Adoro ver que o futuro imaginado no setor automobilístico está acontecendo. Carros que identificam que o motorista está sonolento e
emitem alertas, carros que fazem a baliza quase sem auxílio humano, carros sem chave, sistemas de ligação de emergência automática em caso de batida, GPS integrado, painéis que projetam imagens… logo mais realidade aumentada…Mas tem uma tecnologia que eu acho que ainda vai gerar muito problema: a leitura de SMS pelo sistema do carro com reprodução nos autofalantes do carro. Isso ainda vai dar problema.
Não sei se isso é uma lenda urbana, mas diz a história que alguém influente na sociedade brasileira foi fotografado pelo radar eletrônico acima do limite de velocidade em seu automóvel.
Como não havia muito regramento para a forma como a foto identificadora era tirada, a imagem captada foi a do tal figurão influente e uma moça. Nada demais, não fosse o fato de que, quando a multa chegou em sua casa, ela identificou que o carro estava na rodovia “do amor” (cheia de motéis) e a mulher que estava no carro não era a esposa da personagem importante.
Quem abriu a multa? A Esposa. E o barraco em família estava instalado.
Dias depois o figurão processou o Estado por danos morais. Diz a lenda que venceu o processo, recebeu alguma compensação e ficou determinado, a partir de então, que as fotos de multas não poderiam mostrar os passageiros do interior do veículo.
O que isso tem a ver com um futuro rolo de SMS? Imagine que uma gentil donzela esteja com seus filhos no carro, ou com sua avó, ou com seu marido, e ela receba um SMS ousado, com convites sexuais, propostas indecentes ou até mesmo com um trecho da música da Valesca Popozuda…
A tecnologia não tem sentimentos e as vozes de leitura não serão piedosas.
Para que a justiça não sofra enxurradas de processos por danos morais (e quem sabe materiais), será necessário ou que o usuário aprove a leitura do SMS antes (e o serviço se mostrará inútil) ou surja um filtro dotado de inteligência artificial capaz de entender as sutilezas de um relacionamento. Mas isso seria muito avançado para qualquer processador…
Estou falando sim em dinheiro. Mas duas formas dele.
E essa pergunta é bastante interessante, especialmente porque a resposta não está na ponta da língua. E há vários motivos que fazem com que a resposta varie.
Existem, no direito, conceitos de bens materiais e bens imateriais. Assim, por exemplo, um lápis é um bem material, mas os direitos autorais sobre um livro escrito com esse lápis, bem imaterial.
Um carro é um bem material e a participação numa empresa, imaterial.
Há quem chame os bens materiais de tangíveis ou corpóreos e os imateriais, de intangíveis ou incorpóreos. Mas aqui cabe uma ideia de nova classificação: bens mistos, que possuem parte corpórea e parte incorpórea. Os aparelhos eletrônicos, em sua grande maioria, estariam incluidos nessa classe.
Isso porque há a parte dos componentes, dos chips, circuitos, soldas, tela, etc, mas há o sistema operacional e demais aplicativos. Tudo isso está incluso no custo de um celular. E todos precisamos entender.
Lia no jornal que o custo do iPhone é de cerca de US$ 180,00. E via que a população leitora se rasgava em inconformismo dizendo que um bem que custa 180 para ser feito, nao poderia custar 400, 500, 600 dólares…
Me deixa um pouco incomodado quando saem reportagens nesse sentido, de modo irresponsável, dando ao consumidor a ideia de que o custo do bem está meramente atrelado ao custo dos componentes materiais e da montagem do aparelho.
Esquece-se dos custos autorais de todos os softwares e aplicativos compenentes. E passa-se ao consumidor uma ideia errada do valor de um bem, restringindo-se à mera materialidade.
Mas com o avanço dos códigos abertos, do lucro possível sobre aplicativos para smartphones, das lojas online acessíveis e da idéia de baixo preço e alta popularidade, tudo isso somado à boa velocidade e capacidade dos dispositivos, a cada dia mais adquire-se programas para tablets e smartphones.
Mas em breve o smartphone passará a ter valor inferior aos aplicativos nele contidos.
Isso significa, que os aplicativos, hoje, agregam valores e utilidades aos smartphones e ipads, de modo que o tornam mais valioso ou mais úteis.
Na advocacia, há algo semelhante. Dá uma trabalheira bastante grande fazer boas peças. E boas peças têm base teórica que, não raro, pode ser aproveitada em muitas outras peças. Sendo assim, escritórios costumam desenvolver peças modelo, que acabam sendo utilizadas e modificadas muitas vezes.
Como existem muitas peças, chega um momento, depois de muitos anos de advocacia, que constituímos um acervo (ou arsenal) muito precioso e colocamos em nossos pen drives e sistemas. Acreditem: esses arquivos valem MUITO mais que os sistemas.
Repete-se, pois, a máxima: o conteúdo vale mais que a aparência!
“- Será que você poderia contribuir?” – É uma frase frequente de se ouvir em anúncios de televisão, em semáforos, em telefonemas de
caridade, etc.A mesma frase vem em alternativas “você pode me ajudar?”, “você tem um minutinho?” e “pode me dar uma mãozinha?”.
Quando em excesso, os pedidos de contribuição, ajuda e apoio enchem a paciência. Mas quando na medida, todos terminam por ajudar, instados por um sentimento de coleguismo ou compaixão. E toda a sociedade sai ganhando quando o Estado falha mas o povo não.
A economia tem uma teoria que diz que ajudar os outros é, na verdade, um ato altamente egoísta. Especialmente se for ajudar um desigual em dificuldade. Serviria, por si, somente para minimizar uma auto sensação de culpa por ter tido mais sorte na vida.
Mas a tecnologia muda isso de teoria para pura realidade.
Há diversos serviços em que os usuários contribuem e terminam por conseguir, com isso, benefícios próprios a médio e longo prazo.
Exemplo disso é o site GETAROUND propagado por Ronaldo Lemos (@ronilemosjr), colunista do Folhateen, em que as pessoas que não estão utilizando seus veículos podem coloca-los a disposição para interessados alugarem. Com isso, o anunciante aumenta sua fonte de renda e todos se beneficiam com menos carros na rua e menos poluição. Em verdade, a prática até mesmo estimularia o não uso do carro, posto que seria mais lucrativo andar de transporte público e locar o bem móvel…
Outro bom exemplo é o WAZE. Uma espécie de GPS colaborativo, em que, ao invés de a população depender das atualizações de satélite ou atualizações de mapa do fabricante, os próprios usuários comunicam erros, defeitos, ações policiais, obras e afins. Assim, toda a comunidade instantaneamente se beneficia para um trânsito melhor e, assim, há um acréscimo de humor populacional e redução de poluição ambiental, também.
Infelizmente no Brasil, o sistema de caronas parece não funcionar onde mais precisaria: nas capitais.
Finalmente, vou falar novamente dos aplicativos que fazer reviews de restaurantes ou lojas. Temos que nos unir para que tenhamos um ganho de qualidade em nossos produtos e serviços.
Com um poder judiciário fraco nas condenações exemplares, o que nos resta é elevar a qualidade de nossa demanda. Assim, temos que aproveitar nossas experiências e compartilhar. Empresas que não entregam produto certo ou não entregam no prazo prometido, restaurantes que constrangem clientes a pagarem os 10% para um serviço ruim alegando obrigatoriedade, supermercados com produtos vencidos… A única forma de conseguirmos respeito, numa sociedade mal desenvolvida é exigindo.
E juntos, com a informática, podemos E-xigir.
Compartilhem e colaborem!
Acho interessante como o Direito é careta, em sua grande parte. E acho interessante como o direito brasileiro está atrasado em alguns
aspectos. E como ele é conservador quase sempre. E como falta ousadia no nosso meio.Digo isso porque me parece que a carreira de magistrado pressupõe um nível de ortodoxia com uma raiz meio que antiga, optando muitas vezes pelo método um tanto quanto lento.
Não escrevo para criticar nosso judiciário. Escrevo para elogiar certas ousadias internacionais sobre as quais li recentemente. Todas usando o Facebook.
A justiça da Inglaterra, por exemplo, determinou que, num processo, o advogado possa citar a parte contrária através do Facebook. Isso, no Brasil, seria impensável.
O formalismo do ato exige que sejam obedecidos os moldes dos artigos 213 a 233 do Código de Processo Civil. A vetusta lógica do oficial de justiça que se desloca até a residência, toca a campainha (ou bate na porta) e pergunta pelo futuro réu. Ou o carteiro que leva a carta de citação. Ou o edital, nos jornais de grande circulação. Tudo jurídico. Mas tudo ultrapassado.
Cada dia que passa somos mais fáceis de sermos localizados pelos nossos contatos eletrônicos! E é através da tecnologia que nos dispomos mais. Quer saber o telefone de alguém? Peça pelo Facebook! Ou envie mensagem! Mas no nosso ordenamento, o uso de Facebook seria impensável para tal ato. Mesmo que, se utilizado, gere maior efetividade na prestação jurisdicional.
Na Alemanha, oficializou-se o Facebook como meio útil e habil oficial da polícia para a busca de desaparecidos e de suspeitos. Utiliza-se, pois, a rede social como veículo de denúncias, sejam anônimas, sejam explícitas. Mas o importante (que é achar a pessoa ou o delinquente) e essencial à atividade policial conta, assim, com mais uma ferramenta!
No Brasil, em contrapartida, as empresas e instituições de ensino, têm proibido (até com o uso de termos de compromisso assinado pelos funcionários) ou mesmo exigido que seus empregados APAGUEM suas contas do Facebook. Não. Eu não disse “não usem durante a jornada”. Os termos exigem que o empregado APAGUE a conta ou, se não tiver uma, NUNCA A TENHA. E acredite. Sob pena de demissão por (ilegal) justa causa.
Fora as ações correntes aqui no Brasil, movidas por entes públicos, para PROIBIR que os usuários que tenham twitter ou facebook possam postar com liberdade, acerca de blitzes. Acreditem: a justiça censurativa arrisca a liberdade de uso do facebook. Cerceia a criatividade da ferramenta! Enquanto isso, os países mais evoluídos dão a oportunidade de o cidadão mostrar o quanto longe ele consegue ir.
No Brasil, gasta-se muito dinheiro e debate-se em demasia a visita dos presos. O lado humano e a psicologia informam que um preso só consegue seguir no rumo da recuperação se tiver contato com seus entes amados.
Mas para isso, os entes devem conseguir entrar no presídio. E, para aqueles que conhecem, altamente constrangedor. Se desconhece, www.youtube.com/watch?v=h8xG0ywu8Hk.
O México veio com uma solução alternativa: criar uma sala com computadores com acesso limitado. O preso pode ser visitado online, através de uma sessão de webcam, conduzida pelo Facebook ou por outro meio. O Estado economiza com funcionários dedicados às revistas, o povo evita constrangimentos e o preso continua em contato familiar.
No Brasil, temos previsão restrita para o uso telemático, no que se refere aos presos. Em verdade, somente se usa tal recurso em casos de prevenção de risco à segurança pública, se a pessoa morar fora da jurisdição entre poucas outras.
É tempo de evoluir e a tecnologia não é inimiga!
Está bem. O título é um pouco agressivo. Mas eu peço desculpas ao leitor. Em verdade é um desabafo. Creio que o apresentador da Rede
Bandeirantes “Datena” está se esforçando para ser o Galvão Bueno do Direito.Ainda que o tema não seja propriamente de recursos tecnológicos modernos, a televisão continua sendo o recurso eletrônico mais influenciador daquela massa que não gosta tanto assim da internet. E é sobre isso que trata este post: do desserviço à sociedade que o programa e toda a tecnologia envolvida nele gera.
Luto há uma década pelo ensino jurídico. Arduamente para tirar expressões erradas da boca de meus alunos como “sequestro relâmpago”, por exemplo.
E me desculpem os mais otimistas, mas já está na hora de o judiciário, que se diz UNO, alinhavar suas posturas desse modo: Ou censura tudo e damos o tal passo para trás na democracia, ou somente censura aquilo que deve realmente ser censurado sob pena de prejudicar a coletividade.
Data máxima vênia, o programa do apresentador, em minha modesta opinião (personalíssima e intransferível), merece os piores adjetivos.
A quantidade de informação errada que é passada no dia a dia, para o cidadão, é assustadora. Recomendo a meus alunos que não assistam o programa.
Lembro de estudar na disciplina Direito Constitucional o tema “direito de informar, se informar e ser informado”. Pois hoje percebi que sinto falta da expressão “corretamente” nesse tema. Acho que ninguém com influência nas massas deveria ter direito de estragar o ensino adequado em nome do ibope ou do populismo. E ensinar enviesado, é ensinar ERRADO.
Um professor que, numa sala de 60 alunos, ensina algo errado, prejudica 60 mentes. Imagine um apresentador de televisão que atinge milhares!
O cidadão brada energicamente frases como “cadeia é pouco para ele!”; “a pena de morte deveria existir em alguns casos”; “advogado não fala o que quer para defender o cliente”, entre tantas outras… Outro dia ouvi “se eu pego um cara desses eu arrebento ele”…
Isso não conta como incitação à violência?
Para onde vai a mídia televisiva? Enquanto juizes se preocupam em censurar jornais e posts de vozes roucas aflitas por se fazerem ouvir e influenciar alguns, aquele que toca muitos lares defende que está certa uma juíza em dizer que não existe o tal princípio da verdade real… interessante é que QUALQUER livro de processo penal apresenta o princípio…
No mesmo sentido, escandaliza a atitude de um advogado em audiência, esquecendo-se de informar também que existe imunidade material de palavras prevista no Estatuto da OAB, mais especialmente em seu art. 7º, quando diz em seu parágrafo segundo que o advogado tem imunidade profissional, não constituindo injúria ou difamação puníveis qualquer manifestação de sua parte, no exercício de sua atividade, em juízo ou fora dele, sem prejuízo das sanções disciplinares perante a OAB, pelos excessos que cometer.
Sugiro que o país tenha um pouco mais de professores de direito como consultores de reporteres e apresentadores de televisão. E olha, Brasil: é urgente!
Ok. No momento em que escrevo este post o dólar comercial está valendo cerca de 1,75 real. Mas a ideia do título vale mesmo assim.

Disponível em http://www.gettyimages.com/detail/photo/sale-advertisment-on-screen-of-laptop-royalty-free-image/200446206-001
Eu me recordo quando surgiram as lojas que vendiam objetos a R$ 1,00. Assim que entrei percebi que na verdade os valores eram A PARTIR de 1 real. E hoje existem tanto as que vendem tudo a R$ 1,99 quanto as que vendem a partir desse valor.
Todo o mundo se interessou pela ideia. Isso porque um real ou 1,99 são valores baixos o suficiente para que gastemos com nenhum ou quase nenhum remorso.
É um valor tão baixo, que pensamos muito pouco para gastar, essa é a verdade. E o comércio aproveita…
E veja que curioso o preço majoritáriodos aplicativos na AppStore. A maior parte custa US$ 0,99!
Aproveitando essa onda, mês passado conheci o serviço japonês “1dollarscan”. Trata-se de um serviço em que se remete livros ou documentos para um endereço que escaneia, digitaliza e envia o arquivo de volta, de modo eletrônico, para o usuário e, em seguida, recicla a papelada.
Eles propugnam o fim da poeira e do espaço inútil desperdiçado em troca de 1 dólar por centena de páginas escaneadas.
Corro um grande risco dando idéias, mas a digitalização fácil fará com que cada dia mais o conteúdo de cola seja eletrônico e se propague. Talvez num futuro não muito distante, tenhamos que repensar a forma como avaliamos os alunos por conta de o conteúdo não poder mais ser contido ou inacessado. O conteúdo perderá o sentido e o raciocínio será avaliado (finalmente).
Preocupa-me, também, a questão dos direitos autorais. Isso porque há dezenas de sites que adquirem licitamente CDs e DVDs e os digitalizam, disponibilizando livremente para download. Isso prejudica muito o artista, que não recebe pelo trabalho feito, a não ser naquela mídia corretamente adquirida.
Sendo assim, fica a questão: o que vale mais a pena? Pagar U$ 0,99 e ter uma música lícita, adquirida por um preço justo e com a qualidade verdadeira, ou não pagar nada e prejudicar toda uma classe de produtores?
Saberemos como o Brasil lidará juridicamente com isso em breve. Por hora, fique a vontade para copiar meu post.
O mundo não é justo. Em verdade, a luta entre a liberdade econômica e o papel assistencialista do Estado está perdida há muito tempo,
se olharmos ao redor e entendermos um pouquinho da lógica capitalista.Veja só que simples, se pensarmos este exemplo. O crédito é emprestado a taxas de juros diferentes, dependendo da solidez econômica que você tem. Se você tem mais patrimônio, o dinheiro custará mais barato para você. Isso faz com que o mais pobre pague mais caro pelo crédito.
Se você vai ao supermercado e compra 1 sabão em pó, o custo unitário é bem maior do que se você for num atacadista e comprar logo 10. Mas para comprar 10, você precisa ter o capital inicial necessário. Logo, o mais pobre paga mais caro pelo produto também. (Aproveite para lembrar que o minuto mais caro da telefonia é o pré pago)
O dinheiro vale menos (porque os juros são maiores) e o produto custa mais caro. É o pesadelo da igualdade social.
Todo esse início para dizer que eu comprei um Iphone. E de modo algum eu estou me vangloriando. Mas após muitos anos, eu cedi à Apple e estou fascinado com algumas perspectivas que se abrem.
Primeiro uma curiosidade: minha conta de telefone irá baratear bastante com a aquisição e eu calculo que em menos de 12 meses, terei o dinheiro investido de volta. O que perpetua o pesadelo da igualdade social.
A conectividade 3G e wifi nitidamente vão matar a telefonia tradicional. Isso porque, em poucos cliques nos novos smartphones, baixa-se programas como skype, viber, voxer e whatsapp que praticamente conectam você com todas as pessoas que você costuma estar em contato. O ponto é que as ligações passam a ser feitas através de tais programinhas, assim como os sms e assim sucessivamente. A tarifa cobrada por minuto e os custos de roaming e deslocamento perdem a razão de existir.
Os pagamentos em código de barra podem ser feitos através da câmera do celular que já substitui os tradicionais leitores.
E se você quiser comparar preços para ver se está pagando caro num produto, basta escanear a etiqueta e um programa compara os preços em outros estabelecimentos. Isso sem contar a possibilidade de você fazer uma lista de compras de supermercado e o programa comparar cada produto em cada estabelecimento e te dizer em qual supermercado você deve ir e quanto economizará.
Por hora, fica a reflexão do impacto que a tecnologia dos smartphones gerará na concorrência. E todo o direito empresarial fica de olho bem aberto porque nessa luta, somos nós que driblamos as dificuldades de modo criativo.
Quem nunca viu um telefone celular de um amigo, que se vangloriava pelas incríveis
tarefas que o aparelho era capaz de executar e fez a fatídica pergunta: “E ele faz ligações também?”Atire a primeira pedra quem nunca ouviu a frase: “eu só quero um aparelho que faça e receba ligações” ou então “10 anos atrás a gente viva muito bem sem celular”.
Eu compreendo perfeitamente certas indignações com o fato de estarmos cada dia mais sendo vigiados porque se exige ou porque nós mesmos permitimos que nos vigiem. Mas dizer que a tecnologia é dispensável e pregar um retorno à vida sem celular, me parece irreal.
Afinal, o conceito de TECNOLOGIA não está associado puramente à lógica da informática. Manuel Castells, sociólogo famosíssimo, mostra em suas obras que tecnologia deve ser compreendida como toda a técnica capaz de gerar melhoria no uso dos recursos disponíveis. Por isso, por exemplo, o uso de rotação de culturas no plantio, é tecnologia e ninguém pensa como era melhor a vida sem ela.
Idem no que se refere à penicilina, ao papel ou ao cartão de crédito. Sendo assim, é possível afirmar que tecnologia é um conceito cumulativo e progressivo. Não há que se pensar em sociedade dando passos para trás em tal conceito (os naturistas que me perdoem).
E tem muita gente que acha que as geotags são o novo big brother. Que elas violariam o conceito constitucional de intimidade.
Em parte eu concordo. Se você pensar em câmeras te filmando sem que você saiba ou celulares te seguindo e monitorando seus passos sem o seu consentimento, isso certamente é ilegal. É como se as pessoas livres tivesses as tais tornozeleiras eletrônicas sem nunca terem feito nada de errado.
Mas se houve liberdade, a disposição da intimidade é totalmente aceitável.
E vejam que interessante o recente caso de um casal que se perdeu na floresta e graças à tecnologia geolocalizadora foram encontrados em 3 horas, numa situação que, caso tivesse se alastrado por mais tempo, poderia gerar suas mortes.
Também existem programas que combatem crime contra o patrimônio, quase que numa autotutela. O cidadão instala no celular um aplicativo passivo. Caso alguém furte, roube ou se aproprie do aparelho e tente utilizá-lo, o erro da senha por 3 vezes, por exemplo, tira uma fotografia secreta do usuário, aciona o geolocalizador e manda, de tempos em tempos um email informando onde o celular está, com precisão de míseros 30 metros!
A ineficiência das forças públicas, cada vez mais é superada pela criatividade e pelos incríveis avanços da tecnologia!
Será que a tecnologia de geolocalização também resolve isso aqui: http://www.findwaldo.com/ ?
A rede tem, como a própria metáfora promete, o condão de tratar todos os peixes que nela estão do mesmo modo. Sejam de água doce, de
água salgada, coloridos ou monocromáticos, todos são peixes e ali devem se tolerar. Se não, o espaço deixa de existir.Pois tolerância na rede é algo variável. Isso porque, por exemplo, nos Estados Unidos da América do Norte, a primeira emenda constitucional garante ampla liberdade de expressão e, no Brasil, a inexistência do marco civil (ainda) gera muitos abusos.
Grupos de ódio, flaggings em bate papo, cyberbullying, injúrias e tantas outras condutas são frequentes.
Lembro-me de um fato repugnante de uma pessoa que usava a internet como ferramenta para pregar o ódio ao nordestino na época das eleições a presidência da República.
Mas a rede também serve para que diversos ou semelhantes se unam. Redes de relacionamento, foursquare, fóruns que acionam coletividade para movimentos de greve… tudo para unir objetivos, destinos e até mesmo corações.
E veja que interessante. Ao mesmo tempo a rede une e desune. Ela ajuda a criar mas também ajuda a vencer o ódio.
Especialmente neste post, gostaria de falar de uma interessante ideia sobre união e vitória sobre o ódio.
É a ideia de misturar geolocalização com redes sociais e criar o serviço GRINDR que nada mais é do que um programa que você instala no seu smartphone e permite que acesse sua localização ao mesmo tempo que mostra interesse em relacionamento.
Ali, a pessoa homossexual coloca seus dados, suas fotos e, ao invés de se expor buscando paquerar pessoas que eventualmente não têm a mesma orientação, o serviço informa a ela se há alguém com os mesmos interesses próximo. Com isso, a exposição gerada por uma paquera que poderia gerar ódio e violência, fica superada. E olhares tortos e estranho, também.
Não estou dizendo que o serviço dispensa uma boa ida a um bar ou uma balada, mas sim que há formas de contornar as dificuldades da timidez, acentuadas pela (ainda) intolerância que há quanto à orientação sexual das pessoas.
Você já notou que ironicamente a maior parte das pessoas chama de “diferente” pessoas que gostam de iguais?
Pois independentemente da sua opinião ou orientação sexual, uma vez que o Estado não consegue estar em todos os lugares ao mesmo tempo para coibir condutas racistas, a tecnologia ajuda internautas a focarem seus interesses de modo inteligente.
Todos são iguais, na medida de sua igualdade.
Um brinde ao jeito particular de resolver um problema público.
E não se esqueça que virtualmente somos todos compatíveis.
Reportagem da Folha de São Paulo de hoje aponta que o crescimento no uso de emails e de celulares faz com que as jornadas de trabalho
de trabalhadores em cargos de escritório sejam estendidas até o local de respouso (casa, hotéis, etc), chegando até mesmo a impactar nas férias do trabalhador.
É muito importante primeiramente que entendamos que o Direito do Trabalho considera a jornada de trabalho o período diário de até 8 horas e que a legislação permite que sejam acrescidas até duas horas suplementares a tal período, se houver acordo ou contrato coletivo de trabalho. Essas horas a mais recebem um acréscimo de 20% ou geram possibilidade de compensação, segundo o artigo 59 da tal CLT.
O que ocorre frequentemente é que nossa vida está cada dia mais indissociada da tecnologia. O mesmo aparelho que usamos como smartphone pessoal agrega função de receber comunicações do trabalho. Sendo assim, a verdade é que a cada dia nos tornamos mais “encontráveis” e isso, para fins de trabalho em uma economia aquecida, é a fórmula perfeita para a perturbação nos momentos de lazer e descanso.
Mas a CLT apresenta claramente a ideia de que entre as jornadas de trabalho é necessário ao menos 11 horas consecutivas de descanso, além de ao menos um período de 24 horas ininterruptas de descanso também.
Trabalho aos domingos? Somente com autorização de autoridade competente!
Trabalho em feriados nacionais ou religiosos? Proibido!
Trabalho a noite? 20% de acréscimo na hora diurna!
E ai de quem descumprir porque a justiça aplica ao empregador uma BELÍSSIMA multa para que isso não ocorra novamente! (pare de rir ironicamente, por favor)
Um dos principais problemas é que quem mexe com tecnologia ou usa tecnologia como ferramenta complementar ao trabalho está SEMPRE naquilo que chamamos de DISPONIBILIDADE.
Se recebessemos por tais períodos, estaríamos 25% mais “ricos” (pus aspas).
Mas, posto que assim como ocorre comigo, raríssimas empresas respeitam o descanso de seus empregados e pouquissimas reconhecem que abusam de seus empregados em horários além das jornadas, o que ocorre são constantes explorações além do contratado, que deveriam gerar indenizações trabalhista gordas lá na frente.
As empresas e os empregadores usam de um discurso de “você tem que fazer hora extra e estar disponível sempre se quiser se estabelecer e crescer no mercado” e nós, trouxas, acreditamos. A tecnologia mascara a disposnibilidade e o trabalho extra para locais de conforto e férias, sem que sejamos devidamente remunerados por isso.
Aliás, é com base nisso que muito propõe a lógico do trabalho em casa. Afinal, já se trabalha de todo o jeito de lá e o deslocamento até o local físico, muitas vezes, é meramente formal. Eu mesmo trabalhei numa universidade em que batia o ponto às 15 horas e trabalhava até às 23hs. Mas lá os computadores eram TÃO RUINS e o uso de impressoras TÃO BUROCRÁTICO, que eu escrevia tudo a mão, chegava em casa (depois das 23hs, claro) e ali sim começava a jornada para fazer o trabalho render…
Quem não fica nada feliz com a tecnologia são as namoradas, noivos, maridos, esposas, companheiros, etc…
(Muitas vezes já pensei em batizar meu note com um nome feminino, visto que minha relação com ele muitas vezes supera a com minha namorada em tempo….)
Pior do que isso: Trabalho vicia. Tecnologia vicia.
Pausa para um cafezinho?