“- Será que você poderia contribuir?” – É uma frase frequente de se ouvir em anúncios de televisão, em semáforos, em telefonemas de
caridade, etc.A mesma frase vem em alternativas “você pode me ajudar?”, “você tem um minutinho?” e “pode me dar uma mãozinha?”.
Quando em excesso, os pedidos de contribuição, ajuda e apoio enchem a paciência. Mas quando na medida, todos terminam por ajudar, instados por um sentimento de coleguismo ou compaixão. E toda a sociedade sai ganhando quando o Estado falha mas o povo não.
A economia tem uma teoria que diz que ajudar os outros é, na verdade, um ato altamente egoísta. Especialmente se for ajudar um desigual em dificuldade. Serviria, por si, somente para minimizar uma auto sensação de culpa por ter tido mais sorte na vida.
Mas a tecnologia muda isso de teoria para pura realidade.
Há diversos serviços em que os usuários contribuem e terminam por conseguir, com isso, benefícios próprios a médio e longo prazo.
Exemplo disso é o site GETAROUND propagado por Ronaldo Lemos (@ronilemosjr), colunista do Folhateen, em que as pessoas que não estão utilizando seus veículos podem coloca-los a disposição para interessados alugarem. Com isso, o anunciante aumenta sua fonte de renda e todos se beneficiam com menos carros na rua e menos poluição. Em verdade, a prática até mesmo estimularia o não uso do carro, posto que seria mais lucrativo andar de transporte público e locar o bem móvel…
Outro bom exemplo é o WAZE. Uma espécie de GPS colaborativo, em que, ao invés de a população depender das atualizações de satélite ou atualizações de mapa do fabricante, os próprios usuários comunicam erros, defeitos, ações policiais, obras e afins. Assim, toda a comunidade instantaneamente se beneficia para um trânsito melhor e, assim, há um acréscimo de humor populacional e redução de poluição ambiental, também.
Infelizmente no Brasil, o sistema de caronas parece não funcionar onde mais precisaria: nas capitais.
Finalmente, vou falar novamente dos aplicativos que fazer reviews de restaurantes ou lojas. Temos que nos unir para que tenhamos um ganho de qualidade em nossos produtos e serviços.
Com um poder judiciário fraco nas condenações exemplares, o que nos resta é elevar a qualidade de nossa demanda. Assim, temos que aproveitar nossas experiências e compartilhar. Empresas que não entregam produto certo ou não entregam no prazo prometido, restaurantes que constrangem clientes a pagarem os 10% para um serviço ruim alegando obrigatoriedade, supermercados com produtos vencidos… A única forma de conseguirmos respeito, numa sociedade mal desenvolvida é exigindo.
E juntos, com a informática, podemos E-xigir.
Compartilhem e colaborem!
Eu adorava assistir o desenho dos Jetsons. Sempre quis ter a coleira do Astro que fazia ele falar e mais do que tudo, eu sempre quis ter a Rose, a babá computador.
Para minha surpresa, porém, EU virei uma babá informática…
Como muitos leitores sabem, sou advogado e sou professor. E ambas minhas profissões lembram muito a profissão de médico: onde quer que um advogado ou médico vão – sejam festas, seja restaurante, seja boteco – sempre tem uma pessoa pronta para “sem querer abusar, mas já abusando, fazer uma perguntinha ou tirar uma dúvida”…
É um inferno. Lá vem perguntas sobre emprego, sobre contrato, sobre pensão… E isso começa já na faculdade. O aluno de primeiro ano já é especialista em direito de família, na opinião dos vizinhos…
Mas eu falava de mim. E da minha condição de babá digital.
Veja só se você não passa por isso também. Você faz cursos de informática, de programação, de webdesign, de cloud computing, de pacote office, de cibersegurança… passa o dia resolvendo complexidades… Mas quando você chega na casa da sua mãe, ela quer que você, já que você “entende de computador”, explique porque a impressora está produzindo uma linha preta vertical nos documentos.
Você aprende códigos complexos, algoritmos, criptografia… mas seu tio te chama na casa dele porque quer limpar o teclado e tem medo de puxar o botão…
Você conhece macros, atalhos, hastags, rss, mas seu avô precisa de ajuda porque precisa instalar um tal aplicativo de segurança para usar o banco na internet…
Ou seja: também nesse aspecto da vida, todo mundo sempre tem um pedido para fazer e uma consultoria grátis para aproveitar.
E eu sei exatamente o que acontece com você. Se seu chefe pede ajuda para arrumar o computador dele que está lento ou não sabe se primeiro vem o ctrl Z ou o ctrl C, você explica calmamente, com toda a paciência. Mas se for sua irmã, lá vem chumbo grosso. Você vira uma fera.
Aí, eu também sei que ao invés de você explicar, você decide fazer. Você senta, arruma a rede sem fio, recupera a senha que alguém esqueceu, instala o software e aumenta a RAM. Mas faz sozinho, você mesmo. Você prefere fazer a explicar.
Isso se chama mandato.
Alguém te concede poderes e você tem a função de exercer uma atividade em nome dela.
Mas alguns chamam isso de ser babá. Outros, de receber uma procuração.
Parabéns. Você entendeu um pedaço da minha vida. Ou eu, um pedaço da sua.