o produto, foi inventado o DRM. Agora sim, o “arquivo” que está em sua posse no seu HD não pode mais ser replicado indevidamente.

Considero que este tipo de transação ainda não se encaixa no conceito de computação em nuvem, simplesmente porque requer alguma forma de armazenamento local para guardar a sua propriedade. Seja dentro de um iPod, de um Kindle, ou do seu HD.

Parece extremamente ineficiente criar uma cópia de arquivo para cada portador, não parece?

Se perder o computador, iPod, Kindle, precisa baixar de novo. Não pode usar qualquer outro dispositivo para acessar o que lhe pertence, certo?

Tudo isso tem uma certa cara pré-nuvem, não acham?

Por isso defendo que ainda estamos no primeiro capítulo e que, no próximo, talvez o segundo de vários, suas mídias não terão mais que ser “baixadas”. Bastará que você tenha seu direito adquirido (DRM na nuvem?) para assistir suas mídias.

Capítulo 2

Em outras palavras: primeiro, a coleção sumiu do mundo físico, mas permaneceu ali ao seu lado, dentro de um gadget qualquer, pertinho de você… mas, depois disso, seu gadget ficará também sem nada armazenado.

Para quem acha que esse segundo round ainda não começou, aí vão algumas coisas que estão surgindo por aí:

“Financiada por propaganda, a versão grátis do Spotify é o lugar por onde a maioria das pessoas começam. Simples de instalar, você desfrutará ter todas as músicas do mundo na ponta dos dedos, acesso instantâneo à música que você quiser sem restrições, e o poder de criar e compartilhar listas de músicas com amigos”.

A Spotify já está gerando mais receitas para as gravadoras do que o iTunes, afirma a Sony. Música de graça financiada por propaganda… revolucionário? Nem tanto. Não é esse o modelo do rádio FM?

Outra estrela ascendente desta nova geração é o Hulu. Infelizmente o Hulu não está disponível a internautas brasileiros, mas ele oferece algo sensacional: reprise de tudo que passou na TV, a qualquer hora, de qualquer lugar.

Então, a partir do momento que você puder ler, ouvir música e assistir filmes direto da web, sem baixar nada, não existirá mais acervo ou coleção pessoal, tudo ao que você tiver direito vai estar sempre disponível a qualquer hora, de qualquer lugar e de qualquer dispositivo. Como, por exemplo, este artigo.

É claro que tudo depende de banda larga disponível largamente e em qualquer lugar. Para quem se pergunta: – E quando eu estiver off-line? Isso também está com os dias contados. Daqui a pouco tempo, onde existir uma tomada pra ligar a TV, vai existir internet (e, até onde não tiver TV, vai ter internet também, como nos aviões).

E o Brasil precisa se cuidar para não ficar pra trás, como comentei no artigo anterior.

Epílogo

Ter propriedades na nuvem pode parecer revolucionário, mas, parando pra pensar… onde está seu dinheiro hoje?

Leia mais »

A nuvem (ainda) é para poucos

por Gilberto Mautner
A- A+
comentrios 4 Comentários

De nada adianta falar de Cloud Computing sem que as pessoas tenham um ingrediente básico: acesso à internet via banda larga.

Seja para hospedar um servidor na nuvem, gerenciar uma loja virtual, ou acessar uma aplicação “web 2.0″, isso sem falar em voz e vídeo, é preciso acesso. E, por favor, acesso discado não serve pra isso…

Então vale se perguntar: como estamos no Brasil? Qual é o percentual da população do país com acesso a banda larga? Você saberia dizer?

Fiz uma rápida pesquisa, os dados foram fáceis de obter, e têm um gosto doce-amargo.

O que é bom: o Brasil parece ser um dos maiores pólos de crescimento de acesso banda larga no mundo.

Mas o mesmo lado da moeda também diz: isso ocorre justamente porque nossa penetração é incrivelmente baixa, para um país que está caminhando para se tornar a quinta maior economia do mundo.

Primeiro vamos ao resultado curto-e-grosso de acordo com a pesquisa “Barômetro Cisco Banda Larga Brasil” elaborado pelo IDC para a Cisco: 5,8% da população brasileira tinha acesso via banda larga no primeiro semestre de 2009.

Isso significa que 6 em cada 100 cidadãos brasileiros possuem o poder de usufruir da nuvem. O resto da população, por enquanto, continua fazendo parte da pré-história da internet.

Qual é a situação dos outros países?

Achei um ranking da OCDE com os 30 maiores índices de penetração de banda larga entre seus países membros, com a Holanda na liderança (38,1%) e o México em trigésimo (8,4%). Pois é, o Brasil, aspirante a quinta economia, não conseguiu nem figurar entre os 30 maiores nesse quesito.

Quais as razões desse nosso atraso?

Alguns atribuem os altos preços à alta carga tributária incidente sobre serviços de telecomunicações. Se o governo federal considera o acesso banda larga estratégico, como as últimas notícias sobre o “ressurreição” da Telebrás indicam, não é de se perguntar se os governos não deveriam se esforçar para eliminar esta barreira? Temos visto alguns movimentos como a decisão do governo estadual paulista de isentar da cobrança do ICMS os serviços de até 1 Mbps. É um começo.

Mas será o suficiente para fazer “banda larga neste país“, como disse o presidente Lula ao comunicar a recuperação da Telebrás?

E você, o que acha que está impedindo a disseminação da banda larga “neste país” com o volume que ele precisa para realmente desenvolver a internet e o uso da nuvem entre todos os cidadãos?

Leia mais »

Trabalhando sem riscos com Cloud Computing

por Gilberto Mautner
A- A+
comentrios 4 Comentários


Hoje o uso de Cloud Computing está cercado de polêmicas. Partidários e opositores se digladiam sobre se Cloud é seguro, se Cloud é “hype”, se Cloud veio pra ficar. Na minha opinião, veio pra ficar sim. Mas existem alguns argumentos que os opositores colocam com toda razão.

Onde eu discordo desses opositores é que, ao contrário do que dizem, os pontos contra uso de Cloud são solucionáveis, e não inviabilizam seu uso.
Ao contrário, é justamente a partir desses argumentos que podemos partir para um uso de Cloud com mais tranquilidade. Vejamos como, a partir dos argumentos dos que se opõem ao uso de Cloud Computing, podemos fazer um uso muito mais seguro e confiável dessa nova forma de trabalho.

1) Risco da perda de dados: “se o provedor de cloud sumir com seus dados, você está ferrado”. É verdade. Em realidade, o risco existe nas duas formas de computação, tanto local quanto “na nuvem”. E a solução também não muda muito nos dois cenários: backup. Ao colocar dados num servidor dentro da sua empresa, você efetua sempre cópias de segurança. Simplesmente faça o mesmo com dados que você hospeda na nuvem.

A maioria dos aplicativos pode proporcionar alguma forma de fazer essa cópia de segurança. Como exemplo, provedores de e-mail normalmente oferecem um protocolo de acesso chamado “IMAP” através do qual você pode criar uma réplica de todas as mensagens e pastas do servidor no seu PC, usando um programa como Outlook para Windows, Mail para Mac ou Thunderbird para Linux. O IMAP é um padrão aberto e é altamente recomendado que o provedor ofereça também a modalidade segura (normalmente ativada com a opção “Usar SSL” do seu programa de e-mail).

Naturalmente, outros aplicativos via nuvem têm seus mecanismos próprios. Por exemplo, ao utilizar um “servidor na nuvem”, normalmente oferecido por provedores sobre plataformas de virtualização, também é recomendável que você use protocolos que garantam que você tenha versões locais dos programas que rodam nesses servidores, o que também pode ser viabilizado através de padrões abertos como “git” e outros.

2) Risco de vazamento de dados: isso ficou patente nas últimas notícias envolvendo o Google e a China. Aqui também há uma falsa polêmica: o risco é idêntico para dados na nuvem ou locais. O uso de senhas fracas é o culpado número 1. Tanto para dados hospedados na nuvem quanto dentro de sua empresa, você estará sempre vulnerável se usar senhas fracas. Parece batido ainda falar nos dias de hoje para não usar senhas do tipo “1234″ mas outras variantes menos conhecidas abrem igualmente portas para fraudadores. Datas de aniversário, iniciais do nome e sobrenome, nome da esposa etc. são igualmente perigosos. O jeito é misturar símbolos, letras maiúsculas e minúsculas e números. A memória é o cofre mais seguro, mas um papel bem guardado (nunca arquivos digitais) ajuda nessas horas, desde que não incorra em risco de vazamento interno por meio de pessoas fisicamente próximas.

Há, também, vazamentos que começam por explorar vulnerabilidades do PC do usuário. Isso também afeta tanto dados em Cloud como locais. Funciona assim: primeiro você tem um sistema operacional desatualizado, ou seja, sem ter aplicado os “updates” de segurança do fabricante, ou por descuido, ou por usar versões piratas. Depois, você baixa um anexo “insuspeito” que registra um “keylogger”, software que grava toda a sequência de teclas que você pressiona e manda para o fraudador. Tanto faz se a senha capturada é do seu ERP interno ou da sua conta de e-mail, a partir daí você está exposto. Recomendação? Aplique sempre as atualizações de segurança recomendadas pelo fornecedor do seu sistema. Normalmente, temos visto que as vulnerabilidades exploradas são antigas, pois para os hackers é mais fácil usar técnicas “manjadas” do que pesquisar novas brechas. Ou seja, se sair na mídia a última brecha do sistema operacional X ou Y, não entre em pânico, mas também não demore muito para se certificar que aplicou o update do fabricante (normalmente a resposta é relativamente rápida e os programas de atualização automática avisam quando há remendos – os chamados “patches” – a aplicar).

3) Risco de indisponibilidade. Sim, o seu provedor de Cloud pode ficar fora do ar. Acontece com todos. Mais uma vez, esse não é um privilégio da nuvem. Indisponibilidades são comuns também em ambientes de TI internos das empresas. O que proporciona um ambiente mais estável? Controles e processos, siglas pouco conhecidas do público geral, como “ITIL”. O que é impressionante é que são modelos já bem tradicionais e estabelecidos no mundo da TI, e que valem também para os administradores de sistemas dos provedores de Cloud. O que vale, nesse caso, é selecionar um provedor que demonstre, no mínimo, conhecer tanto quanto ou mais do que você sobre essas técnicas. Como são focados nisso, é de se esperar que tais provedores possuam essa bagagem, e a maioria deles de fato é bem evoluída nesse sentido. Novamente, sem grandes diferenças.

O que tudo isso mostra é que Cloud Computing não é solução milagrosa e que os mesmos cuidados do ambiente de computação pessoal devem ser tomados quando se usa um provedor na nuvem. Backups, proteção de senhas, processos operacionais estabelecidos, tudo isso vale da mesma forma. O que está por trás “das nuvens” são computadores, como os que você tem em casa e no escritório. Os cuidados, consequentemente, também são os mesmos.

Usando Cloud com essa mentalidade você poderá tirar proveito da economia de escala, atualizações constantes, interfaces modernas, crescimento sob demanda praticamente sem limite, enfim, tudo o que esse admirável mundo novo (em alguns aspectos, nem tão novo!) de Cloud Computing tem a oferecer. Bom proveito!

Leia mais »
INFO Online - Copyright © 2012, Editora Abril S.A. - Todos os direitos reservados. All rights reserved.