terça-feira, 1 de novembro de 2011 - 1:01

Final Cut

Até que ponto aceitamos que a rede nos informe? Quanto de informação estamos dispostos a aceitar? Quais informações?

Getty Image

foto de Nobutsugu Sato


Em que ponto termina o direito de ser informado e onde começa o direito de ignorância?

Há, afinal, um direito à ignorância?

O Programa Bolsa Família se esforça para que não haja tal direito. Pelo menos no que se refere às crianças e adolescentes e isso está em perfeita sintonia com o ECA (art.4º, 4ª figura, da Lei 8.069/90).

Mas e depois de adultos?

Lia o livro de Paulo José da Costa Jr. sobre o direito que temos de estar sós. Achei ótimo e inovador. Posso, porém, ficar só com meus pensamentos?

Sócrates dizia que só sabia que nada sabia. Percebi há algum tempo que quanto mais estudamos, mais difícil o mundo fica porque percebemos o quanto complexo ele é. E nos esforçamos para entender como um cão que corre atrás do próprio rabo. Mas junto ao conhecimento vem a responsabilidade. E essa endurece a gente.

Várias vezes questionei se a simplicidade da ignorância não faz a vida mais doce e suave.

Apesar de criticar a lógica mercantilista dos romanos, pão e circo as vezes é tão gostoso… (ou seria cerveja e futebol?)

Vi a história da moça, mãe de um rapaz de 16 anos, que navegando pelo Facebook descobriu páginas em homenagem a seu filho que havia falecido num jogo de futebol americano horas antes.

A mãe recebeu a notícia da morte de seu próprio filho pela rede, antes que a escola ou a polícia a encontrassem para o relato fatídico.

A rede tem o direito de apressar amputações de esperança? Será realmente que estamos tão aflitos por obter todas as informações imediatamente?

No caso da mãe e de seu filho morto, será que a rede tirou responsabilidades da polícia e da escola ou criou uma situação de ineficiência indenizável?

Houve dano moral? A forma truculenta e seca, sem qualquer delicadeza, com que uma notícia catastrófica é dada pela rede exime?

Tendo a crer que se há uma coisa que as máquinas custarão a aprender é que se há um jeito de desfazer o nó, não é necessário cortar a corda.

Essa é uma premissa interessante da resolução de conflito. Se há um jeito pouco traumatizante, opte por esse. Um mau acordo vale mais que um ótimo processo.

Mas vai explicar isso para um processador…

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