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Se você disser que nunca ouviu qualquer uma dessas frases, a conclusão é simples: você não vive neste mundo. Isso porque você não tem ou nunca ouviu rádio. Não tem ou nunca assistiu televisão.
Eu não acredito nisso. Sinceramente.
Isso porque vivemos na sociedade atual, ainda contaminada por resquícios de absolutismo e de poderes dominantes. Logo mais, será possível alguém que nunca tenha ouvido nada disso.
Eu falo para meus colegas e parentes que a televisão morreu e o rádio já está decomposto.
Ninguém acredita. Adjetivam-me!
Na verdade, o aparelho em si permanece, mas a ideia mudou totalmente. E não foi graças aos fornecedores, mas sim graças à internet e seus novos conceitos.
Eu me lembro de ir ao cinema quando eu era mais moço e adorar ver os traillers.
Hoje eu não suporto trailler. Odeio propagandas entre filmes. Viro com força as páginas das revistas semanais quando vejo os comerciais.
Confesso que, por pura revolta, quando vou ao banheiro e leio “use duas folhas para mãos levemente secas”, eu imediatamente tiro quatro. Eu não quero mãos levemente secas! Quero mãos TOTALMENTE secas (com mãos levemente secas, terei calças levemente molhadas em seguida).
Eu decido meu futuro!
E não quero receber ordens. Não aceito que me imponham nada, pelo menos não em meus momentos de lazer e descanso.
A função coativa fica exclusivamente para a ciência jurídica. Deixemos que o Direito imponha, aperte, constranja.
É o Direito, por definição, a ciência que empurra para cima de você as regras e você está obrigado a aceitá-las, afinal de contas, “assinou” um contrato social (Rousseau) e deve alinhar-se com os valores da coletividade. Afinal de contas, há uma normalidade ditada pela sanção.
Acontece que até a difusão da rede mundial, tudo na vida era empurrado para cima de nós. Somos a geração PUSH (palavra que, em inglês, significa EMPURRAR). E nossos antecessores também. Somos os empurrados.
Por haver restrição nos meios de comunicação, decidiam para nós o que queríamos e deveríamos ver. Pura falta de opção, na verdade. Pura manipulação. E custava caro anunciar.
Metaforicamente, antes vivíamos em uma pequena cidade de interior em que os únicos passeios no sábado eram a pracinha, o cinema e quiçá um pseudo parquinho em que encontrávamos aquele sorvete de xarope que derrete rapidíssimo (Lembra? http://migre.me/1Grtg).
Era o dono do cinema que ditava o que iríamos assistir, o preço da entrada e o valor da pipoca.
Seria como sentar-se embaixo de uma árvore e esperar que a árvore resolva qual e se derrubará um fruto para ser comido.
Ilógico e sem liberdade. Errado e manipulador, por um certo ponto de vista.
Hoje mudou. A rede trouxe uma liberdade de ser, de agir e deu um papel ativo ao usuário. Assistimos o que queremos, na hora em que queremos, sem comerciais. Buscamos a publicidade, as promoções e não as aceitamos meramente.
Comparamos preços rapidamente. Há uma variedade inesgotável de aparelhos de celular, notebooks, serviços nas nuvens…
Essa é a geração PULL (em inglês, pull significa PUXAR). Somos puxadores.
Somos nós quem garimpamos, vamos até a macieira, escolhemos o que vamos assistir no cinema…
Hoje somos uma juventude impaciente e ávida por informação, fonte inesgotável. Mas também somos dinâmicos e multitarefas.
Não aceitamos mais ser violentados com informações que não nos interessam. Eu mesmo, já não tenho mais paciência para assistir televisão.
Não aceitamos comprar um CD/DVD por causa de uma música, e ter que engolir as outras 11.
Não aceitamos assistir o jornal e agüentar um monte de notícias desinteressantes.
Não estou disposto a comprar o suplemento de moda que obrigatoriamente vem com o jornal que eu quero!
Odiamos trailers de filmes porque hoje são uma das poucas imposições publicitárias incontornáveis. Praticamente não ouvimos mais rádio. Desenvolvemos a televisão que permite pular as mensagens publicitárias.
Mudou e muito. Vivemos numa sociedade on demand, em que a rede nos proporciona só aquilo que nós quisermos e estamos dispostos a tirar dela. Excetuando os spams, somos responsáveis por o que extraímos da rede.
E veja que interessante. O sistema criado pelo código de defesa do consumidor tratou de forma muito interessante do tema PUBLICIDADE, levando em consideração o fato de que o consumidor destinatário da publicidade era um sujeito PASSIVO.
A lei impôs no artigo 31 que toda a oferta de produtos ou serviços deve ser correta, clara, precisa, ostensiva e em língua portuguesa sobre suas características, qualidades, quantidade, composição, preço, garantia, prazos de validade e origem, entre outros dados, bem como sobre os riscos que apresentam à saúde e segurança dos consumidores. Lindo, quando se trata de uma sociedade PUSH, mas um tanto impreciso e anacrônico, pensando em nossa sociedade atual.
Já que eu vou atrás da informação, não preciso que a oferta tenha TODOS os dados acima, e, em alguns casos, nem quero que ela esteja em língua portuguesa (exemplo de serviços de “cloud computing”). Eu tenho liberdade de acionar as informações a qualquer momento.
Caso eu precise dessas informações, quero ter a certeza de que a empresa fornecedora me dará a opção de buscá-las.
Mas não precisa jogar tudo em cima de mim!
Uma sociedade mais crítica – creio eu – torna-se mais dinâmica e mais inteligente e, por isso, permite que certas regras sejam interpretadas de modos menos rigorosos.
A informação também sofreu transformação com os paradigmas novos gerados pela rede mundial e pelos novos valores.
E a criação dos hashtags é exatamente nessa toada: um jeito de fazer com que, de modo ainda mais eficiente, você seja capaz de buscar aquela informação que tem interesse ou necessita sem passar pelo ainda persistente empurra empurra dos resultados de busca pagos.
Em breve e se tudo caminhar do jeito que se espera, a imposição de informações perderá força inclusive no nosso método de ensino: não é possível que eu seja obrigado a estudar direito previdenciário em minha vida, se quero ser criminalista.
Sou a favor da tendência RECOMENDE A UM AMIGO; das ideias de SEDUÇÃO do leitor, de DESPERTADORES DE INTERESSE. Batalho pelo fim da lista de presença em sala de aulas: assista minha aula se você quiser, gostar, se interessar. Luto desde a faculdade pelas disciplinas eletivas (algumas obrigatórias e muitas eletivas).
Ninguém nunca precisou me pedir ou me forçar a ler uma página sobre tecnologia. Por que será?
Ninguém gosta de receber ordens. E só para exemplificar tudo o que foi dito acima e não perder a oportunidade: pare de ler o post. Agora.
Eu sei. Você já leu diversas vezes naqueles emails corporativos a frase “Antes de imprimir, pense no meio ambiente”. Em geral essa frase e
suas similares são escritas em verde e logo abaixo da assinatura. Mas vou lhes dizer alguma coisa: a coisa que a empresa mais quer com essa frase, é a impressão.